Se você achava que 2024 tinha sido o ano das polêmicas no cinema, segurem seus pipocas: 2025 chegou pisando no acelerador da discórdia. Entre musicais que ninguém pediu, CGI que parece ter sido renderizado num Pentium 3 e escolhas de elenco que fizeram a internet pegar fogo, este ano provou que Hollywood ainda sabe mexer com os nervos do público. E olha, não é pouca coisa não.
A gente separou aqui os filmes que mais causaram treta, desconforto e aquele climão constrangedor de “será que eu deveria estar gostando disso?”. Spoiler: provavelmente não.

Emilia Pérez: Quando o Musical Encontra a Polêmica (E Casa com Ela)
Vamos começar pela bomba-relógio francesa que explodiu na cara de todo mundo: Emilia Pérez. Dirigido por Jacques Audiard, o filme chegou prometendo revolucionar o cinema musical e entregar uma narrativa ousada sobre identidade, crime e redenção no México. O que a gente ganhou? Um Frankenstein cinematográfico que conseguiu ofender mais gente do que uma família reunida no Natal discutindo política.
Sofia Gaston e o Festival de Declarações Infelizes
A atriz Sofia Gaston, que interpreta a protagonista, decidiu que dar entrevistas sem filtro era uma boa ideia. Spoiler novamente: não era. Em diversas ocasiões, ela soltou declarações que soaram, no mínimo, desconectadas da realidade do México e da cultura latina. Foi tipo aquela prima gringa que volta pro Brasil achando que entende tudo de caipirinha porque tomou uma vez num resort em Cancún.
O pior? Quando questionada sobre as críticas de representatividade, Sofia dobrou a aposta em vez de recuar. Hollywood adora um bom tiro no pé, e ela entregou uma bazuca.
Xenofobia Disfarçada de “Visão Artística”
Aqui é onde a coisa descamba de vez. Emilia Pérez tenta contar uma história mexicana com olhar europeu, e o resultado é um filtro sépia emocional que transforma complexidade em caricatura. O México do filme parece aquele cenário de faroeste dos anos 50: violento, caótico e sem nuances.
Críticos mexicanos não pegaram leve. A acusação de xenofobia não veio de Twitter aleatório não – veio de quem vive a realidade retratada (ou melhor, distorcida) na tela. É tipo fazer um filme sobre o Brasil e colocar macaco pulando na Avenida Paulista. Dá pra sentir o climão, né?
Musical Tosco: A Cereja do Bolo Queimado
E se você pensou “ah, mas pelo menos as músicas devem salvar”, sinto informar: não salvam. As canções de Emilia Pérez são aquele tipo de número musical que te faz olhar pro relógio pensando “quanto tempo falta pra acabar isso?”.
Parece que alguém assistiu La La Land, West Side Story e decidiu fazer a versão Wish do gênero. Os números musicais aparecem do nada, quebram o ritmo da narrativa e saem da sua cabeça mais rápido do que promessa de político. É musical pra quem odeia musical – e olha que eu AMO um bom musical.

Capitão América: Admirável Mundo Novo – A Marvel Tropeçando na Própria Capa
Se tem uma coisa que a Marvel sabe fazer é hype. Mas se tem outra coisa que a Marvel está aprendendo a fazer é decepcionar, e Capitão América: Admirável Mundo Novo entrou pra galeria dos “poderia ter sido épico, mas…”.
Roteiro Ruim: Quando Falta Açúcar no Brigadeiro
O roteiro deste filme é tipo aquela receita que você pega na internet: parece ótima no papel, mas quando você faz, descobre que faltou sal (ou nesse caso, coerência). A trama tenta abraçar o mundo – política internacional, conspiração governamental, ameaça global – mas esquece de desenvolver qualquer coisa com profundidade.
É Marvel no piloto automático: ação genérica, diálogos expositivos que explicam TUDO pra plateia (porque aparentemente somos todos burros) e reviravoltas que você vê vindo de longe tipo caminhão em rodovia. Sam Wilson merecia melhor. A gente merecia melhor.
A “Surpresa” do Hulk Vermelho Que Ninguém Se Surpreendeu
Quando os trailers começaram a sair, a Marvel tentou aquela estratégia velha de “vamos esconder o vilão principal”. O problema? A internet existe. Vazamentos existem. E principalmente: ninguém acreditou que o Hulk Vermelho seria surpresa.
Foi tipo tentar esconder elefante na sala pintando ele de bege. Todo mundo sabia, todo mundo comentava, e quando finalmente revelaram oficialmente, a reação geral foi um sonoro “é… a gente já sabia”. Zero impacto, zero emoção. Parabéns pela tentativa, Marvel. Participação é o que vale.
