jornada da vida

Jornada da Vida: Omar Sy troca o glamour francês por uma viagem que dói — e cura

Vale a pena assistir Jornada da Vida?

Às vezes o cinema não grita. Ele sussurra.
Yao é exatamente esse tipo de filme — um road movie delicado que parece pequeno, mas carrega uma pergunta enorme: de onde você realmente é?

Dirigido por Philippe Godeau e estrelado por Omar Sy, o longa franco-senegalês de 2018 (lançado no Brasil como Jornada da Vida) é menos sobre quilômetros percorridos e mais sobre identidade reconquistada.

E sim, é um filme que exige paciência. Mas também recompensa.


🌍 Sobre o que é Yao?

Seydou Tall (Omar Sy) é um astro francês de origem senegalesa que retorna ao Senegal para divulgar seu livro. Ele é famoso, elegante, bem articulado — e visivelmente deslocado.

Enquanto isso, Yao (Lionel Basse), um menino de um vilarejo humilde, atravessa mais de 380 km sozinho apenas para conseguir um autógrafo do escritor que ele admira.

Quando Seydou descobre que o garoto viajou clandestinamente para vê-lo, algo muda. Em vez de apenas entregar o autógrafo e seguir para compromissos glamourosos, ele decide levá-lo de volta para casa.

E aí começa o verdadeiro filme.

O que era uma turnê promocional vira um mergulho nas estradas poeirentas do Senegal, em encontros com figuras locais, tradições espirituais e, principalmente, em um confronto silencioso com as próprias raízes.


🎭 Elenco

  • Omar Sy como Seydou Tall

  • Lionel Basse como Yao

  • Fatoumata Diawara como Gloria

  • Germaine Acogny como Tanam

Omar Sy, eternamente lembrado por Intouchables, aqui troca o carisma expansivo por uma atuação mais contida. Seu Seydou começa rígido, quase arrogante — um homem que parece confortável na França, mas estrangeiro no Senegal.

E é no olhar silencioso de Yao que o filme encontra sua força. O menino não faz discursos; ele simplesmente existe, e sua presença desmonta as defesas do adulto.


🚗 Ritmo: lento, mas proposital

Se você espera reviravoltas ou grandes conflitos dramáticos, talvez saia frustrado.

Yao é conduzido com calma. A narrativa se desenrola em conversas no carro, paisagens amplas, silêncios que dizem mais que diálogos.

Para alguns, isso pode soar cansativo. Especialmente para quem está acostumado ao ritmo frenético do cinema hollywoodiano.

Mas essa lentidão é parte da proposta: o filme quer que você sinta o tempo. Que observe. Que escute.


✨ Temas: identidade, espiritualidade e pertencimento

O longa toca em questões delicadas:

  • O que significa voltar ao país dos seus ancestrais?

  • Você pertence a um lugar que não viveu?

  • O sucesso apaga as origens ou as reforça?

Há também uma dimensão espiritual muito presente — especialmente nos encontros com personagens locais que representam tradições e sabedorias ancestrais.

O filme sugere que a reconexão não acontece em grandes gestos, mas nos detalhes: um prato compartilhado, uma estrada percorrida, um silêncio respeitado.


💔 Nem tudo funciona

Nem todo momento é natural. Alguns encontros parecem existir apenas para provocar reflexão no protagonista. Certos diálogos soam didáticos.

E comercialmente, o filme não foi um sucesso — pouco mais de 400 mil espectadores na França. Talvez por ser intimista demais. Talvez por não oferecer a catarse que o público costuma buscar.

Mas isso não diminui sua honestidade.


🎯 Para quem é?

Yao é para:

  • Quem gosta de road movies contemplativos

  • Quem se interessa por histórias sobre identidade cultural

  • Fãs de Omar Sy que querem vê-lo em um registro mais sensível

  • Quem aprecia filmes que fazem refletir mais do que entreter

Se você precisa de ação constante, provavelmente vai achar lento.
Se você tem paciência, pode sair tocado.


⭐ Veredicto: vale a pena?

Sim — desde que você esteja disposto a entrar no ritmo dele.

Yao não é sobre um autógrafo.
É sobre um homem que precisava atravessar um país para finalmente se encontrar.

E talvez você também encontre algo no caminho.

https://www.youtube.com/watch?v=m9sT98UCCR4