decepções do cinema em 2025

Filmes de 2025: As Principais Decepções do Cinema no Ano

Uma das listas mais divertidas de fazer no fim da temporada já tem mais de dez anos. Sempre divertido chamar meu amigo Marcelo Seabra, vulgo O Pipoqueiro, para discutirmos aquelas produções que viraram grandes surpresas (porque a gente não esperava nada) e as maiores decepções (ou seja, filmes que criamos expectativas e quebramos a cara). Esse ano não poderia ser diferente. Aqui estamos mais uma vez para honrar a tradição.

Ontem o Marcelo falou sobre as surpresas do ano. E tenho certeza que ele vai reclamar comigo porque usei o termo “melhores filmes de 2025” no título. Certeza. Bastidores a parte, hoje eu vou falar sobre decepções. Tem experiência pior que você criar uma expectativa em torno de uma obra e descobrir que não é nada daquilo que imaginou?

A gente falou muito nesses anos de listas, e trabalho árduo como críticos de cinema, sobre o problema das expectativas. Sei que é impossível, mas na maioria das vezes é melhor evitá-las. Exceto se você for uma criatura muito insensível, existe a grande chance de não sofrer depois. Pensa nos fãs de Guns N’Roses. O Axl demorou anos para soltar o Chinese Democracy, lá em 2008. Você acha que os fãs gostaram mesmo desse disco? Pode piorar. Eles demoraram esse tempo novo até chegar 2025 e lançarem um single muito sem-vergonha. Isso é expectativa e frustração na veia. Os fãs de Guns. Imagina sua banda favorita ter o Pato Donald como vocalista. Foda. Isso estraga amizade.

Ser uma frustração, no entanto, não coloca nada no balde de cultura ruim. Muito pelo contrário. Sou embaixador do conceito de existir uma imensa diferença entre o que gosto ou não, daquilo que é bom ou ruim. No caso das decepções, estamos falando especificamente de expectativas frustradas. Esperava A e recebi B. Deu para entender? Espero que sim. Mas se não, você tem uns 10 anos de acervo para refletir com nossas listas anteriores.

Bora lá.

Bora falar das…

Principais Decepções do Cinema em 2025 — Tullio Dias (espero que seu português seja bom o suficiente para entender que não me chamei de decepção)

review presençaPresença

Steven Soderbergh está entre os diretores mais competentes da atualidade. Entre sua fase antes da aposentadoria fake e o retorno, ele sempre teve mais acertos que erros com um volume considerável de lançamentos. Quando anunciaram que ele faria um filme de terror de espírito sob a perspectiva do fantasma, claro que ignorei minhas próprias regras e alimentei expectativas imensas. Infelizmente, Presença conseguiu ir até além de ser frustrante: ele é chato. Ele é sem graça. Travado. Não vi grandes destaques para montar uma lista de piores filmes do ano de respeito, mas não tenho a menor dúvida que essa decepção estará lá.

Nosferatu

Esse é um caso clássico de frustração. Ao contrário de Presença, Nosferatu está longe de ser ruim. Porém, quando a gente soma Robert Eggers e filme de vampiro, o resultado final é negativo. Não bate um mais um. O diretor que me deixou com o cu na mão em A Bruxa e explodiu minha cabeça em O Farol, deixou de lado a intenção de causar medo no espectador. E eu não esperava isso. Queria uma releitura aterrorizante. Nosferatu é um espetáculo gótico, com um trabalho realmente lindo de fotografia. Mas o terror é substituído pela tragédia de um relacionamento tóxico. Eu comprei o ingresso pelo sangue, sabe?

review amores materialistasAmores Materialistas

Vidas Passadas foi o melhor filme de 2025. Quando sua diretora/roteirista Celine Song anunciou uma grande produção com Dakota Johnsson, Pedro Pascal e Chris Evans, o meu lado cinéfilo apaixonado tomou conta e criei mais expectativas. Pelo menos, assim como Nosferatu, o filme é bom. O seu maior problema reside na infeliz comparação entre os dois trabalhos da cineasta. Enquanto eu esperava por mais um sacode poético-emocional, me deparei com uma comédia romântica muito crítica do seu próprio público. Apesar de tropeçar na naturalidade como os personagens soltam suas falas, Song acerta a mão em dizer claramente que estamos vivendo tempos cínicos em que uma comédia romântica para ser boa precisa mostrar a heroína como uma pessoa independente — mesmo se isso significar ficar só.

