Será que vale a pena ver o filme da sessão da tarde hoje? Depende do seu nível de tolerância a duas coisas: nostalgia e audácia. Porque Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é aquele tipo de aventura que entra na sua sala como um tio famoso que voltou do churrasco com ideias “geniais”. Você olha, reconhece o charme, mas também pensa: “ok, quem deixou esse homem perto do cooler?”
Aqui, Steven Spielberg pega o Indiana Jones e joga o arqueólogo mais icônico do cinema no liquidificador da Guerra Fria, com sovietes, paranoia, conspirações e um “toque” de ficção científica anos 1950. E quando eu digo toque, é aquele toque que derruba o saleiro inteiro na panela e finge que foi “estilo”.
Sobre o que é Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal?
A trama se passa em 1957, quando o mundo está dividido entre capitalismo, comunismo e gente que acha que um artefato místico vai resolver tudo. O Indy (Harrison Ford, com o carisma de quem já viu três apocalipses e ainda assim consegue fazer piada) é arrastado para uma caçada por uma relíquia lendária: a Caveira de Cristal, uma peça que parece saída de um museu esotérico e de um episódio de teorias conspiratórias ao mesmo tempo.
Na outra ponta do chicote, temos agentes soviéticos liderados por uma vilã que chega com presença de palco e corte de cabelo afiado: Irina Spalko (Cate Blanchett). Ela quer a caveira porque acredita que esse negócio tem poder de mexer com a mente humana. Sim, é Indiana Jones flertando com “controle mental” e “segredos que desafiam ciência e história”. É o filme dizendo: “arqueologia é legal, mas já pensou em colocar um pouco de… espaço sideral na brincadeira?”
Indy não está sozinho. Ele é acompanhado pelo jovem Mutt (Shia LaBeouf), um rebelde de jaqueta que parece ter saído de um catálogo de “juventude problematizada” dos anos 50. No meio do caos, reaparece Marion Ravenwood (Karen Allen), aquela energia que sempre fez o Indy parecer menos invencível e mais humano — ou seja, a parte boa da franquia que não depende de explosão.
Para quem é?
Esse filme é para três tipos de público:
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Quem cresceu com Indiana Jones e aceita rever o personagem mais velho, mais cansado, mas ainda mandando bem no “modo sobrevivente”.
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Quem curte aventura com clima de mistério pulp, tipo A Lenda do Tesouro Perdido, Uncharted e até um temperinho de Arquivo X, só que com mais poeira e menos burocracia.
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Quem gosta de filme que, de vez em quando, olha para a própria lógica e diz: “tá bom, hoje eu não vou trabalhar”.
Agora, aviso amigável: se você não curte quando uma franquia ultrapassa a linha do “exagero divertido” e pisa no “exagero que vira meme”, talvez você sinta vontade de discutir com a TV. E tudo bem. Faz parte do pacote.
Quem está no elenco?
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Harrison Ford (Indiana Jones): o herói que prova que “não são os anos, é a quilometragem” — e o filme faz questão de lembrar isso.
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Cate Blanchett (Irina Spalko): vilã com aura de professora severa que decidiu brincar de espionagem com objetos impossíveis. Ela se diverte, e isso segura muita cena.
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Karen Allen (Marion Ravenwood): volta com aquela força de quem sabe que Indy precisa de alguém que não compre a pose dele.
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Shia LaBeouf (Mutt): o “herdeiro do caos” — metade coragem, metade impulsividade, 100% energia de adolescente que acha que sabe tudo.
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Ray Winstone, John Hurt e Jim Broadbent: o trio de apoio que entra para dar textura, confusão e um toque de “estou aqui porque Spielberg chamou”.
Veredicto: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é bom?
Assistir a esse filme é como reencontrar um amigo brilhante que voltou com um hobby novo e insistiu em te apresentar: você ainda gosta dele, mas não tem certeza se precisa ver a coleção inteira.
O lado bom: Spielberg ainda sabe montar set pieces de aventura como poucos. O filme tem ritmo, senso de espetáculo e aquela energia de matinê cara, com mapa imaginário na cabeça e adrenalina no volante. E Ford continua sendo Ford: ele anda, olha, suspira e você acredita que aquele homem já escapou de coisa pior do que a sua segunda-feira.
O lado “ai, Spielberg”: a história dá umas derrapadas na suspensão da descrença. Tem decisões que parecem ter sido aprovadas por um comitê formado por nostalgia, açúcar e “vamos deixar mais grandioso”. Em certos momentos, o filme flerta com o absurdo de um jeito que divide a plateia: uns se divertem, outros decretam “aqui passou do ponto”.
No saldo final, vale o play na sessão da tarde hoje se você quer uma aventura pipoca, com carisma, perseguição, mistério e aquele gostinho de franquia clássica — desde que você aceite que este Indiana Jones é o capítulo em que a série resolveu brincar com o impossível sem pedir licença.
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