Como Assistir Indiana Jones: O Guia Definitivo Para Não Se Perder
Olha, assistir Indiana Jones parece simples, né? São “só” cinco filmes. Mas aí você descobre que tem série, tem flashbacks, tem prequel disfarçado de sequência, e de repente você tá mais perdido que turista em aeroporto do Galeão.
A boa notícia? Eu vou te salvar dessa confusão. A má notícia? Dependendo da ordem que você escolher, a experiência muda completamente. É tipo comer brigadeiro antes ou depois do almoço – tecnicamente funciona, mas o timing importa.
Vamos destrinchar as duas principais formas de assistir (ordem de lançamento vs. cronológica) e eu vou te dar minha opinião brutalmente honesta sobre qual funciona melhor. Spoiler: tem pegadinha no meio do caminho.
Opção 1: Ordem de Lançamento (A Clássica)
Esta é a ordem que os filmes foram lançados nos cinemas. É a experiência “pura”, como Spielberg e Lucas planejaram que você assistisse.
1. Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1981)
Onde assistir: Disney+, Paramount+, aluguel digital
O original. O intocável. O filme que definiu blockbuster de aventura para sempre.
Egito, 1936. Indy (Harrison Ford no auge absoluto) corre atrás da Arca da Aliança antes dos nazistas colocarem as mãos nela. Tem cobra, tem nazista derretendo, tem Marion Ravenwood (Karen Allen) sendo a melhor interesse romântica da franquia inteira.
Por que começar aqui: Porque é perfeito. Simples assim. Você conhece Indiana Jones do jeito certo: como um arqueólogo durão, sarcástico, com medo de cobra e péssimo com relacionamentos. O filme estabelece todas as regras da franquia.
Nota: 10/10 – Obra-prima atemporal.
2. Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984)
Onde assistir: Disney+, Paramount+, aluguel digital
Aqui vem a pegadinha: “Templo da Perdição” é um PREQUEL.
A história se passa em 1935, um ano antes de “Caçadores da Arca Perdida”. Mas foi lançado como segunda filme em 1984.
Índia colonial. Indy foge de Shanghai, cai na Índia, enfrenta culto Thuggee que arranca corações, salva crianças escravizadas e aguenta Willie Scott (Kate Capshaw) gritando por duas horas.
Por que assistir na ordem de lançamento mesmo sendo prequel:
- Porque Lucas e Spielberg queriam que você assistisse assim
- O tom é MUITO mais dark que o primeiro (tem criança sendo chicoteada, cara arrancando coração vivo, lavagem cerebral)
- Funcionou como experimento – eles queriam ver se conseguiam fazer Indy funcionar em registro mais pesado
- Willie é objetivamente a pior personagem feminina da franquia, mas faz você valorizar Marion no próximo filme
Curiosidade: Este filme é o motivo da classificação PG-13 existir. Pais reclamaram da violência e Spielberg ajudou a criar a categoria intermediária entre PG e R.
Nota: 7/10 – Problemático, barulhento, mas tem o carrinho de mina mais foda do cinema.
3. Indiana Jones e a Última Cruzada (1989)
Onde assistir: Disney+, Paramount+, aluguel digital
De volta para 1938. Indy procura o Santo Graal e, mais importante, procura o pai (Sean Connery perfeito).
Este é o filme que salvou a franquia. Depois do tom pesado de “Templo”, Spielberg voltou para aventura leve com química explosiva entre Ford e Connery. É basicamente uma buddy comedy disfarçada de filme de aventura.
Por que funciona: A relação pai e filho é o coração emocional. Você vê flashbacks de Indy jovem (River Phoenix, RIP), entende de onde vem o medo de cobra, o chapéu, o chicote. É fechamento perfeito para a trilogia original.
Cena inesquecível: Indy atirando no cara da espada em vez de lutar. “He chose… poorly” quando o nazista escolhe o cálice errado. Sean Connery metendo bala de metralhadora no próprio avião.
Nota: 9.5/10 – Quase perfeito. Perdeu meio ponto porque Elsa (Alison Doody) é personagem descartável.
4. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008)
Onde assistir: Disney+, Paramount+, aluguel digital
19 ANOS DEPOIS.
1957, Guerra Fria. Indy agora tem 50 e poucos anos, enfrenta soviéticos em vez de nazistas, e descobre que tem um filho (Shia LaBeouf de topete e jaqueta de couro).
O elefante na sala: Aliens. Geladeira nuclear. Shia balançando em cipós com macacos CGI.
Por que assistir mesmo com os problemas:
- Harrison Ford ainda é carismático pra caramba
- Ver Indy envelhecendo é interessante (mesmo que doloroso)
- Marion Ravenwood volta!
