Alerta de spoilers: este texto destrincha o final da 1ª temporada, do jeito que o Pennywise gosta: sem aviso, com sangue e com trauma de brinde.
O que acontece no final da temporada de It: Welcome to Derry
A temporada fecha com o Pennywise finalmente livre das “13 pillars” e soltando uma névoa opressiva sobre Derry. Ele sequestra em massa os alunos do Derry High School, hipnotiza geral e leva a galera para um trecho congelado do rio, onde pretende transformar a cidade num buffet e, de quebra, “exportar” o pavor pro resto dos EUA.
Do lado “time criança”, Margie Truman, Lily Bainbridge e Ronnie Grogan correm para salvar Will Hanlon e os outros estudantes. Do lado “time adulto”, Leroy e Charlotte Hanlon, Hank Grogan, Rose e o sobrinho Taniel vão atrás — com o Dick Hallorann junto, puxado para o front pela conexão psíquica e pela tal adaga que virou peça-chave do ritual.
Por que o Pennywise sequestra as crianças da escola?
Porque agora ele está no modo “sem coleira”: usa o auditório da escola como armadilha, faz um “show” macabro e hipnotiza os alunos para levá-los ao gelo. A lógica é a de sempre: medo infantil = combustível premium, só que em escala industrial. E com ele livre, a meta não é só comer Derry… é espalhar a fome.
A adaga: arma, âncora e veneno (e por que a Lily quase quebra)
A adaga protege contra o Pennywise — mas cobra pedágio: ela começa a poluir a mente da Lily, como se estivesse “puxando” de volta para o ponto de origem/ligação com os pilares. Quanto mais longe de Derry, mais ela aperta o cerco mental (ciúme do objeto, paranoia, impulso, descontrole). Quando a Margie toma a adaga e ela começa a brilhar, é o roteiro dizendo: “Ok, ele está perto. Corram.”
Como os adultos chegam até eles (e por que o Hallorann vira o GPS do inferno)
Os adultos descobrem o sequestro, juntam as peças, e a Rose revela a regra do jogo: o Hallorann pode rastrear a adaga via habilidades psíquicas e ela ainda prepara um chá para “silenciar”/organizar as vozes e permitir que ele navegue a dimensão do Pennywise sem pirar de vez. A missão é clara: plantar a adaga como se fosse o 13º pilar no ponto-limite (o deadwood pine) para re-trancar a “jaula”.
A grande revelação: Margie é “Margaret Tozier”
Aqui o final dá aquela risada de palhaço que conecta franquia inteira: o Pennywise chama a Margie de “Margaret Tozier” e diz que, no futuro, ela vai casar e virar Margie Tozier, mãe de um filho chamado Richie Tozier (o Richie do Clube dos Perdedores). E ele solta a frase que muda o tabuleiro: pro Pennywise, passado, presente e futuro são o mesmo — então matar a Margie ali seria “apagar” o Richie antes de existir (e evitar o destino dele com os Perdedores).
Quem morre no episódio 8 e quem sobrevive
Mortes confirmadas no final:
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Taniel: cai no confronto no gelo, quando o exército entra no jogo.
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General Shaw: o Pennywise reconhece Shaw (ligação com 1908) e mata o sujeito com prazer, assim que o vínculo do Hallorann é interrompido e o palhaço “descongela”.
Sobrevivem (e saem traumatizados com diploma):
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Margie, Lily, Ronnie e Will (o núcleo jovem) — conseguem completar o ritual no deadwood.
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Leroy e Charlotte Hanlon, Hank Grogan, Rose e Dick Hallorann (sobrevivem ao caos e ao pós-caos imediato).
E já tinha uma morte enorme antes do final: Rich Santos se sacrifica no episódio 7 para salvar a Margie do incêndio — e o episódio 8 não dá nem tempo de chorar direito.
Eles derrotam o Pennywise? Sim… do jeito “Derry”
Sim: com todo mundo correndo contra o relógio, a adaga tentando manipular o Will, e o Pennywise chegando “ao vivo” para impedir, o grupo enfia a adaga na terra no deadwood pine e re-encarcera o palhaço. Só que fica aquela sensação de “não foi só a gente”: aparece a ideia de que outras mãos ajudaram no empurrão final.
A série deixa forte que o Richie (mesmo morto) ainda está ali como presença — e o Hallorann inclusive conforta os pais do Rich dizendo que o toque no ombro era dele.
O epílogo: 27 anos, memória que apaga e a ponte para O Iluminado
Depois do gelo:
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Tem funeral do Rich e despedidas.
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O texto martela o ciclo: Pennywise volta em 27 anos.
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Ronnie vai embora com o pai e fica a impressão de que ela pode esquecer tudo (a maldição social de Derry: trauma vira ruído).
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O Hallorann diz que vai para “um hotel” em outro lugar — e a série brinca com a ironia, porque Dick Hallorann é o personagem ligado ao Overlook Hotel (o hotel de The Shining).
E aí vem o “puxão de tapete” final: flashforward para 1988, com Ingrid Kersh internada em Juniper Hill e uma Beverly Marsh aparecendo no caos de Derry — costurando o prequel diretamente na linha do tempo do universo de It.
O que o final realmente está dizendo (a parte que dói)
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Derry não é um lugar: é um mecanismo. Ele apaga, distorce, normaliza o absurdo. Você sai, você esquece, você vira adulto e chama de “coisa da infância”.
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O Pennywise não “morre” como a gente entende. A fala sobre tempo indica um predador que joga xadrez com genealogia: se ele puder, ele troca o tabuleiro, apaga peça antes do nascimento.
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O ritual funciona, mas não cura. Prender o monstro não desfaz o estrago. O final é vitória, só que com gosto de ferrugem.


