Final explicado sicario 2

Final explicado Sicario 2: quando o governo vira o cartel com crachá

Se o Sicario (2015) te deixou desconfortável, Sicario 2: Dia do Soldado faz questão de piorar: ele tira a “âncora moral” (Kate/Emily Blunt) e te larga sozinho com dois profissionais do cinismo — Matt Graver (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio del Toro). O resultado é um filme que termina do jeito mais Sicario possível: ninguém é inocente, ninguém sai limpo, e o sistema sempre tenta apagar as próprias pegadas.

Sobre o que é Sicario 2 (em uma frase bem honesta)

Após um ataque doméstico, os EUA rotulam cartéis como “terrorismo” e autorizam uma operação suja: sequestrar Isabela Reyes (filha de um chefão) pra provocar guerra entre facções — só que o plano explode, e a missão vira “queima de arquivo”.

O que realmente acontece no final?

O final tem três movimentos grandes — e cada um desmonta a ideia de “controle”:

1) Matt recebe a ordem mais podre: “limpa tudo”

Quando a operação dá errado e vira risco político, vem o clássico “ninguém sabe de nada” do alto escalão. O que isso significa no mundo de Sicario?
Significa: elimina testemunhas, elimina rastro, elimina até aliados.

Alejandro ativa um rastreador esperando resgate — mas, na prática, isso põe ele e Isabela no radar de quem foi enviado pra encerrar a história.

2) Alejandro “morre”… mas não morre

Essa é a virada que pega muita gente: Alejandro é atacado no deserto e leva um tiro que parece fatal — e o filme te deixa acreditar que acabou ali.

Só que ele sobrevive. A leitura mais aceita (e a mais coerente com o tom) é que o jovem Miguel, envolvido com tráfico/sumidouro de gente, não finaliza Alejandro — e esse “quase” vira uma dívida narrativa enorme.

O ponto não é “realismo médico”. É simbólico: Alejandro vira fantasma. Oficialmente morto. Fora do controle. Sem coleira.

3) Matt poupa Isabela — e isso é estranho (de propósito)

Matt sempre foi o cara do “necessário”. Ele fala coisas no começo do filme que deixam claro: a moralidade é só decoração. Então por que ele poupa Isabela?

Porque o final quer mostrar um detalhe incômodo: até um operador frio pode ter um limite quando a sujeira vira pessoal.

  • Matt não queria matar Alejandro (o parceiro, o instrumento que ele mesmo acionou).

  • Quando Alejandro “morre” por tabela, bate uma culpa/choque.

  • E aí, na hora de “cumprir a ordem” com Isabela, ele falha — e escolhe tirar ela dali em vez de apagar.

Só que o filme não romantiza isso: Isabela não vira “salva”. Ela vira peça transferida: de filha de cartel para “ativo” sob proteção/controle do Estado. Mudou o dono, não mudou o tabuleiro.

A cena final (1 ano depois): o que Alejandro quer com Miguel?

A última cena é curta e venenosa.

Um ano depois, Miguel aparece “promovido” no visual e na postura: mais encaixado no papel de criminoso profissional. E aí Alejandro surge, vivo, com a calma de quem já viu o inferno e achou tediante.

Ele não chega cobrando vingança. Ele chega com uma frase que é praticamente uma sentença:

“Você quer ser um sicario?”

E fecha a porta.

Essa porta fechando é o filme dizendo: o ciclo continua. A violência institucional cria novos monstros, e os monstros treinam aprendizes. O “mal” aqui não é uma pessoa: é uma cadeia de produção.

O que isso arma para Sicario 3 (se acontecer)?

O final deixa três vetores prontos pra colidir:

  1. Alejandro livre e fora do radar, possivelmente com um aprendiz (Miguel).

  2. Matt rachado por dentro, depois de poupar Isabela e ver o Estado tentar enterrar tudo.

  3. Um gancho que muita gente espera: a volta da Kate (Emily Blunt) pra ser o contraponto moral — não como “heroína”, mas como alguém que ainda se incomoda.

Se Sicario 3 existir, a promessa implícita é: três métodos de guerra

  • o idealismo ferido da Kate,

  • o pragmatismo cínico do Matt,

  • e o “sem regras” do Alejandro.

E isso é o terror de verdade: nenhum deles vence sem virar um pouco o que odeia.

O significado do final (o tema escondido na ação)

O final de Sicario 2 não é sobre “quem sobreviveu”. É sobre isso aqui:

  • O governo trata pessoas como descartáveis quando a política aperta.

  • A guerra às drogas não “resolve” — redistribui poder e produz continuidade.

  • E quando você tenta apagar as consequências… você só garante uma sequência.