Hollywood Perdeu o Tesão

Hollywood Perdeu o Tesão: Cadê os Filmes Eróticos?

Lembra quando Sharon Stone cruzou as pernas em Instinto Selvagem e o mundo PAROU? Quando 9 1/2 Semanas de Amor causava mais alvoroço que qualquer blockbuster da Marvel? Pois é. Aqueles tempos acabaram. Hollywood hoje tem mais medo de uma cena de sexo bem-feita do que de explodir meio universo com CGI barato.

E não, não é só impressão sua. Os filmes eróticos de verdade sumiram das telonas. O que sobrou foi uma Netflix entupida de “thrillers eróticos” poloneses constrangedores (oi, 365 Dias) e streamings apostando em “conteúdo adulto” que é só violência gráfica mascarada de ousadia.

Mas o que diabos aconteceu entre os anos 90 e hoje? Por que Hollywood, que um dia bancou De Olhos Bem Fechados de Kubrick e Showgirls de Verhoeven (sim, aquele desastre glorioso), virou refém de algoritmos corporativos e conselhos consultivos que tremem diante de um mamilo?

Bora destrinchar essa neurose coletiva.


A Era de Ouro Que Ninguém Admite Que Existiu

Nos anos 80 e 90, fazer filme erótico era mainstream. Não estamos falando de pornô disfarçado — estamos falando de cinema adulto, bem fotografado, com roteiro de gente adulta, para público adulto.

  • Atração Fatal (1987) faturou US$ 320 milhões globalmente
  • Instinto Selvagem (1992) virou fenômeno cultural
  • 9 1/2 Semanas transformou Mickey Rourke e Kim Basinger em ícones sexuais instantâneos
  • Showgirls (1995) foi um fracasso comercial… mas virou cult na velocidade da luz

Eram filmes lançados em cinema, com campanha de marketing pesada, com estrelas de Hollywood bancando cenas explícitas. Michael Douglas fez carreira praticamente SÓ nisso. Sharon Stone também.

Hoje? Boa sorte tentando convencer qualquer A-lister a fazer UMA cena minimamente ousada sem cinco reuniões com advogados.

Atração Fatal


O Que Matou o Cinema Erótico? Spoiler: Foi o Capitalismo

1. O Algoritmo Manda Mais Que o Diretor

Streamings mataram o cinema de risco. Simples assim.

Netflix, Prime, Max — todas funcionam com dados, métricas, testes A/B. E sabe o que esses algoritmos dizem? Que conteúdo familiar vende mais. Que violência passa, sexo não. Que qualquer cena de nudez vai gerar manchete negativa, mas explodir cabeças em 4K HDR é “entretenimento”.

O resultado? Franquias genéricas, Marvel ad nauseam, reboots seguros. Nada que faça o espectador se sentir desconfortável — e cinema erótico, por definição, INCOMODA.

2. A Cultura do Cancelamento (Que Ninguém Quer Admitir)

Olha, eu sei que você tá cansado de ouvir sobre “cancelamento”. Mas é real.

Hoje, qualquer cena de sexo explícita vira debate nas redes sociais:

  • “Foi consentido nos bastidores?”
  • “A atriz foi coagida?”
  • “Isso é exploração disfarçada de arte?”

E olha, essas perguntas SÃO legítimas — o cinema já explorou atrizes demais (vide Maria Schneider em Último Tango em Paris, uma das maiores vergonhas da história do cinema).

Mas o problema é que Hollywood preferiu EVITAR o debate do que MELHORAR as condições de trabalho. Resultado? Intimidade coordenada genérica, cenas de sexo filmadas como comercial de margarina, zero tensão sexual.

3. A Hipocrisia da Violência vs. Sexo

Você pode mostrar alguém sendo decapitado, esquartejado, queimado vivo em horário nobre, sem idade mínima, com patrocínio de fast-food.

Mas mostre dois adultos transando com carinho e a classificação sobe pra 18 anos, anunciantes fogem, pais entram em pânico.

É a velha hipocrisia puritana americana: violência é entretenimento, sexo é pecado. E Hollywood, que já foi transgressora, hoje é mais conservadora que uma reunião de condomínio.


O Que Sobrou? Trash Europeu e Softcore Disfarçado

Com Hollywood fora do jogo, quem ocupou o espaço? Europa com orçamento de clipe e produções genéricas de streaming.

Netflix e o Fenômeno “365 Dias”

365 Dias foi um sucesso GIGANTE. E é uma VERGONHA.

Não porque tenha sexo — mas porque é pornô polonês mal-disfarçado de romance, com atuação de atores pornô, roteiro inexistente, e uma romantização de sequestro que faria Crepúsculo parecer Jane Austen.

Mas faturou MILHÕES. Porque? Porque não existe concorrência. Quando você tem uma geração inteira sedenta por conteúdo erótico adulto e tudo o que Hollywood oferece é Homem-Aranha namorando castamente, qualquer porcaria vira hit.

O Estranho Caso de “Blonde” (2022)

Aí você fala: “Mas e Blonde, da Netflix, com Ana de Armas? Aquilo não foi ousado?”

Foi. E foi crucificado. Chamado de exploração, de voyeurismo, de misoginia disfarçada. E olha, parte da crítica é justa — Andrew Dominik realmente exagerou na mão.

Mas o ponto é: Hollywood só “ousa” quando é pra fazer filme de trauma. Sexo como PRAZER, como DESEJO, como TENSÃO NARRATIVA? Isso sumiu.


A Diferença Entre as Eras (E Por Que Isso Importa)

Leia também: Diferença Entre Filme Erótico e Pornô — O Guia Definitivo

Nos anos 90, sexo era PARTE da história. Hoje, é obstáculo.

  • Antes: Michael Douglas e Sharon Stone em Instinto Selvagem = tensão sexual que MOVE a trama
  • Hoje: Qualquer cena íntima em blockbuster é editada até virar beijo de novela das seis

E não é só sobre “mostrar mais pele”. É sobre tratamento adulto de temas adultos. É sobre CONFIAR no espectador. É sobre não ter medo de SER CINEMA.


Tem Esperança? (Spoiler: Pouca)

Olha, enquanto algoritmos ditarem o que se produz, enquanto marketing tiver mais poder que roteiristas, enquanto estúdios preferirem o seguro ao ousado… não, não tem muita esperança.

O cinema erótico migrou pra Europa (França ainda faz, Espanha tenta), pra A24 (que pelo menos TENTA ser adulta), e pra produtoras independentes que ninguém assiste.

Hollywood? Hollywood tá ocupada fazendo o 15º reboot do Homem-Aranha e o 8º filme da franquia Velozes e Furiosos.

Sexo dá trabalho. Violência CGI é mais barato.


Conclusão: RIP Cinema Erótico Americano (1980-2005)

Hollywood não perdeu o tesão. Hollywood perdeu a CORAGEM.

Perdeu a coragem de confiar no público adulto, de bancar diretores com visão, de tratar sexo como parte da experiência humana e não como problema de RH.

O que sobrou foi um deserto de franquias infantilizadas, streamings genéricos e, vez ou outra, um Blonde que tenta ser ousado mas acaba sendo só trauma porn.

Quer sexo no cinema hoje? Assista europeu. Ou revisite os clássicos. Porque Hollywood, meu amigo, brocha de medo de hashtag.