Será que vale a pena ver o filme do Domingo Maior de hoje? Depende do seu humor: você quer ação sci-fi com cara de blockbuster… ou quer ver uma parábola social gritando no seu ouvido como um coach de meritocracia preso num megafone?
A Globo exibe Elysium na madrugada deste domingo (11), no Domingo Maior, por volta de 01h10.
Sobre o que é Elysium?
Imagine que a humanidade decidiu resolver desigualdade do jeito mais “adulto” possível: os ricos foram morar num resort espacial limpinho (Elysium) e deixaram o resto da galera num planeta-lixão, superlotado, doente e sem esperança.
Aí entra Max (Matt Damon), um trabalhador moído pela vida que percebe que a única chance de virar o jogo é fazer algo simples e humilde: invadir o paraíso VIP do espaço e hackear o sistema — porque nada diz “justiça social” como uma missão suicida com explosões e exoesqueleto.
Do outro lado, a chefona do “não entra pobre aqui” (Jodie Foster) faz de tudo pra proteger o clubinho — com a delicadeza de uma catraca de metrô com rancor.
Para quem é?
Vai na fé se você curte:
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Sci-fi com comentário social sem sutileza (tipo Distrito 9 com grana de Hollywood).
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Ação nervosa, tiro, robô, perseguição e a sensação de que o futuro vai ser administrado por um SAC mal-humorado.
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Distorções distópicas no estilo Black Mirror (só que com mais pancadaria e menos silêncio constrangedor).
Passe longe se você:
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Odeia filmes que martelam a mensagem (“ricos maus, pobres ferrados”) até ela virar tambor de escola de samba.
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Quer ficção científica contemplativa. Aqui é mais “soco filosófico” do que “poesia espacial”.
Quem está no elenco?
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Matt Damon (Max): o cara tem talento pra sofrer com dignidade desde sempre. Aqui ele sofre… com propulsão e bala.
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Jodie Foster (Delacourt): vilã gelada, corporativa, com energia de “RH que sorri enquanto demite”.
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Sharlto Copley (Kruger): psicopata de aluguel com presença de tela que dá vontade de lavar as mãos depois.
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Alice Braga (Frey): o coração do filme tentando sobreviver no meio do caos com humanidade (e cansaço).
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Wagner Moura (Spider): contrabandista/rebelde/empreendedor do crime — o “startupeiro” da imigração ilegal espacial.
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Diego Luna, William Fichtner: reforço de peso pra lembrar que, no futuro, o capitalismo ainda terá gerente.
Veredicto: Elysium é bom?
É bom do jeito que um soco bem dado “é bom”: resolve rápido, faz barulho e te deixa pensando depois — mesmo que com dor.
Neill Blomkamp dirige como quem diz: “Quer sutileza? Vai ler um haicai.” O filme tem mundo visual forte, ação bem coreografada e uma ideia central deliciosa: saúde, dignidade e acesso viraram luxo de condomínio fechado… no espaço. Só que ele também escorrega naquela ansiedade de explicar tudo, o tempo todo, como se o público fosse desligar a TV e ir morar em Elysium se não entender na primeira.
Mesmo assim: pra madrugada, funciona lindamente. Vale o play se você quer ação sci-fi com tempero de indignação e um leve cheiro de metal queimado.
E sim: assistir a isso é como ir ao médico e descobrir que o consultório fica num satélite — e você ficou na fila errada do planeta.
Assista ao trailer

