Quer saber o que acontece no final do filme Imaculada (Immaculate)? Lançado em 2024 e estrelado por Sydney Sweeney, este longa de terror religioso (ou nunsploitation) resgata a atmosfera dos clássicos italianos de horror gótico, mas com uma reviravolta visceral e moderna. A trama acompanha uma jovem noviça americana que se muda para um convento remoto na pitoresca zona rural da Itália, apenas para descobrir que o local guarda segredos genéticos e teológicos sombrios que transformam sua fé em um pesadelo biológico.
Imaculada é um filme sobre autonomia corporal, o fanatismo que justifica atrocidades e o horror de ter o próprio corpo usado como um receptáculo para os planos de terceiros.
Sinopse e Detalhes da Obra
Irmã Cecília (Sweeney) é uma mulher de fé profunda que sobreviveu a um afogamento na infância, o que a convenceu de que Deus a poupou para um propósito maior. Ela aceita o convite para se juntar a um convento que cuida de freiras idosas em seus últimos dias. Pouco tempo após sua chegada, Cecília descobre que está grávida, apesar de ser virgem. O convento rapidamente declara o evento como um milagre, tratando-a como a nova Virgem Maria.
No entanto, conforme a gravidez avança, Cecília percebe que os sinais não são divinos: ela começa a perder dentes, ter visões perturbadoras e notar que as outras freiras estão agindo como carcereiras. Ela descobre que o convento não é apenas um lugar de oração, mas um laboratório clandestino liderado pelo Padre Tedeschi, um ex-geneticista que busca “trazer Deus de volta ao mundo” através de métodos científicos macabros.
Final Explicado Imaculada: Como acaba?
Vamos lá.
O final de Imaculada abandona qualquer sutileza para entregar um clímax de sobrevivência pura. Cecília descobre que o Padre Tedeschi usou amostras de DNA coletadas de um prego que supostamente foi usado na crucificação de Jesus Cristo para engravidar diversas freiras ao longo de décadas. Todas as tentativas anteriores falharam, resultando em “abominações” ou natimortos, mas a gravidez de Cecília parece estar progredindo.
Determinada a não ser a incubadora de um experimento humano, Cecília tenta fugir. Em uma sequência de perseguição tensa e sangrenta, ela mata a Madre Superiora e, eventualmente, confronta o Padre Tedeschi no laboratório. Ela consegue explodir o local, incinerando as pesquisas e amostras de DNA, e mata o padre cravando o prego sagrado em sua garganta — uma ironia poética onde o objeto de adoração torna-se a arma da libertação.
Cecília consegue sair do convento por um túnel subterrâneo repleto de esqueletos de “experimentos” passados. Já do lado de fora, em um campo aberto, ela entra em trabalho de parto. A câmera foca exclusivamente no rosto de Sydney Sweeney em um plano sequência agonizante de dor e esforço. Ela dá à luz, corta o cordão umbilical com os dentes e se levanta. O público ouve um som gutural e animalesco vindo do “bebê” (que nunca é mostrado totalmente na tela). Com uma expressão de horror e determinação, Cecília pega uma pedra enorme e esmaga a criatura, colocando um fim definitivo ao ciclo de manipulação do convento.
O que era o bebê no final de Imaculada?
Embora o filme nunca mostre a criatura de forma clara, os sons que ela emite deixam óbvio que não era um bebê humano normal. Devido ao DNA milenar e degradado do prego da crucificação, o que nasceu foi uma anomalia genética — uma versão deformada e monstruosa do que o culto acreditava ser o Messias. Ao matar a criatura, Cecília não está apenas cometendo um infanticídio, ela está destruindo o “falso ídolo” e rejeitando o destino que o patriarcado religioso tentou impor a ela. O “milagre” era, na verdade, uma abominação científica.
O simbolismo do prego da crucificação
O prego é o elemento central que une a fé e a ciência no filme. Para o Padre Tedeschi, o objeto continha o código de Deus; para Cecília, ele era o símbolo do sofrimento imposto. Quando ela usa o prego para matar o Padre, o filme subverte a simbologia cristã: o instrumento de tortura de Cristo torna-se a ferramenta de emancipação de uma mulher. Cecília retoma o poder sobre o próprio corpo ao destruir aquele que tentou “plantar” algo nela sem seu consentimento.
Por que Cecília mata a criatura?
Muitos espectadores debatem o final chocante, mas a ação de Cecília é o ponto máximo de sua jornada de autonomia. Durante todo o filme, ela foi tratada como um objeto, um vaso ou uma propriedade da Igreja. Ao esmagar a criatura com a pedra, ela encerra o experimento e garante que ninguém mais possa usar aquele “milagre” para controlar outras mulheres ou perpetuar o poder do convento. É um ato de misericórdia e, ao mesmo tempo, um grito de revolta contra um sistema que valorizava o que estava dentro dela mais do que a sua própria vida.
Imaculada é um filme pró-escolha?
Muitos críticos e o próprio público interpretaram Imaculada como uma metáfora visceral para o debate sobre o direito ao aborto e a autonomia reprodutiva. O terror do filme não vem de demônios ou fantasmas, mas da perda de controle sobre o próprio organismo. A transformação de Cecília, de uma noviça submissa a uma sobrevivente que destrói o fruto de uma gestação forçada, ecoa temas contemporâneos sobre o corpo feminino como campo de batalha político e religioso. O final não é sobre fé, mas sobre o direito de decidir o próprio destino.
E é isso.

