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Análise dos Indicados Oscar 2026: um ano de forças opostas — e um favorito que finalmente foi desafiado

Se havia uma narrativa clara até ontem, ela era simples: “Uma Batalha Após a Outra” era o filme a ser batido. As indicações ao Oscar 2026 confirmam isso — mas não sem criar, pela primeira vez na temporada, uma ameaça real.

O que aconteceu nesta manhã foi menos uma lista de surpresas e mais um reposicionamento de poder.

1. ‘Pecadores’ não só lidera — ele muda o jogo

Com 16 indicações, Pecadores não apenas bate o recorde histórico da Academia como expõe a fragilidade da leitura automática de “favorito”.

Sim, ter o maior número de indicações não garante Melhor Filme (a história recente prova isso). Mas há um detalhe crucial aqui:
Pecadores não falhou em nenhuma categoria em que era competitivo.

Enquanto seus rivais tropeçaram — ausência aqui, omissão ali, uma atuação importante esquecida — Pecadores apareceu em absolutamente tudo. Isso não é apenas força: é consenso interno.

E consenso, na votação preferencial, é ouro.

Além disso, o filme:

  • Não carrega o peso de uma adaptação “difícil”

  • Dialoga com questões raciais sem confronto direto com o eleitor médio

  • Tem um pacote técnico completo

  • Pode ganhar Casting, um prêmio novo que tende a virar termômetro emocional

👉 Resultado: Pecadores não virou favorito automático, mas transformou a corrida em uma disputa real.


2. Warner Bros. vive um paradoxo histórico

É raro — raríssimo — dois favoritos claros ao Oscar virem do mesmo estúdio. A última vez que isso aconteceu foi nos anos 1970.

Hoje, a Warner Bros. tem:

  • Pecadores (16 indicações)

  • Uma Batalha Após a Outra (13 indicações)

E o detalhe irônico: o estúdio está em processo de venda.

A campanha, até agora, tem sido equilibrada. Oficialmente, ninguém escolhe lado. Extraoficialmente?
Agentes, produtores e talentos já estão jogando xadrez em silêncio.

O risco aqui é simples: dividir votos. E divisão é exatamente o tipo de brecha que permite um terceiro filme — como Marty Supreme — crescer como “opção segura”.


3. O Oscar é oficialmente internacional (e irreversível)

Este não é mais um Oscar “aberto ao mundo”.
É um Oscar definido pelo mundo.

  • 22 indicações para filmes majoritariamente não falados em inglês

  • Presença de filmes internacionais em todas as categorias

  • 20% das indicações de atuação vindas de performances em outros idiomas

  • Dois filmes estrangeiros em Melhor Filme (de novo)

Isso não é exceção. É o novo normal.

E aqui está o ponto-chave:
👉 Os sindicatos americanos não representam mais o gosto da Academia.

SAG, DGA, PGA e até BAFTA falham cada vez mais como oráculos.
O corpo votante mudou — é mais jovem, mais global, menos preso à lógica de Hollywood.


4. O “efeito coattail” nunca foi tão forte

Outra consequência direta dessa mudança:
ninguém mais vota isoladamente.

A maioria dos indicados em atuação, roteiro e categorias técnicas vem de filmes de Melhor Filme. Isso acontece porque:

  • Muitos votantes não assistem a tudo

  • Escolhem dentro do “pacote seguro”

  • Confiam no filme, não só na performance

Por isso:

  • Amy Madigan é exceção — e luta contra a matemática

  • Ethan Hawke é respeitado, mas corre por fora

  • Wagner Moura cresce justamente por estar dentro de um filme forte

👉 Estar fora da corrida de Melhor Filme hoje é quase uma sentença.


5. O Oscar cansou de continuações

Não é um ataque a blockbusters.
É um cansaço com franquias recicladas.

  • Wicked: Parte 2 foi completamente ignorado

  • Avatar: Fire and Ash ficou restrito ao técnico

  • Nenhum carinho especial, nenhuma “homenagem tardia”

O recado é claro:
👉 Se parece caça-níquel, não passa.

Isso acende um alerta vermelho para projetos como Duna: Parte Três.


6. Quem realmente pode vencer?

Hoje, a corrida está assim:

Melhor Filme

  • 🥇 Uma Batalha Após a Outra (ainda favorito)

  • 🥈 Pecadores (ameaça real)

  • 🥉 Marty Supreme (spoiler possível)

  • 🟡 Hamnet e Sentimental Value (dependem do voto preferencial)

Melhor Diretor

  • Paul Thomas Anderson vs. Ryan Coogler
    Aqui pode nascer um momento histórico.

Melhor Ator

  • Timothée Chalamet é o nome a ser batido

  • DiCaprio é o “veterano perigoso”

  • Michael B. Jordan cresce com o filme

  • Wagner Moura tem o voto internacional

  • Ethan Hawke é o azarão elegante

Atriz

  • Jessie Buckley está praticamente imbatível


Conclusão: o Oscar 2026 não é caótico — é revelador

Este não é um ano de surpresas.
É um ano em que tudo faz sentido, desde que você aceite uma verdade simples:

O Oscar não é mais americano, não é mais previsível e não é mais indulgente.

Ele é global, estratégico e cada vez menos sentimental.

E pela primeira vez na temporada, Uma Batalha Após a Outra olha para o lado — e vê alguém correndo junto.

Até março, essa corrida só vai ficar mais suja.