Será que vale a pena ver o filme da sessão da tarde hoje? Se você gosta daquele tipo de história que começa com um sujeito insuportável achando que o mundo lhe deve aplausos — e termina com ele engolindo o próprio ego como se fosse isotônico morno — então sim: a Globo exibe Campeões (Champions) nesta segunda-feira, 23/02/2026, às 15h25 (horário de Brasília).
E antes que você torça o nariz: apesar do tom de comédia e da cara de “filme da tarde”, Campeões tem uma missão clara (e geralmente cumpre): fazer você rir com o time — não do time.
📽️ Sobre o que é Campeões?
O protagonista é Marcus (Woody Harrelson), um técnico assistente de basquete que mistura talento com pavio curto e uma autoconfiança que deveria vir com etiqueta de risco. Depois de fazer besteira grande (daquelas que o tribunal não acha “engraçadinho”), ele precisa escolher: cadeia ou serviço comunitário.
E é aí que a vida dá aquele drible moral: Marcus recebe a tarefa de treinar The Friends, uma equipe de jogadores com deficiência intelectual, em um centro comunitário. Ele chega achando que é “castigo”, que vai ser “só cumprir horas” e voltar correndo pra carreira. Só que o filme faz o que todo bom esporte-drama sabe fazer: ele transforma treino em convivência, convivência em vínculo, e vínculo em mudança real.
No processo, Marcus aprende que “vencer” é menos sobre placar e mais sobre respeito, presença e responsabilidade — inclusive quando dá errado. Sim, é sentimental. Mas é o sentimental que vem de convivência, não de discurso.
🎯 Para quem é?
Campeões funciona muito bem para:
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quem curte “comédia com coração” no estilo Ted Lasso (otimismo e mudança) e Coach Carter (time como escola de vida), só que mais leve e com menos bronca de vestiário;
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quem gosta de filmes de esporte em que o jogo é só o palco e a história de verdade acontece na relação entre as pessoas;
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quem quer um filme que dá para assistir em família sem precisar negociar “cenas constrangedoras” ou violência pesada.
Agora, se você odeia narrativas de “redenção do cara difícil”, cuidado: o Marcus é feito para irritar no começo. Ele melhora, mas ele precisa merecer — e o filme faz questão de mostrar os tropeços.
E um ponto importante: o tom do longa pode parecer “fofinho” para alguns críticos — inclusive porque ele tenta ser edificante e às vezes bate nessa tecla com vontade. Essa é, literalmente, a principal crítica que aparece em agregadores.
🎬 Quem está no elenco?
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Woody Harrelson (Marcus): perfeito para o papel do cara que acha que sabe tudo e descobre que não sabe nem o básico sobre gente.
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Kaitlin Olson (Alex): a presença que equilibra o filme e impede que o protagonista vire o centro do universo o tempo todo.
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Ernie Hudson e Cheech Marin: aquele reforço carismático que dá textura e humor sem roubar o jogo.
E o grande trunfo: o time “The Friends”. O filme depende deles para funcionar — e, quando acerta, é porque eles têm timing, personalidade e presença de tela que não dá para “ensaiar” em laboratório.
Curiosidade de bastidor: Campeões (2023) é dirigido por Bobby Farrelly (sim, o Farrelly de comédia), e é remake em inglês do filme espanhol Campeones (2018).
🔍 Veredicto: Campeões é bom?
É um filme que joga com o público — e isso pode ser elogio ou crítica, depende do seu humor.
Se você entrar esperando realismo seco, vai achar “certinho demais”. Mas se você aceitar a proposta de comédia dramática inspiradora, ele entrega. O elenco tem química, o time é fácil de torcer, e Harrelson sabe fazer esse tipo de personagem: o cara que fala besteira com naturalidade e, aos poucos, aprende a ouvir.
A recepção resume bem: no Rotten Tomatoes, o consenso dos críticos diz que o filme é simpático, embora às vezes pareça meio “paternalista” em como tenta ser inspirador.
No Metacritic, a nota crítica fica na zona de “misto ou mediano” (50).
Só que tem um detalhe delicioso: o público costuma gostar mais do que a crítica — porque é exatamente o tipo de filme que funciona na base do afeto e do “quero sair daqui melhor do que entrei”. (E para uma tarde de segunda, isso vale ouro.)
Vale o play na sessão da tarde hoje? Vale. É um “feel-good” com basquete, mas sem tratar as pessoas como enfeite de mensagem.

