O terror de Ari Aster agora veste chapéu de cowboy (e crise existencial)
O homem que transformou traumas familiares em arte e colônias suecas em pesadelos florais decidiu dar um novo passo: rir do apocalipse.
Em Eddington, Ari Aster — diretor de Hereditário, Midsommar e Beau Tem Medo — cria uma mistura de faroeste, sátira política e comédia sombria que parece escrita por um profeta entediado da CNN.
O filme acompanha um xerife (Joaquin Phoenix) e um prefeito (Pedro Pascal) que transformam uma disputa de cidade pequena em uma guerra civil em miniatura. No meio disso, há um data center misterioso, um elenco de estrelas (Emma Stone, Austin Butler, Luke Grimes) e uma quantidade perigosa de metáforas sobre o fim da civilização.
“Eu só queria entender o país. Acabei fazendo terapia em 2h40 de desespero coletivo”
Falando ao jornalista Rodrigo Perez, do The Playlist, Aster revelou que começou a escrever Eddington em 2020, “quando todo mundo estava surtando, e eu quis surtar de maneira produtiva.”
“Escrever foi uma forma de exercer controle quando tudo estava fora de controle”, disse o diretor. “Eu queria entender onde estávamos — e, no processo, percebi que ainda estamos lá.”
Tradução livre: Aster fez um filme sobre o caos americano e, cinco anos depois, o caos assistiu, fez cosplay e pediu sequência.
“Não é horror. É só a vida mesmo.”
Aster rejeita o rótulo de horror — embora seu filme seja basicamente sobre pessoas em colapso enquanto constroem um prédio para alimentar a inteligência artificial.
“Eu não chamo Eddington de horror. É uma comédia política, um western, um thriller, e talvez um filme de ação. Mas, se alguém quiser chamar de horror, tudo bem — o mundo já é assustador o suficiente.”
Em outras palavras: é um filme de Ari Aster.
Ou seja, você ri, mas com culpa.
O tema? Polarização, solidão e gente brigando por wi-fi
Segundo o diretor, o verdadeiro coração da história é um data center erguido nos arredores de uma cidadezinha. Mas, claro, isso é só o pretexto para falar sobre o colapso coletivo do bom senso.
“O filme é sobre como fomos divididos até o ponto de não conseguir conversar nem com o vizinho. Parece que estamos num trem indo cada vez mais rápido em direção a um muro.”
E como bom cineasta americano, Aster conclui: “Eu só filmei o trem.”
“Lançar um filme é devastador — até quando dá certo”
Depois do tsunami de opiniões que recebeu com Beau Tem Medo e Eddington, o diretor confessou que o processo de lançar um filme ainda o deixa emocionalmente destruído:
“É devastador. Você vive com o filme por anos, aí o mundo vê outra coisa completamente diferente. Mesmo quando amam, não é o mesmo amor que você teve por ele.”
Ou seja: o homem que fez o público desmaiar em Hereditário também sofre ao ler o Rotten Tomatoes. Equilíbrio cósmico.
O futuro: menos gritos, mais ironia (mas não muito mais leve)
Quando perguntado sobre o que vem a seguir, Aster respondeu com a calma de quem acabou de invocar 12 demônios pessoais:
“Estou escrevendo, mas não tenho pressa. Quero encontrar algo que valha a pena.”
Há rumores de que ele produz Acting Class, estrelado por Emma Stone — e, sinceramente, é reconfortante saber que até os traumas de Aster estão de férias por um tempo.
Eddington: a piada que o mundo ainda não entendeu
Assistir ao novo filme de Ari Aster é como rir em um velório: você sabe que não devia, mas algo te obriga.
Ele criou uma comédia trágica sobre um país que se divide por tudo — inclusive por causa de um prédio de servidores.
Se o cinema é espelho, Eddington é aquele espelho trincado do banheiro depois de uma noite ruim. E Ari Aster? O homem segurando a câmera e dizendo:
“Relaxa, é só o fim do mundo.”
Confira a entrevista completa aqui.

