Quer saber o que acontece no final do filme Midsommar: O Mal Não Espera a Noite? Este longa, dirigido por Ari Aster (o mesmo de Hereditário), tornou-se um marco do “folk horror” contemporâneo, trocando os sustos em corredores escuros por uma angústia ensolarada e constante. A obra acompanha Dani, uma jovem traumatizada por uma tragédia familiar devastadora, que viaja com seu namorado negligente, Christian, e os amigos dele para um festival de verão remoto em uma vila na Suécia chamada Hårga. O que deveria ser um retiro antropológico e uma tentativa de salvar um relacionamento falido se transforma em um pesadelo ritualístico onde as regras da sociedade moderna não têm vez.
Midsommar é um filme sobre luto, pertencimento e a busca por uma família, mesmo que essa família exija sacrifícios de sangue sob um sol que nunca se põe.
Sinopse e Detalhes da Obra
A trama começa com uma das sequências mais viscerais do cinema recente: Dani (Florence Pugh) descobre que sua irmã tirou a própria vida e a de seus pais. Completamente desamparada, ela se agarra a Christian, que já planejava terminar com ela. Para não parecer insensível, ele a convida para uma viagem à Suécia junto com seus amigos Mark, Josh e Pelle. Pelle, que é natural de Hårga, os leva para sua comunidade isolada para celebrar o solstício de verão, um evento que ocorre apenas a cada 90 anos.
Ao chegarem, o grupo é recebido com flores, mantos brancos e substâncias psicodélicas. No entanto, o encantamento inicial dá lugar ao horror quando eles testemunham o Ättestupa, um ritual onde membros idosos da comunidade se atiram de um penhasco. A partir daí, o filme se torna uma contagem regressiva de eliminação, onde cada amigo de Christian desaparece conforme os rituais exigem “oferendas” específicas.
Final Explicado Midsommar: Como acaba?
Vamos lá.
O terço final de Midsommar é uma escalada de loucura visual e emocional. Após ser coroada a “Rainha de Maio” (May Queen) em uma competição de dança exaustiva e surreal, Dani finalmente encontra algo que não tinha há muito tempo: um senso de pertencimento. Enquanto ela é carregada como uma divindade, ela flagra Christian em um ritual de acasalamento bizarro com Maja, uma jovem da vila. Christian foi drogado e induzido a participar do ato para garantir a continuidade genética da comunidade.
Ao ver a traição, Dani entra em colapso. Mas, em vez de chorar sozinha, as mulheres de Hårga a cercam e mimetizam seus gritos e dores, transformando seu sofrimento individual em um luto coletivo. É o momento em que Dani percebe que aquela comunidade, por mais insana que seja, “segura” a sua dor de uma forma que Christian jamais fez.
Para o grande encerramento, a comunidade prepara um templo de madeira amarelo. Eles precisam de nove sacrifícios humanos para purificar a vila: quatro forasteiros (os amigos de Christian), quatro membros da comunidade e um nono que deve ser escolhido pela Rainha de Maio. Como Rainha, Dani tem o poder de decidir quem será a última vítima: um membro aleatório de Hårga ou Christian.
Sem hesitar, ela escolhe o namorado. Christian, que já está paralisado e incapaz de falar, é costurado dentro da pele de um urso pardo — um simbolismo forte sobre a bestialidade e o peso que ele representava na vida dela — e colocado dentro do templo junto com os cadáveres dos outros amigos e os voluntários da vila. O templo é incendiado. Enquanto as chamas consomem tudo, os membros de Hårga gritam em agonia externa para purificar o sofrimento interno. Dani, inicialmente horrorizada, termina o filme com um sorriso largo e catártico. Ela finalmente está livre de seu passado e de um relacionamento tóxico, encontrando seu lugar em uma nova e perturbadora família.
Qual o significado do urso em Midsommar?
Muitas pessoas se perguntam por que diabos Christian foi colocado dentro de um urso. Na mitologia nórdica e em diversas tradições folclóricas, o urso é uma figura de força, mas também de fardo. Para Dani, Christian era o seu “urso”: um peso morto, uma figura que habitava sua vida mas não oferecia suporte real. Ao queimá-lo dentro da pele do animal, o ritual simboliza a expulsão total dos traumas de Dani. O fogo destrói o que restava da sua antiga vida. É uma metáfora visual para “queimar as pontes” com o passado da forma mais literal e brutal possível.
O que aconteceu com os outros amigos (Josh e Mark)?
Se você piscou, pode ter perdido os detalhes dos destinos de Josh e Mark. Mark foi morto logo cedo após desrespeitar um tronco sagrado (fazendo xixi nele); ele foi atraído por uma integrante da vila e sua pele foi usada como uma espécie de “espantalho” macabro. Já Josh, o estudante dedicado, foi morto ao tentar fotografar os textos sagrados da vila (o Rubi Radr) durante a noite, algo estritamente proibido. Ambos foram sacrificados porque não respeitaram a cultura local e, para a lógica de Hårga, serviram apenas como “matéria-prima” para os rituais de purificação.
Dani enlouqueceu ou foi libertada?
Esta é a pergunta que divide o público. Sob a ótica da UX (Experiência do Usuário) da narrativa, o diretor Ari Aster quer que você sinta o alívio de Dani. O sorriso final dela não é o de uma vilã, mas de alguém que finalmente parou de lutar contra a dor. Para a sociedade moderna, Dani foi vítima de uma seita assassina e sofreu uma lavagem cerebral sob efeito de narcóticos.
Porém, para o contexto do filme, Midsommar é um “filme de separação”. O final representa a emancipação total de uma mulher que foi negligenciada. Ela troca uma solidão acompanhada por uma comunidade que compartilha cada respiração e cada soluço com ela. É um final feliz? Depende de quão disposto você está a aceitar alguns sacrifícios humanos em troca de nunca mais se sentir sozinho.
E é isso.


