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Estreia: Frankenstein, de Guillermo del Toro: quando o monstro vira espelho e você recusa o convite pra olhar

Se você acha que já sabe tudo sobre o clássico de Mary Shelley — cientista obcecado, experimento proibido, criatura que se rebela — prepare-se: Guillermo del Toro está aqui para sacudir esse laboratório. E não, não é só fazer mais um “monstro sai das sombras”; é usar o monstro como espelho, mostrar que a verdadeira ameaça pode estar no homem que ousou brincar de deus.


️ Sobre o que é “Frankenstein”?

O filme segue Victor Frankenstein (Oscar Isaac), cirurgião-arquiteto da vida, que decide costurar a morte e fazer dela sua obra-prima. A criatura (Jacob Elordi) torna-se algo mais que um experimento: torna-se acusação, sombra e alma rebelde.

O cenário? Um mundo de gelo, vastidão e culpa — dali, Frankenstein não corre mais de um monstro: corre da criação que ele nunca soube amar.


Para quem é?

  • Para quem se incomoda com “monstros” e acredita que eles são feitos por mãos humanas.

  • Para quem cansou de reboot fácil e quer ver um clássico tratado como se fosse uma ferida aberta, não uma relíquia.

  • Para quem curte horror que não se limita a sustos — horror que lateja, que exige reflexão.

  • Se você prefere alegria, pipoca leve e final feliz, talvez… passe longe.


Quem está no elenco?

Oscar Isaac entrega um Frankenstein mais humano do que ele gostaria de admitir — e mais cruel por isso. Jacob Elordi, com sua presença física descomunal (2 metros de altura!), redefine o que é ser uma “criatura”. Ele não precisa de maquiagem grotesca: basta entrar em cena. Seu corpo ocupa o quadro como uma presença inevitável, uma força da natureza que não implora por atenção — ela impõe. O contraste com Isaac é visualmente poderoso: onde o cientista é contido, cerebral, Elordi é visceral, expansivo, quase mítico. A altura aqui não é só estética: é narrativa. O monstro precisa parecer maior que a vida, e Elordi entrega isso com olhar triste, postura pesada e corpo que parece conter o mundo.


Onde assistir?

A nova releitura do clássico está disponível na Netflix depois de passar nos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro.

Veredicto: vale assistir?

Sim — e com urgência. “Frankenstein” não é só mais uma adaptação: é uma reinterpretação que questiona, dilacera e seduz. É como se Del Toro pegasse aquele brinquedo velho da infância (o monstro clássico) e colocasse bateria de máxima voltagem, dizendo: “Você queria espetáculo? Aqui está”. Visualmente, é quase impecável: cenário gelado, laboratório monumental, criaturas que doem.

Mas nem tudo é perfeito — o ritmo às vezes arrasta, o filme parece se explicar demais, quando o melhor ele faria seria manter o silêncio e deixar o horror falar.

No fim: se você quiser mergulhar num horror que pulsa como veia trêmula, esse filme está pronto. Se quiser sessões leves, talvez seja tiro fora.