A nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell, faz uma escolha ousada: encerra a história na morte de Catherine Earnshaw. Nada de segunda geração. Nada de redenção tardia. Nada de Heathcliff envelhecido encarando fantasmas.
É corte seco. É tragédia pura. E, ironicamente, é fiel ao espírito mais selvagem do romance de O Morro dos Ventos Uivantes — mesmo deixando metade do livro de fora.
Vamos ao final explicado.
O que acontece no final do filme de 2026?
Na reta final, Cathy (ou Catherine) está fisicamente debilitada, emocionalmente fragmentada e dividida entre dois mundos:
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O casamento estável e socialmente aceitável com Edgar Linton.
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A paixão caótica, clandestina e visceral com Heathcliff.
Diferente de muitas adaptações antigas, o filme deixa claro que Cathy e Heathcliff se envolveram como amantes. O amor deles não ficou apenas no campo do desejo reprimido — ele atravessou a linha com muita pegação sem cenas gráficas.
Mas Cathy, pressionada pelas convenções sociais, é obrigada a encerrar o caso. Não por falta de amor. Pelo contrário. Ela termina porque entende que esse amor a destruiria socialmente.
O resultado?
Colapso físico. Colapso psicológico. Gravidez. Delírio.
E morte logo após o parto.
O filme termina com a morte de Cathy. Heathcliff fica vivo — mas o destino dele não é mostrado.
E isso é fundamental.
Por que o filme não mostra o que acontece com Heathcliff depois?
No romance original, Heathcliff vive anos consumido por vingança. Ele manipula heranças, destrói emocionalmente a geração seguinte e só morre no fim, esgotado pela obsessão.
Mas o filme de 2026 corta tudo isso.
Ao encerrar na morte de Cathy, Fennell transforma a história em algo mais cru:
Não é uma saga sobre vingança.
É uma história sobre um amor impossível que implode antes de virar outra coisa.
Heathcliff, no plano final, é um homem que perdeu tudo.
Sem redenção.
Sem arco completo.
Sem epílogo.
A ausência do futuro dele é o ponto.
O filme nos deixa apenas com a pergunta:
O que sobra de um homem que fez da obsessão sua identidade?
O que significa o envolvimento amoroso entre Cathy e Heathcliff?
Esse detalhe muda tudo.
Em muitas versões, o romance é sugerido, mas contido. Aqui, o caso é explícito. Eles cruzaram a fronteira moral e social.
Isso torna a morte de Cathy ainda mais trágica, porque:
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Ela não morreu apenas amando Heathcliff.
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Ela morreu depois de escolhê-lo — e depois de abandoná-lo.
Essa ambivalência é o coração da história.
Cathy não é vítima pura.
Heathcliff não é herói romântico.
Os dois são cúmplices de uma paixão autodestrutiva.
O ponto de ruptura entre amor e classe social
O conflito central nunca foi apenas amor. Foi classe.
Cathy ama Heathcliff, mas sabe que casar com ele seria uma queda social irreversível.
Ela escolhe Edgar por status, estabilidade e sobrevivência.
O filme reforça isso sem romantizar:
Cathy ama Heathcliff.
Mas ama a si mesma dentro da hierarquia social também.
Essa escolha é o verdadeiro pecado da história.
O significado do final do filme
Encerrar na morte de Cathy transforma a adaptação em uma tragédia clássica.
O livro de Emily Brontë oferece uma segunda chance simbólica na geração seguinte.
O filme não.
O que temos é:
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Amor absoluto.
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Escolha social.
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Culpa.
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Autodestruição.
Sem cura.
Sem reconciliação futura.
Sem ciclo quebrado.
É como se o filme dissesse:
Algumas histórias não merecem redenção.
Merecem eco.
E Heathcliff? O que o silêncio diz?
O silêncio sobre o destino dele é mais poderoso do que qualquer cena de envelhecimento e vingança.
Sem Cathy, Heathcliff perde o único sentido que tinha.
Ele não precisa morrer em cena.
Ele já está condenado.
O filme sugere que o verdadeiro fim dele acontece ali mesmo — no instante em que ela morre.
O que a adaptação de 2026 enfatiza que o livro dilui?
O romance original de Emily Brontë é sobre herança emocional e ciclos de violência entre gerações.
Já o filme de 2026 é sobre:
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Obsessão como identidade
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Amor confundido com posse
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Classe como força destrutiva
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E o preço de escolher status acima da verdade interior
É menos saga familiar.
Mais estudo psicológico.
Final explicado de O Morro dos Ventos Uivantes (2026)
O filme termina com a morte de Cathy porque essa é a verdadeira explosão da história.
Heathcliff depois dela não é protagonista — é consequência.
Ao cortar a segunda metade do romance, a adaptação transforma o clássico de Emily Brontë em um retrato concentrado de um amor que não foi capaz de sobreviver à sociedade.
Não há redenção.
Não há reconciliação.
Não há futuro mostrado.
Apenas o vento nos morros.
E o eco de uma escolha que destruiu tudo.
E é isso.


