Se você achou que His & Hers era só mais um suspense elegante para maratonar no streaming, Tessa Thompson está aqui para provar o contrário. Em uma conversa franca e cheia de revelações, a atriz — que também atua como produtora executiva da série — explicou por que a história foi pensada para confundir, provocar e deixar o público desconfortável até o último segundo.
O resultado é uma daquelas produções que não terminam quando os créditos sobem. Elas continuam ecoando, levantando debates sobre verdade, narrativa, poder e culpa. E, sim, aquele final que explodiu as redes não foi acidente.
Um suspense construído para derrubar certezas
Desde o início, His & Hers brinca com a sensação de controle do espectador. A série acompanha Anna, vivida por Tessa Thompson, uma jornalista que retorna à cidade natal no exato momento em que um assassinato começa a revelar segredos enterrados há décadas. O detalhe que muda tudo? A história é contada a partir de duas perspectivas conflitantes: a dela e a de seu ex-marido, Jack, interpretado por Jon Bernthal.
Segundo Thompson, esse foi o principal gancho que a fez se envolver no projeto não apenas como atriz, mas também nos bastidores criativos.
Ela conta que o fascínio começou ainda no livro de Alice Feeney, no qual a série é baseada. A estrutura com narradores pouco confiáveis criava uma tensão quase cruel: o leitor acredita que está entendendo tudo — até perceber que talvez não esteja entendendo nada.
Traduzir o livro para a tela foi o maior desafio
Na transição para a televisão, o maior problema era claro: como substituir o monólogo interno do livro por algo visualmente impactante?
A solução encontrada foi tão conceitual quanto prática. A série adota linguagens visuais distintas para cada ponto de vista. Quando a narrativa está com Anna, o olhar da câmera, a composição e até a sensação emocional mudam. O mesmo acontece quando a história passa para Jack.
Não é apenas um truque estilístico. É uma forma de reforçar que, em His & Hers, a verdade depende de quem está contando a história.
Uma protagonista difícil — e propositalmente imperfeita
Outro ponto que Thompson defende com convicção é a construção de Anna como uma personagem moralmente ambígua. Ela não tenta ser simpática. Ela erra. Manipula. Toma decisões questionáveis.
E isso é exatamente o que interessa à atriz.
Para Thompson, personagens “agradáveis demais” costumam ser irreais. Já figuras cheias de contradições refletem melhor a experiência humana — especialmente em histórias sobre poder, ambição e sobrevivência.
O final que mudou tudo (e dividiu o público)
⚠️ Atenção: spoilers de His & Hers ⚠️
Quem leu o livro talvez tenha sido pego totalmente de surpresa. A série abandona a revelação original e aponta para um caminho ainda mais desconfortável: o assassinato não é responsabilidade de Anna, mas de sua mãe.
A mudança transforma completamente o significado da história. Em vez de um suspense individual, His & Hers se torna um drama geracional, sobre herança emocional, culpa silenciosa e segredos que atravessam famílias.
Segundo Thompson, o mais importante nunca foi “quem matou”, mas o que essa revelação faz com Anna: como isso afeta sua carreira recém-recuperada, seu casamento, sua relação com a maternidade e, sobretudo, sua identidade.
O final não oferece catarse. Ele oferece um fardo. E deixa o público com uma pergunta incômoda: o que você faria com essa verdade?

Um gancho perfeito para futuras temporadas?
Longe de encerrar a história, o final abre novas possibilidades. A própria atriz sugere que o conceito de His & Hers pode se expandir para outros personagens, outras relações e outros conflitos.
A ideia central — versões concorrentes da verdade — é praticamente infinita.
Valkyrie, Marvel e “Creed 4”: o futuro de Tessa Thompson
Durante a conversa, inevitavelmente surgiram perguntas sobre o futuro da atriz em grandes franquias. Thompson foi cuidadosa ao falar sobre um possível retorno como Valkyrie no MCU, mas deixou claro que o carinho pela personagem continua intacto.
Ela também comentou sobre Creed e a possibilidade de um quarto filme. Segundo a atriz, a força da franquia está em acompanhar os personagens conforme a vida real avança — incorporando amadurecimento, conflitos e mudanças genuínas.
Por que His & Hers virou assunto?
Porque a série não entrega conforto. Ela questiona a ideia de verdade absoluta, expõe como narrativas são moldadas por poder e perspectiva e termina sem respostas fáceis. Em um cenário saturado de mistérios descartáveis, isso é quase um ato de rebeldia.
No fim, His & Hers não quer que você descubra “quem fez”.
Ela quer que você questione por que acreditou em quem acreditou. Leia o final explicado aqui.
A entrevista original faz parte do podcast Bingeworthy e foi publicada pelo The Playlist, fonte usada aqui como referência única.

