Depois de viver uma das fases mais importantes de sua carreira internacional, Wagner Moura já sabe exatamente o que quer do próximo capítulo em Hollywood — e não se trata apenas de prêmios. Em tom bem-humorado, mas com ambição clara, o ator revelou que seu novo objetivo é simples e simbólico: almoçar com Leonardo DiCaprio.
A declaração foi feita em entrevista à Variety, após a consagração internacional de O Agente Secreto, longa que colocou Moura no centro da corrida do Oscar 2026 e o tornou o primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator na história da Academia.
“Quero continuar trabalhando com grandes diretores. Adoraria trabalhar com Paul Thomas Anderson. Adoraria estar em um filme dirigido por Martin Scorsese. Quero almoçar com Leonardo DiCaprio”, disse o ator, rindo — mas sem parecer estar brincando.
Mais do que fama, acesso
A fala de Wagner Moura vai além da anedota divertida. Para o ator, a indicação ao Oscar representa algo ainda mais valioso do que visibilidade: acesso. Acesso a reuniões, projetos, conversas e, principalmente, à possibilidade de ser considerado para papéis que antes estavam fora de alcance.
“Espero que esta indicação me proporcione acesso a diretores e atores como esses. Se ela me trouxer alguma coisa, será isso — ser considerado. Isso já seria o suficiente”, afirmou.
A palavra-chave aqui é “considerado”. Em Hollywood, ser lembrado, chamado para a mesa e ouvido muitas vezes vale mais do que vencer a estatueta.
Um caminho construído fora do óbvio
Embora a indicação ao Oscar marque um ponto de virada, a trajetória internacional de Wagner Moura não começou agora. O ator já havia conquistado reconhecimento global ao interpretar Pablo Escobar na série Narcos e, mais recentemente, ao integrar o elenco de Guerra Civil, dirigido por Alex Garland.
Ainda assim, O Agente Secreto elevou o patamar. O filme não só recebeu múltiplas indicações importantes como também colocou Moura frente a frente, na mesma categoria, com nomes como Timothée Chalamet, Leonardo DiCaprio, Michael B. Jordan e Ethan Hawke.
Para um ator brasileiro, competir diretamente com esse grupo é um feito que redefine fronteiras e expectativas.
Hollywood, mas sem perder o Brasil
Apesar do foco internacional, Wagner Moura segue reforçando que sua identidade artística continua profundamente ligada ao Brasil. Em entrevistas recentes, ele destacou a diversidade do elenco de O Agente Secreto e afirmou que o filme representa “vários Brasis” — tanto estética quanto politicamente.
Esse equilíbrio entre projeção global e raízes locais é, hoje, um dos diferenciais do ator. Em vez de se moldar totalmente ao sistema hollywoodiano, Moura parece interessado em ocupar espaço sem se diluir, levando sua bagagem cultural consigo.
O Oscar como ponto de partida, não de chegada
A cerimônia do Oscar acontece no dia 15 de março, no Dolby Theatre, em Los Angeles. Independentemente do resultado, Wagner Moura já saiu vencedor em um aspecto crucial: ele entrou definitivamente no radar da indústria.
Se vai ganhar a estatueta? Ninguém sabe.
Se vai trabalhar com Scorsese ou Paul Thomas Anderson? Ainda é cedo.
Mas se vai, pelo menos, almoçar com Leonardo DiCaprio?
Depois dessa indicação histórica, a mesa já parece estar posta.

