51 Melhores filmes dirigidos por mulheres

30- Entre o Amor e a Paixão (Take this Waltz, Sarah Polley, 2011)
Sarah Polley é uma jovem cineasta que já mostrou ter um talento especial para humanizar dramas pessoais – seja no documentário Histórias Que Contamos ou em Entre o amor e a paixão, lançado em 2011. Michelle Williams é Margot, uma jovem mulher casada (com Seth Rogen) e conhece Daniel, um homem misterioso que acaba descobrindo ser seu vizinho. A proximidade dessa atração cria um clima de tensão constante, seja sexual ou moral. Williams é particularmente boa em representar essa vulnerabilidade, sem se deixar levar pela inocência excessiva. Afinal, esta é uma história de autodescoberta e decisões que mudam o curso de uma vida inteira. Esses caminhos são bem traçados pelo roteiro, escrito pela própria diretora. Margot é inquietante e intrigante em muitos sentidos, o que traz um frescor na visão sobre a personagem feminina e sua sexualidade. (Nathália Pandeló)

https://www.youtube.com/watch?v=2DqMaYqxgjA


29- Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne’s World, Penelope Spheeris, 1992) Wayne’s World – infelizmente conhecido pelo humilhante título nacional Quanto Mais Idiota Melhor, ainda que aluda ao clássico de Billy Wilder – marcou uma época e continua brilhando como o espírito jovem de seus protagonistas. Wayne Campbell (Mike Myers) e seu melhor amigo Garth Algar (Dana Carvey) comandam com sua Fender e suas baquetas direto de um porão em Chicago um show de TV a cabo ameaçado de extinção, por jamais se curvarem aos patrocinadores. Entre “extreme close-ups” e croma keys, Wayne confessa para a câmera sua paixão por Cassandra (Tia Carrere), líder da banda Crucial Taunt, que logo passa a dividir com a dupla os melhores momentos em cena. Já a sequência de 1993, focada no Festival Waynestock e não mais comandada pela diretora Penelope Spheeris, perdeu grande parte do vigor.

É impossível enumerar as sequências mais icônicas da película em poucas linhas, mas se você já sentiu atração pelo Pernalonga quando ele se vestiu de coelhinha; se já teve vontade de bater a cabeça loucamente ao ouvir “Bohemian Rhapsody”, do Queen, ou mesmo de dançar “Foxy Lady” do, Jimi Hendrix, em público; se já colocou uma placa de “Proibido tocar Stairway To Heaven” em sua loja de instrumentos, se você já curtiu com eles… excelente! Se ainda não, faça agora mesmo a escolha da nova geração! (Stephania Amaral)


28- Tempo de Despertar (Awakenings, Penny Marshall, 1990) Um neurologista, recém-contratado de um hospital, resolve testar em pacientes catatônicos um remédio para Mal de Parkinson. O hospital autoriza em apenas um paciente e para sua sorte este acorda.

Roteiro baseado em fatos, questiona de certa forma a postura médica em hospitais psiquiátricos algumas décadas atrás. O melhor do filme fica por conta das atuações de Robert De Niro e Robin Williams, e a interação de ambos em cena. (Natália Ranhel)


27- Picardias Estudantis (Fast Times at Ridgemont High, Amy Heckerling, 1982)
Cameron Crowe escreveu seu primeiro trabalho no cinema depois de uma experiência infiltrado numa escola. Ele retratou a história toda num livro, que foi levado para o cinema pelas mãos da estreante Amy Heckerling, que cuidou da obra com carinho. O resultado é esse divertido filme adolescente, que anos depois serviria de influência para American Pie. Picardias Estudantis fala sobre uma inexperiente jovem chamada Stacy, que está decidida a arrumar um namorado. Ao mesmo tempo, Jeff Spicoli (Sean Penn) é um maluco surfista que precisa lidar com a repressão de um professor rigoroso.

O curioso de ter uma direção feminina nesse tipo de história é a maneira como os acontecimentos são abordados. Nas mãos de um homem, aquela famosa sequência em que um personagem se masturba no banheiro e é flagrado não teria a mesma graça. Heckerling soube dosar humor, curiosidade e o ridículo da exposição em algo delicioso para o público. (Tullio Dias)


26- Educação (An Education, Lone Scherfig, 2009)
A adolescência é aquele período difícil em que você se divide entre os que seus pais desejam para o seu futuro e o que você quer fazer naquele exato momento, mas que pode estragar os planos. É assim a vida de Jenny, uma garota de 16 anos na Inglaterra dos anos 1960 que leva uma vida tediosa estudando por boa parte do dia para entrar em Oxford, conforme o desejo dos pais, mas que sonha com uma vida boêmia, com a França e toda a arte e intelectualidade que o país pode proporcionar. Até que ela conhece David, um homem de trinta em poucos anos charmoso, atencioso e disposto a mostrar à jovem tudo de bom que a vida tem.

