Será que vale a pena ver o filme da Tela Quente de hoje? Se você está esperando explosões, vilões caricatos ou trilha sonora empurrando emoção goela abaixo, não é aqui. Mas se você aceita sentar no sofá para ver um filme pequeno, sensível e honestamente brasileiro, Caju, Meu Amigo chega como um soco baixo — daqueles que doem porque são verdadeiros. A Globo exibe o telefilme nesta segunda-feira, 19, em uma Tela Quente especial, logo após Três Graças e em sincronia com o Cine BBB.
📽️ Sobre o que é Caju, Meu Amigo?
Ambientado no pós-enchente de 2024, em Porto Alegre, o filme acompanha Rafaela (Vitória Strada), uma jovem que, em meio ao caos provocado pela maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, adota um cachorro abandonado: o vira-lata Caju.
Um ano depois, quando a cidade tenta reconstruir o que sobrou — física e emocionalmente —, Rafaela descobre, por meio de uma reportagem, que o cão pode não ser exatamente seu. Nice (Liane Venturella), última moradora de um abrigo prestes a fechar, afirma ter perdido tudo: a mãe, a casa e o cachorro Pingo, idêntico a Caju.
O que poderia virar um conflito banal toma outro rumo quando o cão foge. A busca pelo animal transforma-se em uma jornada de reconexão humana, em que duas mulheres de mundos diferentes se aproximam por aquilo que a enchente não conseguiu levar: o afeto.
🎯 Para quem é?
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Para quem acredita que cinema também é memória, não só entretenimento.
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Para quem quer ver uma história sobre tragédia sem exploração sensacionalista.
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Para quem entende que às vezes um cachorro em cena diz mais do que qualquer discurso inflamado.
Se você foge de filmes emocionais ambientados em eventos reais recentes, prepare o coração — aqui não tem anestesia.
🎬 Quem está no elenco?
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Vitória Strada, conhecida do grande público por novelas e pelo BBB 25, entrega uma atuação contida, madura, longe do melodrama fácil.
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Liane Venturella compõe Nice com dignidade silenciosa, representando quem ficou invisível depois que as câmeras foram embora.
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O verdadeiro ladrão de cenas atende pelo nome artístico Caju/Pingo, mas na vida real se chama Tofu — escolhido entre vários cães pela facilidade de socialização e, sim, pela habilidade de uivar sob comando.
Toda a produção é gaúcha, da equipe técnica às locações, passando pela Orla do Guaíba, Centro Histórico, bairro Sarandi e ilhas de Porto Alegre. Isso não é detalhe: é posicionamento.
🔍 O que é o projeto Telefilmes Regionais?
Caju, Meu Amigo integra o projeto Telefilmes Regionais, uma iniciativa da Globo para exibir obras de ficção com até 50 minutos, produzidas em diferentes regiões do país: Bahia, Espírito Santo, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Distrito Federal.
A proposta é simples e poderosa: contar histórias locais com alcance nacional, sem pasteurizar sotaques, dores ou contextos. Não por acaso, os filmes também entram na programação do Big Brother Brasil, criando um contraste curioso — e necessário — entre o espetáculo e a realidade.
🔍 Veredicto: Caju, Meu Amigo é bom?
É delicado, respeitoso e necessário. Não tenta resumir a tragédia das enchentes de 2024 — que deixou mais de 440 mil desabrigados, 184 mortos e 25 desaparecidos —, mas encontra uma fresta de humanidade no meio do entulho.
O filme entende que grandes desastres não terminam quando a água baixa. Eles continuam nos silêncios, nos abrigos vazios, nas relações interrompidas. E escolhe contar isso a partir de algo simples: um cachorro que conectou pessoas quando tudo mais desabou.
Assistir a Caju, Meu Amigo é aceitar um ritmo mais lento, uma emoção menos barulhenta e um cinema que confia no espectador.
Vale o play? Vale — especialmente se você ainda acredita que a televisão aberta pode ser espaço para histórias pequenas, humanas e profundamente brasileiras.

