As recentes declarações de Matt Damon e Ben Affleck no podcast The Joe Rogan Experience incendiaram o debate sobre os limites da punição social na era digital. Em uma conversa franca que durou mais de duas horas, os astros, que estão em plena campanha de divulgação do novo suspense da Netflix, The Rip, abordaram as transformações profundas e, na visão deles, prejudiciais que Hollywood vem sofrendo.
O Peso da “Prisão Social”
O ponto mais controverso da entrevista surgiu quando o apresentador Joe Rogan descreveu o processo de cancelamento como uma forma de exílio moderno, onde o indivíduo é “expulso da civilização”. Matt Damon, visivelmente incomodado com o estado atual da vigilância pública sobre a vida dos artistas, levou a reflexão a um nível extremo.
Damon afirmou acreditar que muitos artistas que enfrentaram o massacre da opinião pública nos últimos anos teriam preferido enfrentar o sistema judiciário tradicional. “Eu aposto que algumas dessas pessoas prefeririam ter ido para a cadeia por 18 meses”, disparou o ator. Segundo o seu raciocínio, o sistema prisional oferece o conceito de “dívida paga com a sociedade”, permitindo um recomeço. Já no tribunal da internet, não existe reabilitação ou fim de pena. “O problema de ser massacrado publicamente é que isso nunca acaba. Vai te seguir até o túmulo”, completou.
A crítica de Damon foca na impossibilidade de redenção. Para ele, o cancelamento se tornou uma sentença de caráter perpétuo que ignora a evolução humana ou o pedido de desculpas, criando um clima de medo constante nos bastidores da indústria cinematográfica.
Ben Affleck e o Lado Sombrio da Natureza Humana
Ben Affleck, parceiro de longa data de Damon, trouxe uma perspectiva psicológica ao debate. Ele comparou o linchamento virtual ao “instinto da sexta série”, onde crianças apontam o dedo para o colega em apuros para desviar a atenção de suas próprias falhas.
Affleck sugeriu que a cultura do cancelamento alimenta um prazer sádico em ver a queda alheia. “Os seres humanos têm instintos sombrios e distorcidos às vezes, de isolar pessoas ou obter alegria com o problema de alguém”, explicou. Para o ator, ao isolar um indivíduo, o grupo cria uma falsa sensação de segurança moral. “Se você pode apontar o dedo e fazer todos olharem para lá, você se sente mais seguro, porque está dizendo: ‘Ei, o problema não sou eu’.”
IA e o Futuro do Trabalho Criativo
Além das questões sociais, Affleck também aproveitou o espaço para acalmar os ânimos sobre o avanço da Inteligência Artificial em Hollywood. Enquanto sindicatos lutam por proteções contra a substituição de humanos por algoritmos, Affleck afirmou que a tecnologia está longe de alcançar a complexidade necessária para contar histórias humanas profundas.
Ele classificou como “besteira” a ideia de que a IA possa gerar filmes inteiros com a mesma qualidade de um diretor ou roteirista experiente. Na visão dele, a tecnologia pode ser uma ferramenta auxiliar, mas a “alma” da narrativa permanece protegida pela experiência humana, que a máquina ainda é incapaz de emular.
As falas da dupla ocorrem em um momento em que Hollywood tenta equilibrar a demanda por justiça social com a liberdade de expressão. Com The Rip chegando ao catálogo da Netflix, Damon e Affleck mostram que, além de estrelas de cinema, pretendem ser vozes críticas e provocadoras sobre o sistema que os consagrou.
Qual a sua opinião sobre a fala de Damon? Ele tocou em uma ferida necessária sobre a falta de perdão na internet ou a comparação com o sistema prisional foi desproporcional?
Onde assistir The Rip?
As declarações ocorrem em um momento estratégico de divulgação de “The Rip”, o novo filme da dupla para a Netflix. O longa marca mais uma colaboração bem-sucedida entre os vencedores do Oscar, que parecem estar usando sua influência para questionar os novos dogmas de Hollywood.

