10 Filmes de Terror Que Não Precisam (Nunca) de um Remake

Filmes Mais Assustadores Cinema de Buteco - O Exorcista

Publicamos aqui uma lista com algumas indicações de filmes de terror que merecem um remake, mas agora é a vez de eleger algumas obras intocáveis do gênero. Deixe os seus comentários com suas sugestões de filmes de terror intocáveis!

O Exorcista

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Me conta uma coisa: você conhece alguém que nos dias de hoje ainda sente medo de assistir O Exorcista de noite? Se a resposta for sim, você já entendeu os motivos que proíbem até mesmo a ideia de uma refilmagem para esse clássico.

Lançado há 40 anos, O Exorcista permanece lembrado não apenas como um dos filmes mais assustadores de todos os tempos, mas também como uma das principais obras do gênero terror. Com direção de William Friedkin, ele apresenta a aterrorizante história de uma garota que é possuída por um demônio e passa por um exorcismo de deixar qualquer um tremendo de medo.


O Bebê de Rosemary

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Esse textinho explica bem porque um remake é desnecessário: “O Bebê de Rosemary faz parte da “trilogia do diabo”, ao lado de O Exorcista e A Profecia. Com a direção genial de Roman Polanski, o grande sucesso do filme está na sugestão. Tudo é cheio de classe e muito sutil, o que apenas aumenta a eficiência da produção em assustar seus espectadores. Quando o cinema trabalha ao lado do nosso inconsciente, o sucesso é garantido. O terror mais inteligente é aquele que nos deixa com a missão de imaginar o mal. Cineastas inteligentes como Polanski e Steven Spielberg sabem muito bem que por mais talentosos que sejam, não podem competir com o inconsciente de cada um de seus espectadores.

A Hollywood de hoje não possui classe ou talento para conseguir combinar medo, sugestão, qualidade e ingressos vendidos.

O filme conta a história de Rosemary (Mia Farrow), que fica grávida e se vê envolvida com rituais de bruxaria ligados ao nascimento do possível filho do demônio.


Os Pássaros

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Pergunte a qualquer pessoa: cite uma adaptação de algum filme Hichtcock que tenha ficado minimamente decente? Depois de um provável longo silencio a resposta chegará, invariavelmente, em sua forma negativa. Isto já bastaria para responder por que não precisamos de um novo remake do mestre do suspense. Deveríamos aprender com as catástrofes e tentar evita-las.

Os Pássaros, sem dúvidas, é uma das obras primas do diretor inglês. Um ícone dos filmes que nos dão medo. Daqueles que, ao final das incontáveis vezes que o assistimos, nos faz perguntar “como diabos foi que ele conseguiu filmar aquilo?”. Não há duvida que a nova tecnologia em efeitos visuais poderia produzir imagens bem mais reais dos ataques daquelas milhares de aves ensandecidas. Mas e daí?

O charme de Tippi Hedren, a câmera que sobrevoa o posto de combustível (simples e, ao mesmo tempo, genial) e o clima de suspense que Hichtcock sabia proporcionar, não são facilmente reproduzidos. Mas o impossível ainda ficaria para o fim: como conseguir repetir o impacto da cena final de Os Pássaros em que, em sua completa quietude, nos força a prender a respiração até os créditos finais começarem a subir? (Alexandre Marini)


Inverno de Sangue em Veneza

Inverno de Sangue em Veneza

A obra de Nicolas Roeg é inexorável ao momento em que é realizada. Tome exemplos como Bad Timing, Performance e até mesmo Convenção das Bruxas: elas pertencem aquela época e dispensam a produção de uma refilmagem, pois além de serem um documento audiovisual, são um retrato histórico da época (talvez não no caso de Convenção das Bruxas). Você tem um diretor que sempre soube muito bem como fazer o seu trabalho, com uma equipe sensacional. Além de tudo, Hollywood não tem mais coragem de produzir finais sensacionais, violentos e sem esperança, como no caso de Inverno de Sangue em Veneza.

