Se você acha que o estilo visual de Baz Luhrmann — aquela explosão de cores, montagem frenética e anacronismos musicais — combina perfeitamente com o mundo dos super-heróis, você não está sozinho. Em uma entrevista reveladora ao podcast Happy Sad Confused neste dia 26 de fevereiro de 2026, o diretor de Elvis e Moulin Rouge! abriu o jogo sobre as grandes franquias que quase tiveram o seu “toque de Midas”, mas que ele acabou deixando passar para seguir sua visão artística singular.
Enquanto o mundo aguarda ansiosamente por sua versão épica de Joana d’Arc, Luhrmann olhou para o passado e admitiu, com uma dose de autocrítica e humor: “Eu fui muito bobo ao dizer ‘não'”.
O Surfista Prateado e os Brinquedos da Marvel
A revelação mais curiosa da entrevista foi o interesse de Luhrmann pelo Surfista Prateado. Muito antes da Marvel se tornar o império cinematográfico que é hoje, o diretor foi cortejado para levar o herói cósmico às telas.
“Isso vai virar um caça-clique danado, mas lá atrás, eu achava o Surfista Prateado incrível. O dono da Marvel na época me mandou todos aqueles brinquedos e quadrinhos”, relembrou o diretor. Luhrmann contou que ficou fascinado pela pegada filosófica do personagem: “Um surfista no espaço, sabe? Tão filosófico…”. No entanto, em vez de viajar pelas galáxias, ele optou por reimaginar o clássico de Shakespeare em Romeu + Julieta. “Funcionou para todo mundo no fim das contas”, brincou.
Mas não parou por aí. Luhrmann confirmou que Amy Pascal lhe ofereceu o primeiro Homem-Aranha (que acabou nas mãos de Sam Raimi) e que ele também foi convidado para dirigir o primeiríssimo Harry Potter. Por que ele recusou? Segundo Baz, esses projetos não se alinhavam com a sua “marca”. “Minha marca é pegar coisas que as pessoas acham cafonas ou esquecidas e provar que elas são relevantes, novas e frescas. Não sei por que, mas essa é a minha missão”, explicou.
Joana d’Arc: Um Épico Necessário para a Nova Geração
Agora, o foco de Luhrmann está totalmente voltado para Jeanne d’Arc. O diretor descreveu o projeto como a culminação de décadas de interesse por cinebiografias épicas que ele quase realizou — como um filme sobre Alexandre, o Grande, com Dino De Laurentiis, e um projeto sobre Napoleão ao lado de Steven Spielberg.
A estátua dourada de Joana na Place Vendôme, em Paris, sempre o intrigou, mas o peso de dirigir “uma garota de 17 anos com todos aqueles soldados e cavalos” o assustava. O que mudou? O estado atual do mundo. Luhrmann está trabalhando com a roteirista britânica Ava Pickett e encontrou na história da jovem santa uma metáfora política poderosa para os dias de hoje.
“Existe uma fala no roteiro onde Jeanne diz que precisamos ‘desgrudar o mundo dos dedos velhos e nodosos desses homens’. Eu pensei: o mundo em que vivemos precisa de uma jovem de 17 anos que saia de uma cidadezinha do interior e lidere uma nova geração para acreditar que eles podem recuperar o seu mundo”, afirmou o diretor.
“Eu não faço o que quero, faço o que é preciso”
Baz Luhrmann deu uma declaração surpreendente sobre sua carreira, afirmando que dirigir um filme do James Bond, por exemplo, seria muito mais divertido e “fácil” do que os projetos que ele escolhe. “Eu não faço as coisas que eu quero fazer. Eu faço o que eu acho que é necessário. E eu acho que a história de Joana d’Arc, daqui a dois anos, será profundamente necessária”.
O diretor ainda não revelou quem será a atriz que interpretará a protagonista, mas a busca por uma jovem estrela continua sendo o segredo mais bem guardado de Hollywood no momento.
Imagine o Espetáculo
No Cinema de Buteco, ficamos imaginando como seria um Homem-Aranha dirigido por Baz Luhrmann. Provavelmente teríamos o beijo na chuva ao som de um remix de jazz moderno e cores tão vibrantes que precisariam de óculos escuros. Mas, embora o “e se?” seja tentador, a integridade de Luhrmann em buscar histórias que ele considera urgentes é o que o mantém como um dos cineastas mais autênticos da nossa era.
Baz Luhrmann pode ter perdido a chance de ser “bilionário” com franquias de super-heróis, mas o cinema ganhou uma voz única que não tem medo de ser grandiosa, brega e absolutamente épica. Que venha a Joana d’Arc.

