Se eu te dissesse que Andrew Kevin Walker, o gênio sombrio que escreveu Se7en (o filme que definiu o gênero de serial killers nos anos 90), lançaria um filme chamado “Psycho Killer” em 2026, você provavelmente pensaria que é uma piada. É quase como se o David Cronenberg lançasse um filme chamado “Body Horror” — óbvio demais para ser verdade. Mas a verdade, meus amigos, é que o filme existe, estreou contra gigantes como Glen Powell e Sam Raimi, e o resultado… bem, digamos que o título genérico é apenas o começo dos problemas.
Dirigido por Gavin Polone (produtor de O Quarto do Pânico), o longa tenta capturar aquela atmosfera suja e perturbadora de 8mm, mas acaba se perdendo em uma névoa de clichês e falta de lógica.
Uma Premissa Promissora, uma Execução Displicente
O filme começa bem. Na verdade, segundo a crítica especializada, ele gasta todo o seu cartucho logo na primeira cena. A talentosa Georgina Campbell (de Noites Brutais) interpreta Jane Archer, uma policial que testemunha o assassinato brutal de seu marido e parceiro de patrulha durante uma abordagem rodoviária de rotina.
O assassino? Um tipo estranho apelidado de “Satanic Slasher”, que usa uma máscara de gás e parece ter saído diretamente de um filme de terror de baixo orçamento dos anos 80. A partir daí, o filme se torna uma perseguição obsessiva de Jane, intercalada com os crimes do assassino, repletos de sangue em CGI e uma edição que deixa muito a desejar.
O thriller de 19 anos que finalmente saiu do limbo (e talvez devesse ter ficado lá)
Existem filmes que demoram a sair do papel por excesso de perfeccionismo, e existem filmes como “Psycho Killer”, que parecem ter sido esquecidos em uma gaveta por quase duas décadas até que alguém decidiu, em 2026, que era hora de finalmente rodar a manivela. O novo longa de Andrew Kevin Walker (o roteirista do lendário Se7en) chegou aos cinemas norte-americanos em 20 de fevereiro, mas o rastro de críticas negativas e o amargor de uma produção que “envelheceu no balcão” já são o assunto principal dos cinéfilos.
Produção Atravessou Gerações
Se você acha que a espera por Avatar foi longa, tente acompanhar a cronologia de Psycho Killer. O roteiro original de Walker já circulava online em 2007. Para se ter uma ideia do tempo perdido:
Em 2009, o roqueiro Fred Durst (Limp Bizkit) estava escalado para dirigir.
Em 2010, o projeto passou para as mãos de Gavin Polone, com Eli Roth na produção e um orçamento de US$ 17 milhões.
Entre 2011 e 2023, o filme saltou de produtora em produtora, passando por empresas alemãs e independentes, até que a New Regency finalmente deu o sinal verde definitivo em 2023.
O resultado dessa gestação de 19 anos? Um filme que, segundo os críticos, parece ter saído de uma cápsula do tempo, mas não de um jeito bom. O “Pânico Satânico” que servia de base para o roteiro em meados dos anos 2000 hoje soa datado e sem o frescor que o gênero de terror conquistou na última década.
O “Massacre” da Crítica: O Review do The Playlist
Se você estava esperando um novo clássico cult, o pessoal do The Playlist jogou um balde de água gelada (e bem ácida) nas expectativas. Com uma nota [D], o site não poupou críticas à falta de empenho de todos os envolvidos.
Os pontos mais baixos destacados pelo texto:
Falta de Identidade: O review aponta que o design do vilão é uma cópia descarada de outros slashers recentes, como o brutamontes de In A Violent Nature.
Logística Inexistente: O site ironiza a falta de lógica do roteiro de Walker. O assassino tem dois metros de altura, usa uma máscara de gás em público e faz check-in em motéis usando seu nome real, mas ninguém parece notar nada de estranho? “Logic clearly isn’t a priority”, diz o texto.
Confusão Temporal: O filme usa símbolos do “Pânico Satânico” dos anos 80, mas cita fóruns tipo 4chan, criando uma desconexão estranha que não parece proposital, mas apenas desleixada.
O Clímax Bizarro: O review questiona, com certa dose de sarcasmo, por que diabos o confronto final precisa acontecer em uma usina nuclear.
Quando estreia no Brasil?
Se você ficou curioso para ver esse desastre ferroviário assinado pelo roteirista de Se7en e estrelado por lendas como Malcolm McDowell, aqui vai a (má) notícia:
Sem previsão oficial.
Considerando a recepção fria nos EUA e a distribuição via 20th Century Studios, é possível que o filme chegue diretamente em plataformas de streaming como a Disney+ ou Star+, sem passar pelas salas de cinema nacionais.
O veredito do Buteco:
O grande pecado de Psycho Killer, segundo o review, não é ser apenas ruim, mas ser tedioso. Para um filme com esse título e esse pedigree, ele deveria ser, no mínimo, um “lixo divertido” ou uma obra de baixo calão corajosa. Em vez disso, o que temos é um filme morno, mudo e curiosamente desinteressado em sua própria história de horror.
É triste ver o nome de Andrew Kevin Walker associado a algo tão genérico. Se você busca o visceral, volte para Se7en. Se busca o bizarro, assista 8mm. Psycho Killer parece ser o tipo de filme que todos os envolvidos prefeririam que tivesse ficado no limbo do desenvolvimento.

