filmes para empreendedores que estão abrindo o primeiro negócio

5 filmes para empreendedores que estão abrindo o primeiro negócio

Abrir o primeiro negócio tem um ritual universal: você passa seis meses planejando, abre o CNPJ cheio de certeza, e no terceiro mês descobre que o plano era ficção científica.

Não é pessimismo. É o que acontece. Com todo mundo. Sempre.

O problema não é que você planejou errado. É que nenhum curso, mentor ou podcast consegue simular o que é tomar uma decisão com dinheiro real, cliente real e consequência real do outro lado. Só a experiência faz isso — ou uma boa história contada com honestidade brutal.

É exatamente o que esses cinco filmes entregam. Nenhum deles vai te motivar com frase de calendário. Todos vão te preparar para o que vem pela frente.


1. Joy (2015) — o mercado não vai te descobrir. Você vai ter que aparecer.

Onde assistir: Disney+

Joy Mangano inventou um esfregão melhor. Um produto genuinamente superior ao que existia no mercado. E quase faliu antes de vender uma unidade.

O filme com Jennifer Lawrence mostra com precisão cirúrgica o erro que todo primeiro empreendedor comete: achar que bom produto vende sozinho. Não vende. Joy precisou aparecer ao vivo na televisão, defender o produto na frente de câmera, superar o medo e vender com a própria voz — só então o negócio decolou.

O que isso tem a ver com você: não importa o quanto seu produto ou serviço é bom. Se você não souber comunicar o valor dele, não souber aparecer, não souber vender — alguém com produto pior e mais coragem vai ganhar o seu cliente.

A cena que você vai pausar: Joy ao vivo no QVC, vendendo pela primeira vez. Presta atenção no que muda quando ela para de seguir o script e começa a falar do próprio jeito.

 


poster a procura da felicidade

2. À Procura da Felicidade (2006) — persistência não é romantismo, é estratégia

Onde assistir: HBO MAX

Chris Gardner era vendedor de equipamentos médicos que ninguém queria comprar. Estava sem dinheiro, sem casa, dormindo em abrigo com o filho. E continuou se movendo.

O filme não é motivacional no sentido raso da palavra. É um documento sobre o que separa quem desiste de quem não desiste — e a resposta não é força de vontade. É clareza de destino. Gardner sabia exatamente para onde estava indo. Cada humilhação, cada porta fechada, cada noite no banheiro da estação de metrô era um passo calculado em direção a algo concreto.

O que isso tem a ver com você: no primeiro ano de negócio, você vai querer desistir pelo menos três vezes. A pergunta não é se isso vai acontecer. É se você tem clareza suficiente do que está construindo para continuar quando acontecer.

A cena que você vai pausar: quando ele explica para o filho o que é felicidade, na quadra de basquete. Curta, direta, e mais sobre negócio do que parece.


3. O Auto da Compadecida (2000) — sem capital, venda história

Onde assistir: Globoplay

João Grilo não tinha dinheiro, poder, influência ou produto. Tinha uma habilidade: criar narrativas convincentes na hora certa, para a pessoa certa, com o argumento certo.

No primeiro negócio, você raramente vai ter o preço mais baixo, o produto mais bonito ou a marca mais conhecida. Vai ter a sua história — e a sua capacidade de contar ela de um jeito que faça o cliente escolher você mesmo sem precisar escolher você.

João Grilo é o arquétipo do empreendedor de alta adaptabilidade. Não tem recurso, tem jogo. E jogo se aprende observando quem joga bem.

O que isso tem a ver com você: o seu pitch de vendas, a sua bio no Instagram, o seu primeiro e-mail para um cliente — tudo isso é narrativa. Quem aprende a construir história antes de ter produto aprende a vender antes de ter concorrente.

A cena que você vai pausar: João Grilo convencendo o padre a benzer o cachorro. Estude cada argumento que ele usa e em que ordem.


melhores filmes dos anos 2010

4. Corra! (2017) — nicho ignorado é oportunidade, não problema

Onde assistir: MUBI, Netflix, Globoplay e Prime Video

Jordan Peele queria fazer um filme de terror com protagonista negro e tema racial. Todo estúdio disse não. Com 4,5 milhões de dólares — valor irrisório para Hollywood — fez 255 milhões nas bilheterias mundiais.

O mercado disse que aquele nicho não existia. O mercado estava errado.

Corra! não é só um filme de terror excelente. É o case mais limpo do cinema recente sobre o que acontece quando você serve um público que o mercado decidiu ignorar. Peele não tentou fazer um filme para todo mundo. Fez um filme muito específico para um público muito específico — e esse público lotou o cinema e ainda trouxe todo mundo junto.

O que isso tem a ver com você: o primeiro negócio que tenta servir todo mundo não serve ninguém bem. Quanto mais específico o público que você escolhe atender, mais fácil é criar produto, comunicação e experiência que realmente funciona.

A cena que você vai pausar: não tem uma cena específica — assiste sabendo que aquele roteiro foi recusado por todo mundo antes de ser aprovado. Deixa isso na cabeça enquanto você assiste.


5. Ratatouille (2007) — você não precisa ser o melhor. Precisa montar o sistema certo.

Onde assistir: Disney+

Todo mundo lembra de Remy como o rato genial que queria cozinhar. Mas o verdadeiro protagonista de negócio no filme é Linguini — o ajudante incompetente que aprendeu a liderar um talento que ele mesmo não tinha.

No primeiro negócio, você vai descobrir cedo que não consegue ser bom em tudo. Vai ser forte em uma ou duas coisas e fraco no resto. O erro é fingir que não — e gastar energia tentando ser o que não é. A virada é entender o que você faz bem, construir em cima disso, e montar ao redor as peças que complementam o que falta.

Linguini não virou um chef melhor. Virou um líder melhor. E isso foi suficiente para o restaurante ganhar cinco estrelas.

O que isso tem a ver com você: mapeia cedo o que você faz bem e o que drena sua energia. O segundo tipo de tarefa é o que vai te afundar se você não resolver — por processo, por parceria ou por contratação.

A cena que você vai pausar: a crítica do Anton Ego no final. Não pelo que ele diz sobre o prato — pelo que ele diz sobre crítica e sobre coragem de criar algo novo.


Cinco filmes, cinco problemas reais do primeiro negócio

Joy resolve o problema de quem tem produto mas não sabe aparecer. À Procura da Felicidade resolve o problema de quem está considerando desistir. O Auto da Compadecida resolve o problema de quem não tem recurso mas precisa vender. Corra! resolve o problema de quem acha que seu nicho é pequeno demais. Ratatouille resolve o problema de quem quer fazer tudo sozinho.

Você não precisa assistir os cinco de uma vez. Assiste o que resolve o problema que você está vivendo agora. Depois volta para o próximo.

Cinema não substitui experiência. Mas adianta o aprendizado — e no primeiro negócio, chegar mais preparado em cada fase pode ser a diferença entre fechar e continuar.

Esses cinco filmes são o começo.

O método F.I.L.M.E. analisou 42 — cada um conectado a um problema real de negócio, com lição prática e um exercício aplicável em até sete dias.

De Ghostbusters a Breaking Bad. De Rocky a A Grande Aposta. De Cidade de Deus a Ford vs Ferrari.

Se você chegou até aqui reconhecendo mais de um problema desta lista, o próximo passo não é mais um podcast. É o livro Cinema para Empreendedores — onde cada sessão na sala escura vira uma decisão melhor na segunda de manhã.

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