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Critics Choice Awards 2026: “Adolescência” consagra-se como o fenômeno absoluto das minisséries

Se restavam dúvidas de que a produção britânica Adolescência (Netflix) seria o marco cultural de 2025, a noite do Critics Choice Awards 2026 tratou de dissipá-las. A obra não apenas venceu, mas dominou a cerimônia, arrebatando quatro das cinco categorias principais de minissérie e consolidando-se como uma das produções mais premiadas e comentadas dos últimos tempos.

O Domínio no Critics Choice 2026

A série foi o grande destaque da noite, vencendo nas seguintes categorias:

  • Melhor Minissérie: O prêmio principal que reconhece a obra como um todo.

  • Melhor Ator em Minissérie (Stephen Graham): Uma vitória que coroa a carreira de um dos criadores da série, entregando uma performance visceral como o pai de Jamie.

  • Melhor Ator Coadjuvante em Minissérie (Owen Cooper): O jovem estreante superou veteranos como Wagner Moura, provando que seu talento é um fenômeno raro na indústria.

  • Melhor Atriz Coadjuvante em Minissérie (Erin Doherty): Premiada pela atuação magistral como a psicóloga Briony, cujos embates intelectuais e emocionais são o coração reflexivo da trama.

A produção só não alcançou o “grand slam” da categoria porque o prêmio de Melhor Atriz foi para Sarah Snook (All Her Fault), mas o saldo final deixou claro: 2026 é o ano de Adolescência.

Por que a série arrebatou a crítica e o público?

Dirigida por Philip Barantini, a série utiliza uma técnica audaciosa: quatro episódios de aproximadamente uma hora gravados em plano sequência único. Essa escolha estética não é apenas um truque técnico; ela coloca o espectador dentro da claustrofobia da investigação e do desespero da família Miller. Não há cortes, não há fôlego — apenas a realidade nua e crua se desenrolando.

A trama foca em Jamie Miller (vivido pelo brilhante Owen Cooper), um jovem de 13 anos suspeito do assassinato de uma colega. A partir daí, os criadores Stephen Graham e Jack Thorne mergulham em uma análise profunda sobre as falhas sistêmicas da sociedade moderna.

O “Efeito Owen Cooper” e a Reflexão Social

Embora o elenco conte com veteranos de peso, é o estreante Owen Cooper quem rouba a cena. Sua atuação é de uma sutileza e intensidade que fazem o público questionar constantemente a natureza da culpa. Através de seu personagem, a série discute como as redes sociais e as novas formas de masculinidade e feminilidade estão moldando comportamentos muitas vezes invisíveis aos olhos dos pais e educadores.

Um dos pontos altos, destacado pela premiação de Erin Doherty, é o atendimento psicológico de Jamie. Nesses diálogos, a série revela que o crime é apenas a ponta do iceberg de camadas de negligência, bullying e isolamento digital. A frase do pai de Jamie, Eddie (Stephen Graham) — “Ele estava no quarto, achávamos que estava bem” — tornou-se o lema trágico da série, expondo a fragilidade das relações familiares na era virtual.

Um Espelho da Realidade

Apesar de ser uma ficção, Adolescência é assustadoramente atual. Inspirada em casos reais de violência juvenil no Reino Unido, a série serve como um alerta urgente sobre saúde mental e a necessidade de conexões humanas reais. Ela não oferece respostas fáceis, mas obriga o espectador a encarar a complexidade de uma geração que muitas vezes grita por ajuda em silêncio, atrás de telas trancadas em quartos vazios.

Com a vitória avassaladora no Critics Choice, Adolescência deixa de ser apenas entretenimento para se tornar uma peça fundamental de estudo sobre o tempo em que vivemos. Está disponível na Netflix e é, sem dúvida, visualização obrigatória.


Dica: Para quem deseja se aprofundar nos temas da série, recomendo leituras sobre desenvolvimento na adolescência e os impactos da tecnologia na saúde mental, áreas que a série explora com uma precisão cirúrgica.

  • O demônio do meio-dia, de Andrew Solomon
  • Garota Interrompida, de Susanna Kaysen
  • Adolescência em Cartaz: Filmes e Psicanálise para Entendê-la – Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso
  • Toda ansiedade merece um abraço – Alexandre Coimbra Amaral
  • Cortes & cartas: estudos sobre automutilação – Juliana Falcão
  • Talvez você deva conversar com alguém: Uma terapeuta, o terapeuta dela e a vida de todos nós – Lori Gottlieb
  • O adolescente e o outro – Sonia Alberti
  • A Turbulência Adolescente: Estudos Psicanalíticos – R. M. S. Cassorla