Por Daniel Herculano, votante internacional do Globo de Ouro, membro da Fipresci e Abraccine
Gabriela Amaral Almeida consolidou-se como uma das vozes mais potentes do cinema brasileiro contemporâneo ao explorar o suspense com uma assinatura própria: atmosférica, visceral e profundamente psicológica.
Sua estreia com “O Animal Cordial” (2017) foi um choque estético e narrativo, transformando um restaurante em palco de tensão claustrofóbica e violência latente. Já em “A Sombra do Pai” (2018), a cineasta mergulhou em um drama sombrio, onde o terror se infiltra nas relações familiares, reafirmando sua habilidade em usar o gênero para discutir medos íntimos e coletivos. Ambos os filmes foram celebrados pela crítica justamente por essa capacidade de unir o horror ao comentário social, sem perder a sofisticação formal.
Agora, Gabriela Amaral Almeida surpreende no seu novo projeto, da escolha ao resultado final: um remake nacional de “O Quarto do Pânico” (2002), thriller americano de sucesso dirigido por David Fincher. A escolha é ousada, pois envolve reinterpretar um bem sucedido suspense hollywoodiano dentro da realidade brasileira, o que abre espaço para novas camadas de tensão social e política.
Sua versão não se limita a replicar a trama original, mas pulsa com intensidade própria, envolvente e capaz de fazer o público trincar os dentes diante da concepção de suspense que ela domina com maestria. Se em seus trabalhos anteriores já demonstrava talento para transformar espaços cotidianos em ambientes de terror psicológico, aqui ela reafirma sua força criativa ao oferecer uma releitura original, marcada por estética inquietante e pela habilidade de traduzir o medo em metáfora cultural.
O resultado é uma obra consistente, provando que tanto é possível dialogar com o cinema internacional de Hollywood, e também reafirma a potência do gênero no Brasil.
Disponível na programação e no streaming do Telecine.

