Quinta-feira é dia de novidades nos cinemas, e 19 de fevereiro chega com uma pegada COMPLETAMENTE diferente da semana passada. Se você tava esperando blockbusters barulhentos, sinto informar: a vibe dessa vez é indie elegante, terror psicológico e nostalgia Ghibli. É tipo aquele happy hour com vinho francês em vez de cerveja — ainda assim delicioso, mas pra um público mais… específico.
Vamos destrinchar essa semana pra vocês não entrarem no cinema errado.
Isso Ainda Está de Pé?: Bradley Cooper Filma Divórcio, Stand-Up e Crises de Meia-Idade
Depois de Nasce uma Estrela e Maestro, Bradley Cooper decidiu fazer um filme COMPLETAMENTE diferente. Nada de holofotes gigantes, orquestras dramáticas ou Lady Gaga. Desta vez é: um cara de meia-idade fazendo stand-up em botecos de NY pra processar o divórcio.
E olha… é BOM.
Isso Ainda Está de Pé? (Is This Thing On?) é baseado na história REAL do comediante britânico John Bishop, que Will Arnett conheceu num canal de Amsterdã (sim, realmente) e ficou tão impactado que quis fazer um filme sobre. O roteiro é assinado por Cooper, Arnett e Mark Chappell.
A trama: Alex Novak (Will Arnett) e Tess (Laura Dern) estão se divorciando depois de 20 anos juntos. É amigável, civilizado e… devastador do mesmo jeito. Alex tá perdido — carreira estável mas vazia, filhos crescendo, ex-esposa seguindo em frente. Até que, numa noite vagando por NY, ele entra num bar de stand-up que faz open mic (aqueles eventos onde qualquer um pode subir no palco). Ele sobe. Desabafa. O público ri um pouco. E algo dentro dele ACORDA.
Alex vira o “cara triste” da cena de comédia nova-iorquina — não conta piadas, conta histórias dolorosas sobre seu casamento fracassado. É terapia no microfone. É comunicação pela arte (tema recorrente no cinema de Cooper).
O que funciona:
- Will Arnett tá EXCELENTE. Ele é conhecido por comédia (BoJack Horseman, Arrested Development), mas aqui entrega camadas dramáticas genuínas.
- Laura Dern sendo Laura Dern — porque esperávamos algo diferente? Ela dá PESO pra Tess, que poderia ser só “a ex-esposa” mas vira um personagem completo com frustrações próprias.
- Bradley Cooper aparece num papel coadjuvante hilário como “Balls” (SIM, esse é o nome do personagem), um amigo/ator/stoner excêntrico que rouba TODAS as cenas em que aparece.
- A direção de Cooper é mais contida que nos filmes anteriores — sem pirotecnia visual, só closes íntimos, fotografia natural, câmera focada nos rostos. É o filme mais HUMANO dele.
- Os comediantes reais da cena de NY aparecem como coadjuvantes (Chloe Radcliffe, Dave Attell, Jordan Jensen), dando autenticidade.
O que NÃO funciona:
- O filme cai nas convenções de comédia romântica no terceiro ato. Depois de ensaiar maturidade, resolve tudo de forma previsível.
- Alguns críticos acharam longo demais (2h04) e com excesso de diálogos explicativos.
- Os filhos do casal são quase irrelevantes pra trama (o que é estranho, considerando que eles existem).
Curiosidade: O filme foi TOTALMENTE ignorado pelo Oscar 2026, apesar de projeções iniciais colocarem Dern e Arnett como possíveis indicados. Hollywood preferiu barulho a intimidade.
Veredicto: É uma dramédia madura sobre relacionamentos, comunicação e segundas chances. Não é o melhor filme de Cooper, mas é o mais ACESSÍVEL e HONESTO. Se você gosta de Marriage Story mas com mais comédia, vai curtir.
Onde: Disney
Classificação: 14 anos
Duração: 124 min (2h04)
Anêmona: Daniel Day-Lewis Sai da Aposentadoria (E Divide Opiniões)
Em 2017, depois de Trama Fantasma, Daniel Day-Lewis anunciou aposentadoria. O homem com 3 Oscars de Melhor Ator (único a conseguir isso) simplesmente disse: “Tô fora”. E sumiu por 8 anos.
Até que seu filho, Ronan Day-Lewis, escreveu um roteiro. E convenceu o pai a voltar. Juntos, fizeram Anêmona (Anemone) — estreia de Ronan na direção de longa, com Daniel co-escrevendo e estrelando.
O resultado? Um filme tecnicamente impressionante, visualmente deslumbrante, mas narrativamente confuso que dividiu COMPLETAMENTE a crítica.
A trama: Ray Stoker (Daniel Day-Lewis) é um ex-soldado britânico que vive como eremita há 20 anos numa cabana isolada no norte da Inglaterra. Ele caça, cozinha no fogão a lenha, lava roupa no rio, corre pra se manter em forma, e cultiva um canteiro de anêmonas (as mesmas flores que o pai dele cultivava). Sua solidão é interrompida pela chegada do irmão Jem (Sean Bean), homem religioso devoto que precisa de ajuda com uma crise familiar envolvendo o filho adotivo Brian (Samuel Bottomley).
A partir daí, o filme mergulha em: trauma geracional, The Troubles (conflito na Irlanda do Norte), abuso sexual na infância, violência paterna, PTSD de guerra, e laços familiares destruídos. Tudo isso em meio a imagens surreais alucinógenas — tipo uma mulher angelical flutuando sobre a cama de Ray, ou uma criatura bizarra com pescoço alongado, rosto humano e… pênis minúsculo (não, eu não tô inventando isso).
