A nostalgia dos anos 80 é o prato principal de Stranger Things, mas os Irmãos Duffer são mestres em ir além dos clichês óbvios de Goonies e Stephen King. Enquanto a 5ª temporada promete o confronto final entre humanos e as monstruosidades do Mundo Invertido que vazou para Hawkins, ela também encontra tempo para uma homenagem cult e surpreendente.
O alvo da vez? Um subestimado clássico de comédia de guerra de 1987: Bom Dia, Vietnã, estrelado pelo incomparável Robin Williams.
Mas não se engane. Mesmo que a série esteja mergulhando em referências a filmes de guerra, os Gremlins dos Irmãos Duffer garantem que o caos é infinitamente mais demoníaco do que qualquer conflito geopolítico real. O tom é o de sempre: humor ácido e referência na veia.
️ O Quebra-Cabeça da Homenagem: Robin no Rádio
O final da 4ª temporada deixou Hawkins, Indiana, no pior dos cenários: invadida pelo Mundo Invertido e, por consequência, quarentenada e militarizada pelo Exército dos EUA. A cidade que um dia foi sleepy (sonolenta, pacata) virou uma base de operações tensa.
É neste cenário de confinamento e paranoia que a personagem Robin Buckley (Maya Hawke) encontra seu novo propósito. E é aí que a homenagem começa a se desdobrar de forma quase hilária de tão óbvia:
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O Nome: A personagem tem o mesmo prenome do ator, Robin Williams.
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O Emprego: Ela consegue um trabalho como apresentadora de rádio na estação local.
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O Cenário: Ela está transmitindo notícias (e esperança) para os moradores em uma zona militarizada.
Essa é uma fan-fiction descarada (e assumida!) de Bom Dia, Vietnã, onde o personagem de Williams, Adrian Cronauer, é um DJ irreverente encarregado de animar e informar as tropas americanas durante a Guerra do Vietnã. Claro, a Robin de Maya Hawke não está fazendo imitações de Elvis, mas a conexão é um presente para quem saca as referências dos anos 80.
Mensagens Codificadas e o Desafio da Monarquia
A estação de rádio de Robin não é só um side job para passar o tempo. É a única linha de comunicação com a cidade e se torna uma ferramenta crucial para a gangue de Hawkins.
No Episódio 1, a referência fica deliciosamente escancarada: Robin usa a rádio para enviar mensagens codificadas a seus amigos, sendo a mais notável a escolha da música “Upside Down” de Diana Ross, ajudando os amigos em uma missão na zona de quarentena. É brega? Sim. É on the nose (óbvio demais)? Sem dúvida. Mas é exatamente o tipo de toque nerd que faz a série funcionar.
Maya Hawke admitiu que essas cenas foram as mais desafiadoras. Em entrevista, ela comentou:
“Eu tenho que fazer um longo monólogo na abertura do primeiro episódio que presta homenagem a Robin Williams em Bom Dia, Vietnã. Eu tive que fazer aquele monólogo soar como um programa de rádio de verdade. Esse foi um grande desafio para mim, dizer tanta coisa, mas não ser chata ou entediante.”
Ou seja, ela teve que dominar a arte de parecer Robin Williams, o mestre da improvisação e do caos verbal, sem ser o próprio Robin Williams. Um desafio de atuação que exige coragem.

A Majestade de Robin Williams (e a Importância da Homenagem)
Embora a homenagem seja pequena, ela é uma excelente maneira de Stranger Things reconhecer a genialidade de Robin Williams, que venceu um Globo de Ouro e foi indicado ao Oscar por seu trabalho em Bom Dia, Vietnã.
Críticos lendários como Roger Ebert elogiaram a performance de Williams como a melhor até então, alegando que foi a primeira vez que o ator conseguiu demonstrar emoção humana autêntica na tela, escapando de suas personas cômicas habituais. O diretor Barry Levinson permitiu que Williams improvisasse boa parte de seus diálogos, capitalizando sua habilidade como um dos maiores stand-up comics da história.
Ao piscar para Bom Dia, Vietnã, Stranger Things 5 não apenas enriquece sua história, mas também garante que a atuação lendária de Williams ressoe com uma nova geração que talvez só o conheça como o Gênio de Aladdin ou a Sra. Doubtfire. É uma aula de cinema misturada com o bapho do Mundo Invertido.

