Se você achava que Ralph Fiennes era um ator contido e puramente clássico, a sequência do “Templo dos Ossos” em “Extermínio: Templo dos Ossos“ veio para explodir essa percepção. Para interpretar o Dr. Kelson em um momento de quase possessão ao som de The Number of the Beast, do Iron Maiden, Fiennes passou por uma preparação que misturou antropologia, dança experimental e um vigor físico de causar inveja.
A diretora Nia DaCosta queria que a cena fosse o “Lip Sync for Your Life” definitivo. Para isso, Fiennes não aceitou atalhos.
Haka e Butoh: A Mistura Explosiva
Para criar a movimentação perturbadora do Dr. Kelson, a coreógrafa Shelley Maxwell trouxe referências inusitadas. A preparação de Fiennes envolveu o estudo do Butoh, uma forma de teatro/dança japonesa contemporânea que foca no grotesco, no expressivo e em movimentos que parecem vir de “dentro para fora” do corpo.
Além disso, para trazer a agressividade necessária para intimidar o culto de Sir Lord Jimmy Crystal, Fiennes incorporou elementos da Haka, a dança de guerra Maori. O resultado foi uma performance que Maxwell descreveu como “feroz e desafiadora”, onde Fiennes usou cada articulação — do topo da cabeça à ponta dos pés — para transmitir uma ameaça sobrenatural.
Fogo, Skulls e a Recusa de Dublês
A preparação não foi apenas artística, mas também perigosa. A cena envolve um anel de fogo real e o manuseio de tochas.
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O Mestre do Fogo: Fiennes treinou com o artista pirotécnico Nicola Giacona para aprender a girar e arremessar tochas com precisão cirúrgica. Segundo a diretora, ele raramente errava o alvo para acender o círculo de chamas ao seu redor.
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Escalando o Templo: Ralph Fiennes insistiu em escalar pessoalmente a torre de crânios (o Templo dos Ossos). Mesmo com a equipe de segurança preocupada, o ator de 63 anos se recusou a usar cabos de segurança em partes da subida, querendo sentir a instabilidade da estrutura para que sua reação fosse real.
Cantando com a Alma (e os Pulmões)
Diferente de muitos atores que apenas movem os lábios, Nia DaCosta revelou que Fiennes estava, de fato, berrando a letra de Iron Maiden durante cada take. A energia era tão contagiante que a produção decidiu incorporar os vocais reais do ator na mixagem final do som, garantindo que a exaustão e o fervor da voz de Fiennes transparecessem na tela.
“Ele estava 150% dentro do projeto”, afirmou Maxwell. A preparação rigorosa transformou o que poderia ser uma cena brega em um momento místico e aterrorizante que já nasceu clássico.

