O que lembrar de Stranger Things antes da 5ª temporada
Faz mais de três anos que a 4ª temporada de Stranger Things acabou. Desde então, você trocou de emprego, terminou relacionamento, voltou com ex, abriu MEI e, honestamente, só lembra de duas coisas: Kate Bush e um bowl cut emocional chamado Will Byers.
Agora a Netflix resolveu acabar com a farra: a 5ª e última temporada chega em três partes – quatro episódios em 26 de novembro, três em 25 de dezembro e o episódio final no dia 31 de dezembro, sempre às 22h no Brasil.
Quer entrar na reta final sem ter que rever 34 episódios gigantes? Respira. Aqui vai o resumão canalha: tudo que você precisa lembrar de Stranger Things antes da estreia – sem precisar perder mais um feriado com recap de 1h do YouTube.
Hawkins: a cidade que merecia ser evacuada em 1983
A série começa e termina no mesmo inferno geográfico: Hawkins, Indiana, o típico interiorzão reaganiano, cheio de família classe média, time de basquete e um laboratório do Departamento de Energia fazendo experimento dimensional no quintal.
Linha do tempo básica:
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1ª temporada: 1983
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5ª temporada: 1987
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No meio disso:
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shopping Starcourt chega e é destruído,
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metade da cidade morre ou some em circunstâncias “estranhas”,
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e no fim da 4ª temporada, Hawkins leva um “terremoto” nível 7 e pouco na escala Richter, que na verdade é o Mundo Invertido rasgando o chão.
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A maioria dos moradores compra a versão oficial (“foi só um tremor, acontece”) e segue a vida. Quem sabe a verdade? A turminha que você vai reencontrar agora, exausta, traumatizada e provavelmente sem terapia suficiente.
O Mundo Invertido: o condomínio de pesadelo
O Upside Down é o grande vilão imobiliário da série: uma cópia distorcida e apodrecida de Hawkins, com as mesmas ruas, casas e pontos de referência, só que versão inferno com teia orgânica, neblina tóxica e monstros artrópodes.
Pontos-chave pra lembrar:
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Ele é acessado por fendas abertas por experimentos do laboratório de Hawkins e, depois, por rituais do Vecna.
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Sempre que alguém abre um portal, fica mais fácil pros monstros atravessarem.
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A série sugere que a versão Hawkins do Upside Down foi criada/ativada em 1983, num experimento com a Eleven, quando ela empurra um certo indivíduo pro lado errado da existência.
Ou seja: toda vez que a galera salva o mundo, meio que estraga um pouco mais também. É o famoso “consertei, mas piorei”.
As crianças: agora já são quase adultos (e o mundo continua acabando)
O núcleo original:
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Will Byers (Noah Schnapp): o primeiro sequestrado pelo Demogorgon lá na 1ª temporada, hoje é basicamente um sensor humano do Vecna. Continua sentindo a presença do vilão e deve ser peça central na 5ª.
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Mike (Finn Wolfhard): ainda é o garoto apaixonado pela Eleven e o centro emocional do grupo. Menos bowl cut, mais crise existencial.
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Dustin (Gaten Matarazzo): o cérebro nerd com a melhor taxa de piada por minuto da série.
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Lucas (Caleb McLaughlin): jogador de basquete, namorado da Max, cara que mais sofre na Season 4 e ainda aguenta tudo no grito.
Eles são o coração da série desde que decidiram procurar o amigo desaparecido em vez de chamar adulto responsável. De lá pra cá, o currículo inclui: caçadas a monstros, invasão de base russa, planos suicidas com metal em trailer.
A partir da 2ª temporada veio a ruiva:
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Max Mayfield (Sadie Sink): chega jogando fliperama melhor que os meninos, vira parte da turma, sofre abuso do meio-irmão Billy, vê o cara se sacrificar na 3ª temporada e na 4ª é escolhida como alvo preferencial do Vecna. Ela morre por alguns segundos, tem o corpo quebrado inteiro, é “ressuscitada” pela Eleven e termina a temporada em coma, cega e com o cérebro num limbo sombrio.
No fim da 4ª, Max está viva, porém desligada – e isso claramente vai contar algo na temporada final.
Os adultos cansados: Joyce, Hopper e o maluco do QAnon de Hawkins
Entre os maiores acertos de Stranger Things está o trio de adultos que não são completos inúteis:
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Joyce Byers (Winona Ryder): começa como mãe desesperada pendurando luz de Natal pela casa, vira investigadora semi-oficial do caos, e na 4ª temporada atravessa meio planeta pra salvar o Hopper de uma prisão soviética com Demogorgon de brinde.
