Se você achava que O Agente Noturno era apenas aquela série de ação que você assistia enquanto dobrava meia ou esperava o delivery chegar, a terceira temporada está aqui para exigir que você preste atenção ou aceite o fato de que vai se perder em um labirinto de traições. Depois de duas temporadas sendo “apenas ok”, a produção finalmente entendeu que para ser um thriller de respeito, não basta ter um protagonista que corre bem e sabe usar um rádio; é preciso que a história tenha dentes. E nesta nova leva de episódios, ela morde.
O grande salto aqui é narrativo. Se antes as conspirações pareciam vadias e desconectadas, agora tudo exala uma urgência palpável. O retorno do misterioso Broker traz um peso pessoal para Peter Sutherland que as temporadas anteriores não conseguiram alcançar. Não é mais apenas sobre proteger a “vítima da semana”, mas sobre navegar em um pântano político onde as linhas entre heróis e vilões foram apagadas com a sutileza de um apagador de lousa sujo. A política aqui é apresentada como ela realmente é: um negócio escuro, sujo e movido por pessoas que venderiam a própria mãe por mais quatro anos de poder.
O que realmente surpreende, no entanto, é a evolução dos personagens. Se antes era difícil se importar com qualquer um que não fosse o Peter ou a Rose, a terceira temporada introduz dinâmicas que dão um fôlego novo ao show. A ausência de Rose poderia ter sido um desastre, mas a entrada de Adam, o novo parceiro de Peter no FBI, cria uma tensão de confiança que é muito mais interessante do que o antigo papel de “guarda-costas romântico”. Além disso, os novos vilões — apelidados apenas como “O Pai” e “O Filho” — trazem uma complexidade emocional e moral que faz o espectador questionar suas próprias lealdades. É o tipo de escrita que prova que a série parou de tratar seu público como se ele tivesse o intelecto de uma ameba.
As sequências de ação continuam sólidas, mas agora elas servem à história, e não o contrário. Cada tiroteio e perseguição parece ter uma consequência real para o tabuleiro político da Casa Branca. A série mergulha fundo no lado sombrio do poder, mostrando que, no mundo da inteligência, a verdade é apenas uma questão de perspectiva e conveniência. É um amadurecimento raro de se ver em produções de algoritmo da Netflix, que geralmente tendem a se desgastar com o tempo em vez de melhorar.
No fim das contas, a terceira temporada de The Night Agent é o ponto de virada onde o show deixa de ser um passatempo esquecível para se tornar um “must-watch”. Ela prepara o terreno para um futuro promissor, onde Peter Sutherland não é apenas um agente correndo contra o tempo, mas um homem preso em uma engrenagem que ele mal começa a compreender. Se você desistiu da série na segunda temporada ou achava que ela era “mais do mesmo”, vale a pena dar uma segunda chance. É um thriller que finalmente aprendeu que o cérebro pode ser uma arma tão letal quanto uma Glock.