- É dirigido por Spielberg (o quinto não é)
- Prepara você psicologicamente para aceitar que às vezes nossos heróis deveriam ter ficado aposentados
Nota: 6/10 – Divertido se você desligar o cérebro. Doloroso se você ligar.
5. Indiana Jones e a Relíquia do Destino (2023)
Onde assistir: Disney+, aluguel digital
ANOS DEPOIS… (de novo).
Em 1969, Indy tem quase 70 anos, está aposentado, divorciado, deprimido. Aí aparece a afilhada Helena (Phoebe Waller
Bridge) arrastando ele numa última aventura envolvendo o Disca de Arquimedes e viagem no tempo.
James Mangold dirige (Spielberg só produziu). Harrison Ford foi de-aged por CGI na abertura.
Sinceridade brutal: Este filme existe porque Disney pagou muito dinheiro. Não porque tinha história pra contar.
Pontos positivos:
- Harrison Ford entrega tudo que tem
- Cena de abertura é espetacular
- Phoebe Waller-Bridge tem química com Ford
- Reconhece que Indy é velho e cansado (não tenta fingir que ele ainda pula de prédio)
Pontos negativos:
- Ritmo arrastado
- Vilão genérico (Mads Mikkelsen desperdiçado)
- Viagem no tempo não funciona num filme de Indiana Jones
- Fim melancólico demais
Nota: 6.5/10 – Melhor que “Caveira de Cristal”, mas ainda desnecessário.
Opção 2: Ordem Cronológica (Para Corajosos)
Se você quiser assistir na ordem em que as histórias acontecem, fica assim:
1. Indiana Jones e o Templo da Perdição (1935)
2. Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida (1936)
3. Indiana Jones e a Última Cruzada (1938)
4. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (1957)
5. Indiana Jones e a Relíquia do Destino (1969)
Minha opinião: NÃO FAÇA ISSO.
Sério. Começar com “Templo da Perdição” é tipo começar “Star Wars” pelo Episódio I. Tecnicamente faz sentido cronológico, mas destrói a experiência.
“Templo” é o filme mais fraco da trilogia original. Começar por ele é se apresentar ao Indiana Jones no pior dia dele, com a companhia mais irritante (Willie), sem o contexto do que torna o personagem especial.
Você perde toda a progressão emocional que Lucas e Spielberg construíram.
E a Série “Crônicas do Jovem Indiana Jones”?
Ah, sim. De 1992 a 1996, George Lucas produziu The Young Indiana Jones Chronicles para TV.
A série mostra Indy criança (8-10 anos, por Corey Carrier) e adolescente (16-21 anos, por Sean Patrick Flanery) vivendo aventuras históricas entre 1908-1920.
Vale a pena?
Olha… depende da sua paciência.
Pontos positivos:
- Educacional pra caramba (Indy conhece Freud, Teddy Roosevelt, Picasso, Lawrence da Arábia)
- Produção impecável para TV dos anos 90
- Expande MUITO o universo do personagem
- Explica várias referências dos filmes
Pontos negativos:
- Ritmo de novela educativa
- Pouquíssima ação comparado aos filmes
- 44 episódios de 1 hora cada = investimento pesado
- Não é essencial para entender os filmes
Veredicto: Assista só se você já for fã incondicional e quiser mergulhar fundo. Não é pré-requisito para nada.
Onde assistir: Paramount+ tem a versão recompilada em filmes TV (foram cortados 94 episódios em 22 filmes de 90 minutos).
Qual Ordem EU Recomendo?
Para quem nunca assistiu:
Ordem de lançamento, sem discutir.
- Caçadores da Arca Perdida
- Templo da Perdição
- Última Cruzada
- [PARE AQUI se quiser preservar memórias felizes]
- Reino da Caveira de Cristal [só se tiver curiosidade mórbida]
- Relíquia do Destino [só se REALMENTE não tiver nada melhor pra fazer]
Por quê? Porque é assim que a narrativa foi construída. Você conhece o herói no auge, vê ele enfrentar desafios, testemunha o fechamento emocional perfeito em “Última Cruzada”, e pode parar ali com a alma em paz.
Os dois últimos são extras. Tipo episódios especiais de série que já acabou.
Para quem já assistiu tudo:
Faça uma maratona da trilogia original e ignore o resto.
Sério. Reveja os três primeiros de uma sentada. É catarse cinematográfica. Você vai lembrar por que essa franquia importa.
Se bater saudade masoquista, coloque “Caveira de Cristal” depois. Mas não se sinta obrigado.
“Relíquia do Destino” deixe para quando estiver entediado numa tarde chuvosa.
