Melhores filmes para o dia dos pais - Antes da Meia-noite

Richard Linklater sobre um possível “Antes 4”: “Não nos descartem ainda”

O amor não acabou — só envelheceu

Poucos diretores entendem o tempo como Richard Linklater. Em Boyhood, ele o filmou passando. Na trilogia Before, ele o transformou em diálogo — em silêncio, em olhares, em tudo o que fica quando o amor amadurece (ou se desgasta).

Mais de uma década depois de Before Midnight (2013), Linklater voltou a falar sobre Jesse e Céline — e, sim, um novo filme pode acontecer.

Durante o podcast The Discourse, ao lado de Ethan Hawke (com quem promove o novo drama Blue Moon), o diretor deixou escapar o que fãs do cinema romântico mais esperam ouvir desde 2013:

“Nós perdemos o prazo dos nove anos, é verdade… Mas ainda estamos aqui. Não nos descartem.”


Uma trilogia feita de tempo — e talvez prestes a quebrar o próprio ciclo

Desde 1995, quando Before Sunrise apresentou o casal que conversa até o amanhecer, a série seguiu um ritual quase místico: um novo capítulo a cada nove anos.

  • Before Sunrise (1995) — o encontro.

  • Before Sunset (2004) — o reencontro.

  • Before Midnight (2013) — o confronto.

Linklater, Hawke e Julie Delpy criaram uma das histórias de amor mais humanas e imperfeitas do cinema moderno — e, segundo o diretor, ainda há combustível nessa relação que insiste em não morrer.

“Seria difícil não revisitar. Esses personagens fizeram parte das nossas vidas por 18 anos. Jesse sempre esteve no fundo da minha mente — às vezes, na frente.”


O que viria depois do “felizes para sempre”?

Linklater e Hawke reconhecem que Before Midnight parecia encerrar o ciclo, com Jesse e Céline finalmente encarando as consequências do amor — o cansaço, os filhos, as frustrações.
Mas e se a vida, como sempre, continuasse?

“Se revisitássemos, seria um novo começo. Algo diferente. Não sei o que seria”, disse Ethan Hawke, mantendo o mistério no ar.

O The Playlist, que conduziu a entrevista, sugere que o novo capítulo poderia explorar temas como divórcio, luto, recomeços tardios ou até solidão na velhice — dilemas maduros, mas perfeitamente alinhados ao espírito contemplativo da trilogia.

Linklater reforça que só faria um novo filme se encontrasse uma ideia verdadeira:

“Nunca foi sobre repetir o sucesso, e sim sobre entender onde Jesse e Céline estão na vida. E isso precisa ser real.”


O legado da trilogia Before

Mais do que filmes sobre amor, Before Sunrise, Before Sunset e Before Midnight são filmes sobre o tempo — sobre o que ele constrói, destrói e transforma.
A saga de Jesse e Céline é menos uma história de casal e mais um retrato de duas almas em permanente diálogo com a passagem dos anos.

“Esses filmes funcionam como uma trilogia completa”, admite Hawke. “Mas, se voltássemos, seria algo totalmente novo. Um novo ponto de partida.”

E talvez essa seja a grande beleza do universo de Linklater: nunca há um ponto final definitivo — apenas vírgulas que o tempo transforma em novas possibilidades.


Conclusão: o amor pode esperar (mais um pouco)

Seja daqui a dois, cinco ou dez anos, Jesse e Céline ainda vivem — nem que seja apenas nas cabeças de Linklater, Hawke e Delpy.
E, enquanto houver tempo, existe a chance de mais um capítulo.

Como disse o próprio diretor:

“Ainda estamos aqui.”

E, convenhamos, isso já é um ótimo começo.