O que funciona:
- Daniel Day-Lewis não perdeu NADA. O homem tá em forma OSCAR de novo. Cada cena dele é masterclass de atuação.
- Sean Bean e Samantha Morton (como Nessa, esposa de Jem) entregam performances sólidas.
- Cinematografia ABSURDA — planos longos nas charnecas, fotografia naturalista linda, composição visual impecável.
- A trilha sonora de Bobby Krlic (que fez Midsommar) é tensa e atmosférica.
O que NÃO funciona:
- O roteiro é meio bagunçado. Tenta abordar 50 temas ao mesmo tempo e não desenvolve nenhum direito.
- O simbolismo é às vezes pretensioso e confuso (tipo, PRA QUE aquela criatura bizarra?).
- Falta coesão dramática. Parece mais showcase de atuação + estilo visual do que filme com começo-meio-fim.
- A edição poderia ser mais enxuta em alguns momentos.
Críticas:
- Rotten Tomatoes: 53% (dividido)
- Metacritic: 53/100 (opiniões mistas)
Consenso: “Daniel Day-Lewis volta com todo talento intacto, e Ronan mostra flair visual impressionante, mas falta substância narrativa”.
Curiosidade: O filme FRACASSOU nas bilheterias — arrecadou apenas US$ 1,48 milhão mundialmente. Foi esmagado pela concorrência e pelo fato de ser… meio chato pra público geral. Vai chegar na Netflix em 28 de março de 2026.
Veredicto: É pra cinéfilo que curte cinema de ARTE, atuação PESADA, e não liga pra narrativa linear. Se você adora Paul Thomas Anderson e Terrence Malick, vai amar. Se você quer entretenimento, fuja.
Onde: Universal Pictures
Classificação: 14 anos
Duração: ~100 min
Para Sempre Medo: Oz Perkins Volta Com Terror Psicológico
Osgood Perkins (filho de Anthony Perkins, o eterno Norman Bates de Psicose) tá numa fase ABSURDA. Depois de Longlegs e O Macaco, ele lança Para Sempre Medo (Keeper) — e o DNA do terror tá no sangue desse cara.
A trama: Liz (Tatiana Maslany, de Orphan Black e Mulher-Hulk) e Malcolm (Rossif Sutherland, de O Conto da Aia) vão pra uma cabana remota celebrar 1 ano de namoro. Romance, isolamento, natureza… até que Malcolm precisa voltar pra cidade às pressas por emergência de trabalho. Liz fica sozinha.
E aí começa o pesadelo.
Uma presença maligna se manifesta. Segredos sombrios da cabana vêm à tona. Liz questiona não só a confiança no namorado, mas a própria REALIDADE.
O que funciona:
- Atmosfera SUFOCANTE. Perkins é mestre em construir tensão pelo silêncio, pela ambiguidade, pelo que NÃO é mostrado.
- Tatiana Maslany tá BRILHANTE. A mulher carrega o filme inteiro nas costas.
- Cinematografia linda (Jeremy Cox). Cabana + floresta filmadas de forma hipnótica.
- Trilha sonora (incluindo “Love Is Strange” de Mickey & Sylvia) cria contraste perturbador entre romance e horror.
- Shelley Duvall (O Iluminado) foi referência declarada pra Maslany.
O que NÃO funciona:
- Previsibilidade. Se você já viu terror de cabana isolada, vai adivinhar 70% da trama.
- Ritmo lento demais pra alguns espectadores.
- Final divisivo — uns amaram, outros acharam bizarro demais.
Críticas: Maioria elogia atmosfera e atuação, mas critica roteiro genérico. O Cinema de Buteco garante a presença do longa na lista de melhores filmes de terror de 2026.
Veredicto: Terror PSICOLÓGICO, não de jump scare. Pra quem curte A Bruxa, Hereditary, O Farol. Slow burn que fica na cabeça depois.
Onde: Diamond Films
Classificação: 16 anos
Duração: 99 min
E OS COADJUVANTES DA SEMANA:
Ghibli Fest: Parte 2 (SATO Company)
ATENÇÃO, FÃSDE GHIBLI! Depois do sucesso da Parte 1, volta o festival com clássicos do Studio Ghibli nos cinemas. Provavelmente inclui A Viagem de Chihiro, Meu Amigo Totoro, O Castelo Animado, Princesa Mononoke — depende da programação de cada cinema. Oportunidade RARA de ver essas obras-primas na tela grande. Imperdível pra qualquer fã de animação.
📍 Circuito SATO | 🔞 Verifique classificação por filme
O Frio da Morte (Paris Filmes)
Suspense de ação canadense/americano/alemão dirigido por Brian Kirk com Emma Thompson (!!) e Judy Greer. Pouquíssima informação circulando, mas Emma Thompson em filme de ação/suspense JÁ é motivo pra assistir. Provavelmente thriller tenso ambientado no inverno.
📍 Paris Filmes | 🔞 14 anos
VEREDICTO FINAL:
Semana MUITO MAIS NICHADA que as anteriores. Não tem blockbuster pra dominar bilheteria — é tudo aposta em público específico.
Se você quer drama intimista bem-feito: Isso Ainda Está de Pé?
Se você é cinéfilo raiz e quer ver Day-Lewis: Anêmona
Se você curte terror psicológico atmosférico: Para Sempre Medo
Se você é fã de Ghibli: Ghibli Fest Parte 2 (óbvio)
A escolha essa semana depende MUITO do seu humor. Mas todas as opções têm qualidade — só não espere pipoca explosiva.
Bom cinemão! 🎬✨