O momento de questionar se as atitudes e os planos traçados para a jovem aparece, mas tudo parece ser bom demais pra ser verdade e a relação com David pode causar uma decepção inimaginável para Jenny. Realista, o filme deixa em evidência os perigos e tentações da vida adulta. Enquanto desejamos pular a adolescência e atingir a maturidade e liberdade, não consideramos a possibilidade de tudo isso ser uma das armadilhas da vida. (Graciela Paciência)


25- The Invitation (Karyn Kusama, 2015) O longa, que valeria facilmente um ingresso nos cinemas, pode ser conferido gratuitamente, no conforto de casa, graças ao Netflix. E o cenário é exatamente uma casa, o que pode potencializar a experiência, já que ele desenvolve no público uma tensão muito interessante e explora bem cada cômodo. O espectador deve ficar com receio até de ir ao banheiro no final da sessão.

Nos primeiros minutos de exibição, entendemos que um sujeito está indo, com a namorada, a um jantar na casa onde ele morava e a anfitriã da noite será justamente a ex-mulher, acompanhada pelo atual marido. É um convite estranho, ele pensa, mas vale a pena rever os amigos sumidos e dar uma chance a uma certa reconciliação com a ex. Isso é tudo que se pode contar da trama sem estragá-la (Marcelo Seabra).


24- Garota Sombria Caminha Pela Noite (A Girl Walks Home Alone At Night, Ana Lily Amirpour, 2014)
Na cidade iraniana de Bad City, uma cidade-fantasma de poucos habitantes, a população está sendo atormentada por uma solitária vampira, que anda pelas ruas à noite, incógnita, usando o seu Hijab. Esse é o enredo de Garota Sombria Caminha pela Noite, primeira história de vampiro ambientada no Oriente Médio. Realizado em preto-e-branco, é a obra de estreia da diretora Ana Lily Amirpour, que também escreveu o roteiro.

O filme tem cenas fortes, especialmente quando a vampira se alimenta, e dá medo, mas não chega a aterrorizar. Curiosamente, o longa foi filmado em 24 dias na Califórnia, mas as locações ermas foram muito bem escolhidas e passam a sensação de que a história acontece, de fato, no Oriente Médio. Em algumas cenas, a “garota”, como é chamada a protagonista, aparece circulando pela cidade em seu skate, dando uma sensação de abandono e desolamento da cidade. Por serem parecidas fisicamente, a atriz Sheila Vand foi substituída pela própria diretora em muitos desses takes, já que Amirpour é uma skatista experiente. A diretora também aparece na cena da festa, ela é Shirin, a garota com maquiagem de esqueleto. (Priscila Armani)


23- Maria Antonieta (Marie Antoinette, Sofia Coppola, 2006)
Um dos pontos mais interessantes desse longa-metragem, fora a direção de arte e o figurino, é a sacada de Sofia Coppola em incluir músicas de rock alternativo num filme de época. Os indies de plantão agradecem. Muito.

Provavelmente uma das atuações mais inspiradas da carreira de Kirsten Dunst, Maria Antonieta apresenta um pouco mais da lendária rainha que quis dar brioche para os pobres revoltados na França. Conhecemos um pouco mais da sua personalidade, das traições no casamento com Luis XVI, até a sua morte, aos 37 anos, na queda de Versailles. (Tullio Dias)


22- Um Novo Despertar (The Beaver, Jodie Foster, 2011)
Um homem de família, Walter (Mel Gibson), está numa fase emocional bastante complicada. A estabilidade de sua empresa de porte médio e sua família não o impedem de carregar o monstro da depressão nas costas. O fantoche em forma de castor é a saída que Walter encontra para trabalhar sua autoestima e tentar voltar a ter um bom relacionamento com a esposa, mas também é uma ideia que soa incabível aos olhos de outras pessoas.

Com uma sensibilidade emocionante, o filme mostra o árduo caminho de quem enfrenta a depressão e como ela pode afetar diversos campos da vida de quem sofre com isso. Gibson está perfeito no papel do protagonista e a direção de Jodie Foster é firme e eficiente. (Graciela Paciência)


21- Cidade de Deus (Fernando Meirelles e Kátia Lund, 2002)

Um marco do cinema nacional, Cidade de Deus expôs a todos como o “funcionamento” nas favelas do Rio de Janeiro e a realidade de quem vive em um lugar que pode não dar muito perspectiva, mas também que o mundo é muito mais do que se vê diariamente.
Na favela Cidade de Deus, o jovem e sonhador Buscapé vive no meio da violência e se agarra ao sonho de ser fotógrafo. Consegue, assim, sobreviver dia após dia e registrar o que acontece por lá.
A direção da dupla Meirelles e Lund é admirável e impecável, porém poucas vezes a diretora é citada em discussões a respeito do filme e o trabalho acaba sendo em sua totalidade atribuído a Meirelles.