Efeitos Visuais de Powerpoint 2003
E aqui chegamos no ponto mais doloroso: os efeitos visuais. Gente, Capitão América: Admirável Mundo Novo tem cenas que parecem ter sido renderizadas na mesma máquina que roda Minecraft. Pior ainda: tem movimentações RECICLADAS de outros filmes da Marvel.
Aquilo que era pra ser uma sequência épica de ação vira um bingo de “ei, isso não é do Endgame?” ou “espera, essa animação não estava em Wakanda Forever?”. É preguiça criativa ou corte de orçamento? Sim.
Num universo onde Avatar 2 mostrou que CGI pode ser arte, a Marvel entregou clip art animado. Constrangedor.

Anora: O Filme que (Talvez) Roubou o Oscar de Fernanda Torres
Respira fundo, Brasil. Vamos falar de Anora, o filminho indie que virou queridinho da Academia e que, segundo muitos, faturou a estatueta que deveria estar nas mãos de Fernanda Torres por Ainda Estou Aqui.
O Paralelo Cruel com Demi Moore e Striptease
A história tem um gosto amargo de déjà vu. Nos anos 90, Demi Moore teve a carreira praticamente destruída depois de estrelar Striptease – um filme sobre uma stripper tentando reconquistar a guarda da filha. Críticos massacraram, público zombou, e Demi virou piada.
Agora em 2025, Anora conta a história de uma jovem prostituta e sex worker, e de repente virou “obra-prima ousada” e “desconstrução corajosa”. A protagonista, uma atriz de 20 e poucos anos, é celebrada pela “coragem” de interpretar o papel.
Cadê a coerência? É progresso ou hipocrisia? A diferença é só a embalagem indie e o timing certo com a Academia? Provavelmente sim.
Fernanda Torres e o Oscar que Não Veio
Aqui é onde a treta brasileira entra. Fernanda Torres entregou em Ainda Estou Aqui uma performance visceral, emocionante e tecnicamente impecável. O filme todo é um soco no estômago histórico que merecia reconhecimento mundial.
Mas a Academia preferiu Anora. E olha, não estou dizendo que Anora é um filme ruim – longe disso. Mas melhor que Fernanda? Aí você me quebra, Academy.
A sensação é que o Oscar foi menos sobre mérito artístico e mais sobre narrativa marketeira. Fernanda foi roubada? Talvez “roubada” seja forte. Mas injustiçada? Com certeza.
Filme Esquecível Disfarçado de Cult
Aqui vai a verdade nua e crua sobre Anora: é divertido. Tem bons momentos. A direção é competente. MAS… é esquecível pra caramba.
Sabe aquele filme que você assiste, curte na hora, sai do cinema pensando “legal” e uma semana depois não lembra de uma cena específica? É isso. Anora não fica na memória. Não tem aquele fator “preciso reassistir”. Não gera discussões profundas.
É pipoca gourmet: gostoso na hora, mas que não alimenta de verdade. E ganhou Oscar. Vai entender.

Branca de Neve: Quando a Disney Esquece Como Fazer Magia
A Disney live-action de Branca de Neve conseguiu a proeza de ser polêmica ANTES de estrear. Desde o anúncio até os trailers, cada frame novo era combustível pra treta digital.
Escolhas Narrativas que Ninguém Pediu
A Disney decidiu “modernizar” o conto clássico, porque aparentemente 2025 é o ano de consertar o que não está quebrado. O resultado? Uma salada de decisões criativas que deixou tanto os puristas quanto os progressistas insatisfeitos.
Mudaram elementos centrais da história original, mas mantiveram outros de forma incongruente. É tipo reformar a casa: ou você reforma tudo ou não mexe. Fazer meia-boca só deixa feio.
CGI que Parece Desenho do Paint
Lembra quando eu reclamei dos efeitos visuais do Capitão América? Então, esquece. Branca de Neve elevou o CGI tosco a outro nível. Os sete anões digitais parecem ter sido criados por um estagiário em período de experiência.
Num mundo pós O Rei Leão live-action (que pelo menos tinha CGI decente), ver a Disney entregar anões que parecem personagens de videogame de PS2 é de doer. Literalmente ninguém olhou aquilo e pensou “sim, isso está pronto pra lançar”?
A Polêmica Peter Dinklage: Quando Tentar Acertar Vira Bagunça
E aqui está o X da questão que transformou Branca de Neve num campo minado de relações públicas. Em 2022, Peter Dinklage – sim, o Tyrion Lannister – soltou uma crítica que pegou a Disney completamente desprevenida.
