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Tarantino e sua lista do século 21: entre Jackass, Jesus espancado e Spielberg “melhor que Scorsese”

Quentin Tarantino resolveu fazer o que todo cinéfilo faz às 2h da manhã no Twitter, só que em escala mundial: montar sua lista de melhores filmes do século 21. A diferença é que, quando ele abre a boca, o caos vem com nota fiscal.

Em participação no podcast do Bret Easton Ellis, o diretor revelou o bloco de 11º a 20º lugar da sua lista, com uma regra simples:

  • só filmes de 2000 em diante,

  • apenas um por diretor.

Parece organizado, né? Até você olhar os títulos:

“Battle Royale”, “Big Bad Wolves”, “Jackass: The Movie”, “School of Rock”, “The Passion of the Christ”, “The Devil’s Rejects”, “Chocolate”, “Moneyball”, “Cabin Fever” e “West Side Story”.

É tipo um mix de sessão da tarde, maratona gore, filme bíblico sádico e drama de beisebol sobre planilha de Excel. Se você esperava uma lista “respeitável”, parabéns: você não conhece o Tarantino.


A lista 11–20 de Tarantino: o altar caótico do século 21

Vamos de item a item, porque isso aqui é praticamente um estudo de caso da mente de um homem que viu mais filme do que você viu boleto:

  • Battle Royale
    O proto-Jogos Vorazes violento, amoral e muito mais interessante que qualquer distopia YA. Óbvio que o Tarantino ama: é adolescente matando adolescente com estilo.

  • Big Bad Wolves
    Thriller israelense brutal, cheio de humor negro e vingança. A definição exata de “isso é tão errado que ficou perfeito” – ou, como Tarantino chama, terça-feira.

  • Jackass: The Movie
    Aqui ele admite: é o filme que mais fez ele rir em 20 anos. Gostou tanto que exibiu no set de Kill Bill pra equipe. Enquanto você monta tese sobre linguagem cinematográfica, Tarantino tá roçando joelho no chão de tanto rir de gente levando porrada no saco.

  • School of Rock
    Parte homenagem à amizade com Richard Linklater, parte total coerência: comédia de estúdio, centrada em performance, energia, timing e música. Cinema de ator, mas com Jack Black no modo “desligaram o controle parental”.

  • The Passion of the Christ
    Se você achou que ele escolheu por devoção religiosa, sinto informar: Tarantino vê o filme como endurance test de violência, tão exagerado que o faz “rir de nervoso”. Ou seja: Mel Gibson fez um filme pra converter fiéis, e o Tarantino assiste como se fosse um exploitation sagrado.

  • The Devil’s Rejects
    Horror sujo, pegajoso, de beira de estrada. Rob Zombie levando a estética grindhouse à beira do insuportável – que é mais ou menos o ponto exato em que Tarantino levanta e aplaude.

  • Chocolate
    Artes marciais tailandesas, acrobacias insanas, coreografias físicas que lembram uma época em que blockbuster ainda doía no corpo, não só no CGI. A cara dele.

  • Moneyball
    Aqui vem o “filme sério de adulto”: drama esportivo sobre estatística, fluxo de informação e moral de bastidor. Tarantino ama a arquitetura do roteiro e a atuação de Brad Pitt, que ele considera um dos trabalhos mais subestimados do ator.

  • Cabin Fever
    Early 2000s em forma de película: gore pegajoso, humor escroto, energia punk de filme de aluguel em locadora. Tarantino é amigo de Eli Roth? É. Mas o filme também é exatamente o tipo de terror trash que ele gosta de canonizar só pra irritar cinéfilo limpinho.

  • West Side Story (de Spielberg)
    E aí vem a facada final: Tarantino diz que é o filme mais empolgante do século até agora e sugere que nem o Scorsese conseguiu algo tão elétrico nesse período. Sim, ele aparentemente esqueceu que O Lobo de Wall Street existe. Ou pior: não esqueceu.


Não é uma lista “respeitável”. É um mapa do que excita Tarantino

Se você olhar essa lista esperando “a canonização oficial do século 21”, vai passar raiva. Mas se olhar como uma espécie de raio-X do fetiche cinéfilo de Tarantino, tudo faz sentido:

  • Ele gosta de violência em modo espetáculo,

  • humor baixo lado a lado com mise-en-scène sofisticada,

  • filmes que parecem sujos, errados, exagerados,

  • e uns dois ou três títulos “de prestígio” só pra lembrar que ele também lê roteiro, não só VHS de locadora.

Tem sadismo estilizado (Battle Royale, Devil’s Rejects),
tem comédia escrachada (Jackass, School of Rock),
tem horror nojento (Cabin Fever),
tem fúria bíblica masoquista (The Passion of the Christ),
e tem, claro, Spielberg sendo coroado o cara que ainda consegue fazer cinema de estúdio com adrenalina de moleque.

É menos “lista definitiva do século 21” e mais:

“Esses foram os filmes que deixaram Tarantino empolgado, rindo, chocado ou berrando ‘isso é cinema!’ sozinho na sala”.


E agora? Vem aí o top 10 do caos

O mais engraçado é que essa é só a metade de baixo da lista. A parte 1:

  • 11 a 20.
    Ainda falta o top 10 de Quentin Tarantino no século 21, que deve ser revelado na continuação do papo com Bret Easton Ellis.

Se no miolo da lista já temos Jesus sendo triturado, dublê se arrebentando em câmera lenta e Jack Black ensinando rock pra criança, dá pra esperar de tudo no topo: de action movie obscuro a algum drama que ele vai chamar de “perfeito” só pra irritar o fã-clube errado.

No fim, a lista diz mais sobre quem é Tarantino como espectador do que sobre o século 21 em si. E é aí que mora a graça: enquanto o mundo corre atrás de consenso, ele continua fiel ao personagem – o cara que coloca Jackass e West Side Story na mesma prateleira, olha pra câmera e basicamente diz:

“Respeitável? Não. Mas é exatamente isso que eu gosto. Aguenta ou pega outro diretor pra idolatrar.”