o homem invisível crítica

Clube do Filme CdB #16 | O HOMEM INVISÍVEL: quando o terror é sobre o que ninguém vê

Depois do fracasso de A Múmia com Tom Cruise, a Universal enterrou o tal Dark Universe e parecia ter desistido de seus monstros clássicos. Só que aí veio Leigh Whannell (co-criador de Jogos Mortais) para mostrar que não precisa de cientista maluco nem capa de invisibilidade para dar medo — basta olhar para dentro de um relacionamento abusivo.

Em O Homem Invisível (2020), a protagonista é Cecilia (Elisabeth Moss), uma mulher que foge do ex-namorado controlador e violento. O problema é que, mesmo após sua morte “oficial”, ela continua sentindo a presença dele em todos os cantos. A genialidade do filme está justamente aí: o público nunca sabe se acredita nela ou se tudo é fruto de uma mente traumatizada.

Whannell atualiza o clássico de H.G. Wells trocando a ficção científica pela metáfora social. E o faz lembrando que terror não é só susto, sangue ou monstro digital:

  • Terror é silêncio que pesa.

  • É câmera que passeia por cômodos vazios como se estivesse espionando.

  • É a dúvida que sufoca mais do que qualquer fantasma.

A sequência do sótão com o balde de tinta é apenas um exemplo de como a direção domina o ritmo e a tensão sem precisar apelar. Mas o mais incômodo não são as aparições invisíveis: é a sensação de que ninguém acredita em Cecilia. Que suas dores são vistas como “paranoia”. Que o abuso, quando invisível aos olhos dos outros, deixa a vítima ainda mais sozinha.

E é aí que o filme acerta em cheio: ao transformar o monstro invisível em metáfora para os relacionamentos abusivos que se escondem atrás de aparências perfeitas. Moss entrega uma performance devastadora, carregando nos olhos toda a angústia de quem vive no limite entre o medo e a descrença alheia.

No fim, O Homem Invisível prova que atualizar clássicos funciona quando existe propósito. Aqui, o terror é político, atual e necessário. Um dos grandes de 2020, sem dúvida.

A pergunta que não quer calar:
Você acredita que Cecilia estava certa desde o começo… ou o filme realmente te fez duvidar dela em algum momento?

⚠️ Importante: não exibimos o filme durante a live.

A proposta aqui não é pirataria, é debate cinéfilo com personalidade. A experiência funciona assim: você assiste ao filme por conta própria e depois cola com a gente no YouTube para trocar ideias, levantar teorias, rir, discordar e até brigar (com carinho) sobre o que assistiu.

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