O ator, que tem nanismo, detonou a produção por, segundo ele, reforçar estereótipos ultrapassados sobre pessoas com nanismo. A frase dele foi cirúrgica: “Não faz sentido para mim. De um lado, são progressistas, do outro, ainda estão fazendo aquela história retrógrada dos sete anões vivendo juntos numa caverna.”
E olha, o homem tem um ponto. A Disney ficou naquele dilema clássico: como fazer Branca de Neve SEM os sete anões? É tipo fazer Harry Potter sem Hogwarts.
A “Solução” que Agradou Ninguém
A resposta da Disney? CGI. Anões digitais. Porque aparentemente contratar sete atores com nanismo seria “problemático”, mas criar sete criaturas de computador que parecem os Minions deformados é super progressista.
A lógica foi mais ou menos assim: “Se a gente fizer CGI, não ofende ninguém, certo?” ERRADO. Ofendeu todo mundo.
A comunidade de atores com nanismo ficou furiosa porque perdeu sete papéis em um blockbuster Disney (algo raro pra caramba). Os puristas odiaram porque os anões ficaram horrorosos. E os progressistas continuaram incomodados com a premissa toda.
Foi a Disney tentando agradar gregos e troianos e conseguindo desagradar a Grécia, Troia E o Império Romano inteiro.
Representatividade: Quando a Intenção Esbarra na Execução
Aqui está o cerne da polêmica: representatividade não é só sobre quem você escala, mas COMO você representa. A Disney teve a chance de contratar atores com nanismo, dar-lhes papéis dignos, tridimensionais, que fugissem do estereótipo – e decidiu que era mais fácil apertar Ctrl+C, Ctrl+V no computador.
É tipo aquela empresa que coloca uma bandeira LGBT na bio durante junho mas não contrata nenhuma pessoa LGBTQIA+ o ano todo. É performativo. É preguiçoso. E é, acima de tudo, covarde.
Peter Dinklage forçou uma conversa necessária sobre como Hollywood representa pessoas com nanismo. A Disney teve a oportunidade de liderar essa mudança, de mostrar que dá pra fazer o conto de fadas E respeitar a comunidade. Mas preferiu o caminho mais seguro: CGI tosco que não arrisca nada e não entrega nada também.
O resultado? Um filme que nem chegou nos cinemas e já entrou pra história como exemplo de como NÃO lidar com representatividade. Parabéns, Disney. Você conseguiu transformar um clássico amado numa case study de gestão de crise corporativa mal feita.
Superman: Quando a Direita Pirou (De Novo)
E fechamos com Superman, o filme que nem estreou ainda mas já conseguiu deixar uma parcela da internet em combustão espontânea.
O Crime de James Gunn: Fazer Super-Herói com Alma
Parece piada, mas tem gente genuinamente irritada porque o Superman de James Gunn… tem emoções. Demonstra vulnerabilidade. Não é um patriota unidimensional dos anos 50.
A direita conservadora americana surtou porque o filme aparentemente não vai ser um tratado sobre valores tradicionais americanos. Imagina só: um alienígena que salva a humanidade por compaixão, não por bandeira. Que absurdo, né? (ironia)
A Polêmica Fabricada
Sejamos honestos: muito da treta em torno de Superman é manufactured outrage – indignação fabricada pra gerar engajamento. Gente que nem vai assistir o filme já decidiu que ele é “woke demais” ou “comunista” ou qualquer outro adjetivo da vez.
É cansativo. É previsível. E principalmente: é burro.
Superman SEMPRE foi sobre esperança, empatia e usar poder pra ajudar os mais fracos. Se isso agora é controverso, o problema não é o personagem – é quem tá reclamando.
Conclusão: 2025 e o Cinema da Discórdia
Se tem uma coisa que 2025 provou é que cinema ainda importa. Ainda gera paixão, debate e sim, treta homérica na internet. Dos musicais xenofóbicos aos super-heróis com CGI vagabundo, passando por Oscars questionáveis e princesas digitais, este ano entregou polêmica com P maiúsculo.
O cinema está mudando? Sim. Pra melhor? Às vezes. Outras vezes é só mudança por mudar, e o resultado é esse Frankenstein cultural que a gente viu em 2025.
Mas ei, pelo menos não foi entediante. E no final das contas, prefiro um ano de filmes polêmicos do que um ano de filmes esquecíveis. Pelo menos dá assunto pra debater no boteco.
E você, qual foi o filme mais polêmico de 2025 na sua opinião? Concorda com a lista ou quer me xingar nos comentários? Fica à vontade – polêmica é o que não falta por aqui.