O filme conta a história de um casal que perde a filha num acidente e se muda para Veneza. Lá, uma mulher começa a atormentar o casal afirmando que a filha está enviando mensagens através do mundo dos mortos. Inverno de Sangue em Veneza causou bastante polêmica por conta de uma cena picante de sexo entre Julie Christie e Donald Sutherland. (Matheus Weyh)


Pânico

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Considerado como um dos principais longas de terror dos anos 90, a produção dirigida por Wes Craven foi lançada numa época em que o gênero estava em baixa. Ninguém sentia interesse em acompanhar o vigésimo sexto Sexta-feira 13 para ver um assassino sobrenatural sem o qual deixamos de ter medo e agora nos arranca risadas. Pensando nessa condição delicada, Craven e o roteirista Kevin Williamson tiveram a sacada muito bem vinda de fazer uma brincadeira com as tradicionais gags (lugares comuns como: adolescente transando morrerem; quem fala que vai voltar nunca volta; essas coisas) do gênero numa trilogia em que o assassino era uma pessoa bem próxima das suas vítimas. Com três continuações, a verdade é que nem Pânico escapou de uma maldição feroz dos filmes de horror: raramente superam o original. Imaginar um remake seria um grande vacilo desnecessário, já que a trama permanece atual o suficiente para agradar ao cinismo da nova geração que raramente se envolve com as obras a que assistem.


Mensageiro do Diabo

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O único filme dirigido pelo grande ator Charles Laughton é também um dos melhores filmes da década de 1950 e tem a melhor atuação da carreira de Robert Mitchum (e isso já significa muita coisa). O longa é uma mistura de um conto dos Irmãos Grimm com Hitchcock, contando a história de um pastor peregrino (interpretado por Mitchum) que se casa com uma viúva (Shelley Winters) para roubar o dinheiro que o falecido esposo dela deixou escondido. Mitchum têm as palavras “love” e “hate” tatuadas nas juntas dos dedos. O que já o credencia como um dos grandes personagens de horror de todos os tempos. Acompanhamos também a inocência da infância, retratada no filme nos filhos da viúva, que são quem desmascaram o vilão. Uma obra-prima intocável e que, provavelmente, nunca terá um remake.(Matheus Weyh)

[Nota do editor: na verdade, existe um remake chamado A Noite do Caçador, mas nossa sugestão é que você ignore totalmente esse fato e veja apenas o original para não perder o tempo com bobagens]


Holocausto Canibal

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Holocausto Canibal é uma obra essencial. Aliás, ele é um filme que mostra o quão bom pode ser o Lado B da Sétima Arte. Pouca fama, baixo orçamento, qualidade técnica um pouco duvidosa (graças ao combo tecnologia + pouca grana + espírito da coisa), imagens viscerais e até uma reflexão sobre a relação humana. Pioneiro da técnica found footage (que consiste em contar algum detalhe da história utilizando imagens gravadas por personagens com uma suposta câmera amadora), o filme serve como referência a todos os diretores que já se aventuram em produções de terror. Com imagens bem realistas, o diretor Ruggero Deodato foi preso e enfrentou problemas para provar que não fez um “snuff movie” (produções que mostram mortes ou assassinatos reais sem ajuda de efeitos especiais). Aliás, o contrato com o elenco proibia qualquer aparição pública dos atores após o lançamento. Com essas táticas, Holocausto Canibal foi eternizado principalmente pelas polêmicas, mas é uma obra completa: desde a trilha sonora perfeita até o roteiro, tudo é maravilhoso e nojento. Já tentaram fazer uma cópia dele chamada Canibal Feroz, mas não chega aos pés do original. E fariam remake de Holocausto Canibal pra quê? A cada ano que passa, com toda a tecnologia atual, ver uma imagem antiga, produzida de forma amadora e suja já assusta só pela idade. Uma versão atual dele iria virar outra porcaria como Sharknado e afins. Qual a necessidade disso? Vá ver logo Holocausto Canibal e não me fale mais em remake. Filmes sagrados não precisam de uma cópia mal feita. Beijos de luz. (Thais Vieira)


A Bruxa de Blair

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É raro ver um filme de terror que realmente nos assuste ou pelo menos nos deixe intrigados. Em uma aula no Coursera sobre cinema, meu professor falou sobre elementos que tornam o gênero interessante: você nunca ver o mal que está ali ou até vê-lo, só que no fim. E aí que entra o filme independente de $ 60 mil que conquistou Sundance em 1999 e faturou $ 248 milhões no mundo todo.