Para quem quer impressionar numa conversa de boteco:
Assista nesta ordem ESPECÍFICA:
- Caçadores da Arca Perdida
- Última Cruzada (pule Templo da Perdição)
- Templo da Perdição (agora sim, como curiosidade)
- Ignore o resto
Por quê? Porque você pega a essência da franquia (Caçadores), vê o melhor complemento emocional (Última Cruzada com o pai), e então volta para ver a experiência mais dark como um “e se…?” experimental.
Funciona surpreendentemente bem e você economiza 4 horas da sua vida.
Detalhes Cronológicos Que Importam
Se você é nerd de continuidade (eu sei que é), aqui vai a linha do tempo completa:
1899 – Henry Walton Jones Jr. nasce
1908-1910 – Aventuras de Indy criança (Crônicas)
1916-1920 – Aventuras de Indy adolescente/jovem adulto (Crônicas)
1935 – Templo da Perdição (Indy com 36 anos)
1936 – Caçadores da Arca Perdida (37 anos)
1938 – Última Cruzada (39 anos)
1957 – Reino da Caveira de Cristal (58 anos)
1969 – Relíquia do Destino (70 anos)
Curiosidade: Em “Última Cruzada”, há flashback de Indy com 13 anos (1912), jogando fora essa cronologia certinha das Crônicas. Lucas nunca explicou direito a discrepância.
Maratona Definitiva: Quanto Tempo Você Precisa?
Trilogia Original:
- Caçadores: 1h55
- Templo: 1h58
- Cruzada: 2h07
- TOTAL: 6 horas
Saga Completa (5 filmes):
-
- Caveira de Cristal: 2h02
-
- Relíquia do Destino: 2h34
- TOTAL: 10h36
Com as Crônicas (versão filme TV):
- 22 filmes de ~90min = 33 horas adicionais
- TOTAL ABSOLUTO: ~44 horas
Traduzindo: você pode ver a trilogia perfeita num sábado preguiçoso ou gastar quase dois dias inteiros se quiser ser completista.
Perguntas Que Você Vai Fazer (E Minhas Respostas Honestas)
“Preciso assistir Templo da Perdição?”
Tecnicamente não. É o elo mais fraco. Mas tem o carrinho de mina, o coração sendo arrancado, e Short Round (que virou inspiração pro Data de Goonies). Assista uma vez, pelo menos.
“Devo pular os dois últimos?”
Olha, eles não vão adicionar nada essencial. Se você quer manter Indiana Jones como memória perfeita, pare em “Última Cruzada”. Mas se você curte ver Harrison Ford sendo Harrison Ford independente do roteiro, vá em frente.
“Vale a pena em 4K?”
SIM. A coleção 4K remasterizada é LINDA. Especialmente “Caçadores” – parece que foi filmado ontem. Vale cada centavo se você tiver TV/projetor decente.
“Tem cena pós-créditos?”
Não em nenhum dos cinco. Lucas e Spielberg são old school. Quando acaba, acabou.
“Qual o melhor para assistir com crianças?”
“Caçadores da Arca Perdida” é PG (EUA) / 12 anos (Brasil) mas tem nazistas derretendo. “Última Cruzada” é mais família-friendly. EVITE “Templo da Perdição” com crianças – é PG-13 com razão.
Curiosidades Para Esnobar Com os Amigos
- River Phoenix (que faz Indy jovem em “Última Cruzada”) morreu em 1993. Houve planos de fazer filmes com ele como jovem Indy.
- Sean Connery recusou voltar em “Caveira de Cristal”. Eles mataram Henry Sr. off-screen. Connery depois admitiu que foi porque o papel era muito pequeno.
- “Caçadores” foi feito porque Spielberg queria dirigir um James Bond e foi recusado. Então criou algo melhor.
- O som do chicote? É um casaco de couro sendo balançado em estúdio. Ben Burtt (designer de som) gravou centenas de takes.
- Harrison Ford machucou o joelho gravando “Templo” e teve que fazer várias cenas sentado ou parado. Por isso Indy fica tanto tempo preso em cadeira/cama naquele filme.
Veredito Final: Como Você Deveria Assistir?
Primeira vez? Ordem de lançamento.
Revisitando? Só a trilogia original.
Quer tudo? Prepare pipoca, cerveja e fim de semana livre.
Quer cronologia? Terapia seria mais barato.
Indiana Jones não é Marvel com multiverso e linha do tempo complexa. É uma franquia simples e perfeita que foi esticada além do necessário.
Os três primeiros são obra-prima.
Os dois últimos são… fãs service caro.
Assista com coração aberto, cérebro meio fechado, e nunca, NUNCA leve a geladeira nuclear a sério.
Boas aventuras, doutor Jones. 🎩🔦


