Prepare o fígado e o lencinho, porque a principal estreia da semana nos cinemas traz uma Carolina Dieckmann que não está para brincadeira.
Será que vale a pena ver o filme (Des)Controle? Se você acha que sua vida está difícil porque o café acabou, precisa ver a Kátia Klein. O filme é um soco no estômago disfarçado de “dramédia” que faz a gente questionar cada taça de Chardonnay no Happy Hour. É o tipo de atuação que faz você pensar: “Paolla Oliveira que me desculpe, mas a Heleninha Roitman que habita em mim saúda a Heleninha que habita na Dieckmann”.
📽️ Sobre o que é (Des)controle?
Kátia Klein é aquela escritora de 45 anos que, no Instagram, parece ter a vida perfeita, mas na vida real está por um fio — ou melhor, por uma rolha. Sofrendo com bloqueio criativo, um casamento que parece um pão amanhecido e a pressão de ser a “mulher maravilha”, ela começa a usar o vinho como anestesia.
O problema é que a anestesia vira o cirurgião, o hospital e o desastre completo. O filme usa uma lente de aumento para mostrar como o alcoolismo feminino é cercado de silêncio e julgamento machista. Não é só sobre beber; é sobre a culpa de não conseguir dar conta de expectativas irreais enquanto o mundo ao redor desmorona em 4K.
🎯 Para quem é?
Para quem gosta de dramas viscerais que não tentam te dar uma lição de moral barata no final. Se você curte histórias sobre redenção, amizade feminina e atuações de tirar o fôlego, é o seu filme. Mas atenção: se você espera homens empáticos e desconstruídos, passe longe. Aqui os personagens masculinos têm a profundidade emocional de uma colher de chá e a utilidade de um guarda-chuva furado.
🎬 Quem está no elenco?
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Carolina Dieckmann (Kátia): Esqueça a Camila de Laços de Família. Aqui ela está crua, irritante, vulnerável e monumental. Uma entrega que faz a gente querer dar um abraço e tirar a garrafa da mão dela ao mesmo tempo.
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Caco Ciocler e Daniel Filho: Representam o “clube dos homens ausentes”. Estão lá para mostrar como o julgamento masculino pesa quando a mulher sai do script.
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Júlia Rabello: Traz o respiro necessário, provando que, quando o mundo congela (emocionalmente falando), só a rede de apoio feminina salva.
🔍 Veredicto: (Des)controle é bom?
Assistir a esse filme é como ir a um jantar elegante e terminar a noite chorando no chão da cozinha com a dona da casa: é desconfortável, honesto e profundamente necessário. O roteiro pode dar umas tropeçadas e os homens podem ser rasos como um pires, mas a atuação da Dieckmann segura tudo como um pilar de concreto.
Vale o play? Vale muito. É um retrato doloroso sobre como perder o controle é, às vezes, a única forma de se encontrar de novo. Só não assista acompanhado de uma taça, ou a crise de consciência vai bater forte.

