New York Film Critics Circle 2025 wagner moura

New York Film Critics Circle 2025: o culto oficial de Uma Batalha Após a Outra já começou

Os membros do New York Film Critics Circle 2025 fizeram exatamente o que todo mundo sabia que eles iam fazer: transformaram One Battle After Another, do Paul Thomas Anderson, em religião oficial da crítica nova-iorquina. Se o prêmio de Melhor Filme fosse pra qualquer outro título, já dava pra abrir sindicância e chamar psicólogo pra meia dúzia de votante obcecado.

A verdade é que a votação deste ano parece menos uma disputa e mais um checklist de fixação cinéfila: o filme já vinha sendo carregado no colo há semanas, ganhou Gotham, ganhou textão, ganhou thread emocionada no X… agora ganhou também o selo NYFCC de “melhor do ano” – que, na cabeça de muito crítico, vale mais que cheque de streaming.


Melhor Filme: One Battle After Another e o clubinho do hype

Nada de surpresa aqui:

  • Melhor Filme: One Battle After Another

PTA segue sendo o queridinho que faz filme pra gente que sente saudade de quando cinema “de adulto” não precisava de super-herói para existir. One Battle After Another virou aquele tipo de obra que, se você não amar, corre o risco de ser tratado como analfabeto audiovisual nas rodinhas de críticos.

Pra completar o pacote, Benicio Del Toro leva Melhor Ator Coadjuvante pelo mesmo filme – porque se é pra idolatrar, vamos idolatrar direito. Del Toro entra no prêmio como o cara que aparece menos tempo em cena do que a timeline inteira do X faz parecer, mas rouba o filme sempre que respira.


Melhor Diretor: Jafar Panahi, porque a realidade ainda ganha de qualquer roteiro

Enquanto a turma de NY deitava e rolava em cima de One Battle After Another, o prêmio de Melhor Diretor foi pra um caminho menos óbvio – e bem mais político:

  • Melhor Diretor: Jafar Panahi, por It Was Just An Accident

Panahi já tinha passado o rodo no Gotham Awards (Direção, Roteiro Original, Filme Internacional) menos de 24 horas antes. Agora emenda o NYFCC como quem diz: “sim, ainda tem gente usando cinema pra falar de opressão real, não só de crise existencial de homem branco em crise criativa”.

É aquele tipo de escolha que deixa a temporada interessante: filme do ano é um, diretor do ano é outro. A mensagem é clara: “amamos PTA, mas quem tá apanhando do mundo de verdade é o Panahi”.


Wagner Moura, Rose Byrne e o resto da gangue premiada

O line-up de atuação é um ótimo resumo de como a crítica quer pautar conversa de bar cinéfilo pelos próximos meses:

  • Melhor Ator: Wagner Moura – O Agente Secreto
    Brasileiro levando prêmio de melhor ator no NYFCC não é pouca coisa. Kleber Mendonça Filho dirige, Moura protagoniza e O Agente Secreto ainda leva Melhor Filme Internacional. É o tipo de combo que grita “campanha de Oscar” em neon.

  • Melhor Atriz: Rose Byrne – If I Had Legs I’d Kick You
    Rose Byrne vem daquele lugar confortável de “sempre ótima, raramente reconhecida”. Agora ganha um papel com título de filme perfeito pra cinéfilo poser tatuar e garantir o primeiro grande prêmio da temporada.

  • Melhor Atriz Coadjuvante: Amy Madigan – Weapons
    Outro filme da Warner sendo empurrado pro radar com carinho de sindicato. Madigan entra no rol de atuações que viram argumento de “você precisa ver esse filme, nem que seja só por ela”.

  • Melhor Ator Coadjuvante: Benicio Del Toro – One Battle After Another
    Já citado, mas vale repetir: Del Toro é a prova viva de que “aparecer pouco e esmagar todo mundo” continua sendo estratégia campeã de temporada de prêmio.


Safdies, animação K-pop e outras escolhas de nicho

O resto da lista parece aquele momento em que o NYFCC pensa: “ok, já carimbamos os queridinhos, agora vamos provar que ainda somos muito, muito Nova York”.

  • Melhor Roteiro: Ronald Bronstein & Josh Safdie – Marty Supreme
    Safdies fazendo roteiro “muito Nova York” sobre gente quebrada, caos urbano e neurose? Chocante zero pessoas. O prêmio de roteiro vem carimbando a imagem: se é pra falar de ansiedade urbana, chama os caras.

  • Melhor Filme de Não Ficção: My Undesirable Friends: Part I – Last Air in Moscow
    Documentário que já tinha vencido no Gotham e agora repete o feito aqui. Parte I, Moscou no título, amigos indesejáveis… claramente material premium pra quem sente que documentário bom tem que cheirar a geopolítica e trauma.

  • Melhor Filme de Animação: KPop Demon Hunters
    A “surpresa”. Em vez de ficar no óbvio da temporada, o círculo entrega o prêmio pra um título que parece ter sido inventado por algoritmo da Crunchyroll em crise de identidade: K-pop + demônios + caça = check.

  • Melhor Fotografia: Autumn Durald – Sinners
    Autumn Durald segue se consolidando como uma das diretoras de fotografia mais interessantes da safra. O prêmio reforça aquela máxima: pode até mudar o formato, mas a assinatura visual ainda rende troféu.

  • Melhor Primeiro Filme: Eephus
    Sempre tem aquele título que ninguém viu, mas que garante ao NYFCC o direito de falar “a gente descobriu antes de virar modinha”.


E agora? Temporada de prêmios oficialmente aberta

Com o New York Film Critics Circle 2025 já carimbando seus favoritos – One Battle After Another, Panahi, Wagner Moura, Rose Byrne, Safdies –, a mensagem está dada:

  • PTA é o “filme-pet” da crítica este ano.

  • Panahi é o “cineasta sério” que todo mundo precisa citar pra não parecer superficial.

  • The Secret Agent é o cavalo estrangeiro que pode chegar forte no Oscar.

  • E o resto da temporada (NBR, LAFCA, Globo de Ouro, BAFTA, Oscar) vai fingir que decide algo sozinho, mas a verdade é simples: Nova York já puxou a fila, o resto só acompanha com mais ou menos resistência.

Se você gosta de prêmio previsível com verniz de sofisticação, sua temporada começou bem. Se você gosta de caos, pode esperar: ainda tem muito sindicato, muito lobby e muita lista de melhores do ano vindo aí pra discordar de você pessoalmente.