Quarteto Fantástico

Pedro Pascal teve um ano tão recheado que apareceu duas vezes até nas nossas listas de decepções do ano. Quase removi Quarteto Fantástico da lista para incluir O Sobrevivente, de Edgar Wright. Talvez me arrependa. A quarta releitura das HQs do Quarteto Fantástico nos cinemas não encara problemas narrativos ou técnicos, mas esbarra no momento de saturação dos filmes de heróis e não faz nada de novo. Mesmo incluindo uma discussão ética relevante no roteiro, a Marvel prefere ir pelo caminho mais óbvio e focar na porradaria. Quarteto é mais do mesmo e frustra exatamente por desperdiçar o potencial dos seus atores.

Wicked: Parte 2

Quando minha amiga Selhe disse que já esperava uma continuação mais fraca, pois o original da Broadway também não é lá grandes coisas, eu fiquei incrédulo. Nunca vi adaptação nenhuma fazer questão de ser tão fiel ao ponto de conseguir ser “ruim” quanto seu original. A graça do cinema é ter a liberdade de contar uma história de um jeito diferente. Wicked: Parte 2 está nesta lista porque sua existência é um desaforo absurdo. Como pode um filme tão bom ganhar uma sequência direta tão avacalhada? Tudo é apressado, tudo é desprovido de vida. Até as canções deixam a desejar. Não fosse a dinâmica das atrizes, esse seria um forte candidato a entrar na lista de piores filmes de 2025.

Principais Decepções do Cinema em 2025 — Marcelo Seabra, O Pipoqueiro

Missão: Impossível – O Acerto Final 

Depois de tantas missões que se mostraram não tão impossíveis assim, esperávamos um estrondo nessa alardeada última aventura da equipe liderada por Tom Cruise. Desde o ótimo primeiro longa, de 1996, foram acertos e erros, e a única coisa que não contávamos era com um filme insosso, que tenta e não consegue ter um centro emocional. São situações extremas, mas que não tememos pelos personagens, já que tudo parece muito ensaiado, pronto para dar certo. Cruise prometia um bang, mas era espoleta.

crítica frankenstein guillermo del toroFrankenstein

Grandes talentos desperdiçados num esforço desnecessário para se alterar um clássico. As alterações, por si só, não seriam problema se significassem boas ideias, ar novo. O grande Victor Frankenstein, genial e prepotente na mesma medida, se torna um canalha mimado na pele de um Oscar Isaac perdido, como os demais colegas de elenco. Jacob Elordi se mostra uma boa escolha, isolado em meio aos erros de Guillermo del Toro, que perde o cerne do conto de Mary Shelley sobre a ousadia de um homem de brincar de deus e se torna a enfadonha crônica de uma criança que se cansa de seu brinquedo.

Corra Que a Polícia Vem Aí

Como grande fã do primeiro (e dos outros dois) e sabendo do potencial de Liam Neeson como Frank Drebin Jr., entrei com sede no pote. O filme transforma o humor non sense do original em algo exagerado, sem sentido mesmo, absolutamente sem graça. Leslie Nielsen parecia não fazer esforço algum e arrancava risadas naturalmente, em esquetes inteligentes e diálogos rápidos, como naquela em que ele oferece suborno a um informante até que o jogo vira e é o informante que quer informações. Nesse, temos Neeson se transformando de uma colegial que entra num banco tomado por bandidos. Nada com coisa nenhuma.

MELHORES FILMES DE 2025

Um filme vendido como uma história sexy de dominação e poder, estrelada pela oscarizada Nicole Kidman, tinha tudo para atrair um grande público, e pode até ter atraído. Agora, se ficaram satisfeitos, é outra história. Trama besta, atropelada, sobre uma executiva que bate o olho em um estagiário insolente e logo desenvolve uma fixação ridícula que envolve beber leite. Tudo o que acontece é imprevisível exatamente por ser impensável, e sobra até para Antonio Banderas passar um pouco da vergonha.

Bridget Jones: Louca Pelo Garoto

Depois de um início acertado, uma segunda parte terrível e uma improvável, mas divertida terceira aventura, Bridget Jones surge novamente, agora viúva e mãe de dois. A carismática personagem se vê apaixonada por um homem mais novo, e a trama não sabe onde mirar e atira em várias direções. Falta graça e, principalmente, o duelo Darcy x Cleever: um faz ponta e o outro está 100% domado.