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Jim Hopper (David Harbour): ex-policial alcoólatra que evolui pra pai da Eleven. “Morre” na explosão de Starcourt na 3ª temporada, reaparece vivo num gulag na Rússia na 4ª, mata monstro no porão e volta pra Hawkins bem a tempo de ver que tudo deu ainda mais errado.
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Murray Bauman (Brett Gelman): conspiracionista profissional, especialista em governo fazendo merda, e um dos grandes alívios cômicos. É o cara que, infelizmente, estava certo o tempo todo.
A dinâmica Joyce/Hopper é aquele eterno “vai-não-vai” romântico que a série empurra há anos. Na 4ª eles finalmente se beijam, porque se o mundo vai acabar, pelo menos acaba depois de um beijo decente.
Governo idiota, russos e ciência que não devia existir
Enquanto monstros devoram cidade, o governo dos EUA está ocupado em:
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mentir,
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encobrir,
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e tentar usar o Upside Down como vantagem na Guerra Fria.
Coisas a lembrar:
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O laboratório de Hawkins fazia teste em crianças com poderes, incluindo a Eleven e o Henry Creel.
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A URSS abriu um portal próprio embaixo do shopping Starcourt na 3ª temporada, porque por que não misturar capitalismo, neon e horror cósmico.
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Na 4ª, Hopper está numa prisão russa que abriga um Demogorgon como brinquedo de arena, porque a humanidade merece acabar mesmo.
Tem também os cientistas “do mal em escala variada”:
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Dr. Brenner (Matthew Modine): “Papa”, o cara que torturou a Eleven, criou o programa das crianças numeradas e fez tudo isso com cara de professor particular.
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Dr. Owens (Paul Reiser): meio culpado, meio arrependido, meio “vamos continuar a pesquisa porque já gastamos muito dinheiro”.
Vecna: o chefão final que estava lá desde o começo
O grande upgrade da 4ª temporada foi tirar o vilão do abstrato e dar nome, cara e trauma pra ele: Vecna, também conhecido como Henry Creel / 001 / o cara que você não apresentaria pra sua terapeuta.
Recap rápido:
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Henry criança já era perturbado, matou a própria família com poderes psíquicos.
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Brenner pega o garoto, transforma em primeiro experimento do laboratório (o famoso “Um”).
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Anos depois, já adulto, Henry vira funcionário do lab, manipula a Eleven, tenta convencê-la a se juntar a ele.
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Ela descobre que o cara é puro ódio e faz o que qualquer criança faria: arremessa o sujeito pro Mundo Invertido, abrindo a primeira fenda em 1979.
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Ele cai lá, é cozinhado pela dimensão e renasce como Vecna, o vilão por trás das criaturas, em aliança/controle com o Mind Flayer.
Na 4ª temporada:
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Vecna mata adolescentes traumatizados, abrindo portais a cada morte.
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Usa Max como sacrifício final pra abrir a quarta fenda e romper de vez a barreira entre mundos.
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Eleven enfrenta o vilão, aparentemente o derrota… mas ele sobrevive, some do cenário e deixa Hawkins rachada e pronta pra guerra total.
E, claro, Will ainda sente Vecna – o que significa que o boy continua plugado na pior operadora dimensional possível.
Onde cada peça estava quando a 4ª temporada acabou
Pra você chegar no play da 5ª temporada com o mapa mental pronto:
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Hawkins: destruída por quatro fendas que se cruzam no centro da cidade. Oficialmente, “terremoto”. Na prática, apocalipse em fase beta.
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Max: viva, tecnicamente, mas em coma, sem sinais de consciência quando a Eleven tenta acessá-la.
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Eleven: com poderes recuperados e mais fortes, mas carregando a culpa de basicamente ter ajudado a criar Vecna e aberto o caminho pro desastre atual.
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Will: de volta a Hawkins, sentindo o vilão e sabendo que a treta está longe de acabada.
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Hopper e Joyce: finalmente reunidos, de volta à cidade… só pra descobrir que o chão está abrindo.
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Eddie Munson: morto em sacrifício heroico no Upside Down, e tratado como culpado pela cidade. A injustiça permanece; o metal, também.
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Vecna: ferido, mas vivo e preparando o próximo passo.
Pronto. Agora você tem tudo que precisa lembrar de Stranger Things antes da 5ª temporada, sem mergulhar em recap de 50 minutos com thumbnail berrando “VOCÊ PERDEU ISSO!!!”.
O resto, a partir de 26 de novembro, é guerra total em Hawkins. E, do jeito que as coisas andam, o Mundo Invertido talvez não seja a pior parte de 1987.

