O “último filme” de Quentin Tarantino pode estar em produção (ou não, porque com ele nunca se sabe), mas o diretor já fez o favor de organizar o cânone cinematográfico para o resto de nós. Após revelar 10 seleções que variavam entre o terror teen (Battle Royale) e o caos Jackass, ele finalmente soltou a lista de prestígio: o Top 10 dos Melhores Filmes do Século XXI.
A lista, divulgada no podcast de Bret Easton Ellis, é tão caótica, pessoal e cheia de tretas de bastidores quanto esperaríamos. Há de tudo: guerra implacável, animação que te faz chorar e uma confissão de amor que parece saída de um livro de Jane Austen.
Prepare-se, porque o número 1 não é um filme de gângsteres, mas sim um épico militar implacável.
O Mestre do Caos: O Top 10 de Quentin Tarantino
Aqui está a lista completa, seguida da análise do porquê o diretor de Pulp Fiction e Kill Bill se apaixonou por cada um desses títulos:
| Rank | Filme (Diretor) | Gênero | O Ponto de Vista de Tarantino |
| 1 | Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down, Ridley Scott) | Guerra/Ação | “Uma obra-prima.” O único filme que captura a intensidade visual e o propósito do “Apocalypse Now”. |
| 2 | Toy Story 3 (Lee Unkrich) | Animação | “Perfeição de final de trilogia.” Elogiou o coração partido e a conclusão. |
| 3 | Encontros e Desencontros (Lost in Translation, Sofia Coppola) | Romance/Drama | “Um filme ‘de menina’ delicioso.” Confessou ter se apaixonado por Sofia Coppola por causa do filme. |
| 4 | Dunkirk (Christopher Nolan) | Guerra/Suspense | “Avassalador.” Precisou ver “de novo, de novo e de novo” para processar a “verdadeira maestria” da direção. |
| 5 | Sangue Negro (There Will Be Blood, Paul Thomas Anderson) | Drama Épico | Uma “quase-obra-prima” que ele não consegue deixar de criticar (e amar). |
| 6 | Zodíaco (Zodiac, David Fincher) | Thriller Paranóico | Uma “descoberta lenta.” Um filme que o fisga mais a cada vez que ele o pega na TV a cabo. |
| 7 | Incontrolável (Unstoppable, Tony Scott) | Ação/Catástrofe | O grande “último filme” de Tony Scott, elevando um B-movie de trem desgovernado a um filme de monstro. |
| 8 | Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, George Miller) | Ação Pós-Apocalipse | Rendeu-se à genialidade de George Miller, admitindo sua lealdade inicial a Mel Gibson quase o fez perder essa “grande coisa”. |
| 9 | Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead, Edgar Wright) | Comédia/Horror | O filme que equilibra perfeitamente comédia de horror e gênero. |
| 10 | Meia-Noite em Paris (Midnight in Paris, Woody Allen) | Comédia/Fantasia | Fechando a lista com nostalgia e uma deliciosa viagem no tempo. |
1º Lugar: Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down)
A escolha mais polêmica, e talvez a mais reveladora, é o épico de guerra de Ridley Scott sobre a insurgência na Somália. Tarantino confessou que demorou para entender o poder do filme.
Ele disse que, na primeira vez, a intensidade o “impediu de carregar o filme” como deveria. Mas, em revisitas recentes, ele se rendeu:
Ele o classificou como uma “obra-prima” e a “única produção que realmente se aproxima do propósito e do efeito visual de Apocalypse Now“.
Para Tarantino, o filme é uma “façanha de direção que está além do extraordinário,” capaz de fazer seu coração acelerar por todo o tempo de execução. O cinema de guerra, quando feito com maestria técnica, tem o poder de sobrecarregá-lo.
3º Lugar: A Confissão de Amor em Encontros e Desencontros (Lost in Translation)
O terceiro lugar reservou a fofoca cinematográfica que só o próprio Tarantino poderia entregar. Ele não apenas amou o filme de Sofia Coppola, como ele inspirou um romance na vida real:
“Eu me apaixonei tanto por ‘Lost in Translation’ que me apaixonei por Sofia Coppola e a tornei minha namorada [risos]“, confessou.
Ele descreveu a experiência como “galantear e cortejar” em público, algo saído de um “romance de Jane Austen”. O filme, segundo ele e Pedro Almodóvar (com quem ele discutiu a obra), é “tão feminino, de uma forma deliciosa”, um gênero que ele não via há muito tempo ser tão bem executado.
️ 8º Lugar: A Rendição à Fúria de George Miller (Mad Max: Fury Road)
O diretor de Pulp Fiction quase boicotou o épico pós-apocalíptico de George Miller por pura teimosia de fã. A razão? Lealdade a Mel Gibson.
“Eu não ia assistir pelo simples motivo de que em um mundo onde Mel Gibson existe, e ele não está interpretando Max? Eu quero o Mel Louco!”
Felizmente, a pressão de amigos e de seu editor o convenceu. Ao ver, ele se rendeu à grandeza técnica de Miller: “As grandes coisas são tão grandes, e você está assistindo a um cineasta verdadeiramente grandioso; ele tinha todo o dinheiro do mundo e todo o tempo do mundo para fazer exatamente o que queria.” Para Tarantino, Mad Max é a realização máxima da visão de um diretor.
O Resto da Lista de Aula: De Pixar a Suspense
O restante do Top 10 é uma aula de curadoria de cinema moderno:
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Toy Story 3 (#2): Um elogio à perfeição narrativa e ao coração partido que a animação da Pixar proporcionou no final da trilogia.
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Dunkirk (#4): Nolan o sobrecarregou na primeira vez. Só após ver “de novo, de novo e de novo” ele conseguiu processar o design e a “verdadeira maestria” da obra.
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Zodíaco (#6): Uma prova de que David Fincher domina o suspense lento.
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Incontrolável (#7): Uma defesa do cinema B elevado, com Tony Scott transformando um trem desgovernado em um “filme de monstro” com adrenalina pura.
No final, a lista de Quentin Tarantino é uma janela fascinante para o que excita e desafia um dos maiores cineastas vivos. Um Top 10 caótico, pessoal e que celebra a arte de fazer cinema em qualquer gênero. Confira o restante da lista aqui.