Primeiramente, ele é aterrorizante. Já naquela época, Daniel Myrick e Eduardo Sánchez pensaram na capacidade que uma visão em primeira pessoa, com as câmeras nas mãos dos atores, tem de nos deixar sentir na pele os sentimentos dos personagens e sofrer o que eles sofrem na telona. Nossa visão é a deles, o que torna essa aventura agonizante, já que eles não têm ideia do que estão enfrentando.

Além disso, ao mesmo tempo em que corremos e morremos de medo ao lado de Josh, Heather e Mike, o roteiro jamais mostra a tal Bruxa de Blair. E isso é genial. Por quê? O máximo que temos de informação sobre ela são descrições dos habitantes da região. Não vemos sua cara, não ouvimos sua voz, nada. O filme termina e temos que imaginar como é a aparência dessa entidade. Hoje, 16 anos depois, ainda penso como seria a figura dessa vilã.

Por esse suspense eterno que o longa deixou e sua capacidade em nos contagiar com a história narrada pelos próprios personagens, A Bruxa de Blair é um clássico intocável do terror. Meu favorito. (Dani Pacheco)


Tubarão

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Refilmar Tubarão seria como jogar abaixo todo o conceito de blockbuster que conhecemos hoje, afinal de contas foi com o longa-metragem mais relevante da carreira de Steven Spielberg que se criou o termo e toda a temporada de “summer movies“, quando os estúdios lançam seus projetos mais ambiciosos para arrancar o máximo de dinheiro possível dos espectadores. Tubarão é uma obra atemporal, que até hoje deixa a pessoa com medo e olhando para os lados antes de mergulhar no mar.

A trama mostra a pacata cidade litorânea Amity sendo atacada por um gigantesco tubarão branco perverso e esfomeado durante as celebrações do dia da independência. O chefe de polícia (Roy Schneider) busca o auxílio de um biólogo (Richard Dreyfuss) e de um velho lobo do mar (Robert Shaw) para conseguir evitar que o dentuço marinho continue matando os banhistas e estragando o feriado, para a tristeza do ganancioso prefeito.


O Enigma do Outro Mundo

O Enigma do Outro mundo remake

Em 1938 foi publicado um conto chamado Who Goes There?, de John W. Campbell. Anos depois, Howard Hawks levou a obra para os cinemas em O Monstro do Ártico, de 1951. John Carpenter, também conhecido como o Mestre do Horror, decidiu que a história ainda podia ser espremida e render um bom filme. O resultado foi O Enigma do Outro Mundo. Entre chamar de remake do filme de Hawks ou de nova adaptação do texto de Campbell, nós preferimos a segunda opção.

Imaginar um remake deste filme é como se alguém chegasse com planos de produzir uma nova versão de Alien, O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott. As duas obras são como irmãs no que diz respeito à paranoia, angústia, sufoco e isolamento. Tudo isso foi possível pela perícia de seus diretores. Longe de querer afirmar que os cineastas de terror de hoje são uns incompetentes, mas está para nascer algum nome com um terço do talento de John Carpenter, Wes Craven ou outros gênios do gênero.

Uma equipe de pesquisa norte-americana é surpreendida por um helicóptero que tenta atirar em um cachorro. Decididos a investigar a origem da confusão, o piloto MacReady (Kurt Russell) e o médico Dr. Cooper partem até o acampamento dos outros pesquisadores. Então, eles descobrem que uma forma de vida de outro planeta está nas redondezas e que ela tem a capacidade de assumir as características físicas de suas vítimas, o que representa um verdadeiro perigo para todo mundo. Isolados em uma estação na Antártica, o grupo precisa descobrir uma maneira de impedir a criatura de sobreviver, ao mesmo tempo em que a desconfiança e a paranoia crescem dentro de cada um.

Recentemente uma prequel foi lançada e a história acontece pouco antes dos eventos apresentados no longa-metragem de John Carpenter. E o resultado não chega a ser genial, mas se garante como entretenimento para aqueles que apreciam histórias sufocantes!

Redação do Buteco

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