Clube do Filme Vice is Broke

Clube do Filme CdB #220 | VICE IS BROKE: quando o hype morre e a conta chega

“Coolness não é um recurso renovável.” A frase, dita logo no começo de Vice Is Broke (2025), resume com precisão a ascensão meteórica e a queda desastrosa de um dos impérios midiáticos mais badalados do milênio.

O documentário, dirigido e conduzido pelo chef e apresentador Eddie Huang (ele mesmo uma cara do estilo Vice: rápido, debochado e sem filtro), disseca a trajetória da marca que começou como revista punk em Montreal e virou império digital avaliado em quase US$ 6 bilhões em 2017. Só que o hype tem prazo de validade: em 2023, a empresa pediu falência.

O início é sedutor, cheio de histórias de bastidores da Vice dos anos 2000: Brooklyn antes da gentrificação, redações cheirando a cigarro mergulhado em formol, matérias que soavam como um soco cultural — tipo quando eles levaram Dennis Rodman para conhecer Kim Jong-un na Coreia do Norte. O filme também mostra como o jornalismo cru e de rua da Vice conquistou jovens que não liam jornal nem assistiam TV.

Mas a glória rapidamente se converte em hubris épica. Huang relembra, rindo, a vez em que o cofundador Shane Smith disse estar negociando com Elon Musk para comprar a BBC. Huang respondeu: “Mas você não precisa comprar a Inglaterra primeiro?” (piada que vale mais que qualquer plano de negócios).

O documentário não foge das ironias: Vice, que já foi sinônimo de rebeldia, termina vendendo publieditoriais pagos pela Arábia Saudita — o auge do “uncool”. E ainda há a presença incômoda de Gavin McInnes, cofundador expulso que mais tarde ajudaria a fundar os extremistas Proud Boys.

Curiosamente, o filme deixa de fora a famosa investigação do New York Times sobre a cultura tóxica de “boys’ club” dentro da Vice. Talvez para evitar lavar roupa suja demais? Talvez porque todo mundo que passou por lá ainda olha para a marca como um ex-amor tóxico: do tipo que te ferrou, mas te deu histórias para a vida inteira.

No fim, Vice Is Broke funciona como espelho geracional: para quem viveu a era Vice, é nostalgia; para quem chegou depois, é alerta de que até o hype mais sedutor pode apodrecer.

A pergunta que não quer calar:
A Vice morreu vítima de sua própria arrogância… ou foi só mais uma empresa que acreditou ser maior do que o próprio tempo?

Clube do Filme CdB | O espaço para falar (e surtar) sobre cinema

Toda segunda-feira, às 20h, o Cinema de Buteco abre as portas virtuais para o Clube do Filme CdB — uma live dedicada a discutir o filme da semana com análises afiadas, provocações divertidas e, claro, muita interação com o público.

O Clube do Filme CdB nasceu da vontade de transformar a paixão por cinema em uma conversa aberta, quase como aquela mesa de bar depois da sessão em que todo mundo acha que entendeu melhor o filme que o outro.

A cada semana, um filme diferente.
️ Sempre com a apresentação de Tullio Dias.
Sempre no YouTube do Cinema de Buteco.
Sempre às segundas, 20h.

Então já sabe: prepare a pipoca, a bebida (com ou sem álcool) e venha bater papo com a gente. O filme a gente não passa, mas a resenha é garantida.

Pega a pipoca, aperta o play e vem pro Clube do Filme!

E se você já assistiu ao filme, comenta aqui no post:
Qual foi sua reação ao ver Aronofsky fazendo piada com assassinos judeus e trilha da Madonna?
Ou melhor: você achou que ia gostar tanto de ver o diretor de “mãe!” fazendo comédia policial?