Pega essa, Oscar
Você acha que já viu Timothée Chalamet dar o máximo de si em cena? Pense de novo. Em Marty Supreme, dirigido por Josh Safdie, o homem por trás do ataque cardíaco coletivo que foi Uncut Gems, o ator entra numa espiral de suor, ego, charme e desespero — tudo isso empunhando uma raquete de pingue-pongue como se fosse uma espada mágica. Este é o tipo de filme que começa com risadas e termina com você perguntando se foi atropelado por um bonde emocional. Spoiler: foi.
A história: Rocky meets Forrest Gump… só que judeu e neurótico
Baseado livremente na vida de Marty Reisman, ícone do tênis de mesa americano, o roteiro de Safdie e Ronald Bronstein é um daqueles rolos de papel emocional onde cada página revela uma reviravolta mais absurda que a anterior.
Marty Mauser (Chalamet) é um sonhador do Lower East Side que vende sapatos e joga tênis de mesa com o mesmo fervor que prega sua própria lenda. O problema? Ele está cercado de dívidas, traições, golpes e escolhas terríveis — incluindo dormir com a personagem da Gwyneth Paltrow (uma socialite/atriz decadente) e fugir de mafiosos com um poodle chamado Moses.
O filme costura um arco épico de decadência e redenção como se fosse Boogie Nights em esteróides. Tem de tudo: torneios internacionais, brigas de rua, sexo no Central Park, subornos com colares falsos e até um momento Rocky IV em Tóquio.
O elenco: Chalamet furioso, Paltrow debochada, Odessa A’zion divina
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Timothée Chalamet entrega aqui o que muitos já estão chamando de sua performance definitiva. Esqueça os rostinhos tristes e poéticos: Marty é um vórtice de carisma, raiva e autopiedade. Uma mistura de Al Pacino em Serpico com Paul Newman em The Hustler, e uma pitada de Gene Wilder surtado.
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Odessa A’zion, como Rachel, a amante grávida que manipula e é manipulada, é uma revelação. Cada cena sua tem um perigo iminente — como se ela pudesse puxar uma arma ou fazer você chorar de repente.
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Gwyneth Paltrow se diverte como Kay, uma estrela apagada que só acende na presença do caos.
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Kevin O’Leary, sim, o Mr. Wonderful de Shark Tank, está bizarra e surpreendentemente excelente como o magnata que tenta domar Marty com dinheiro e humilhação.
Pra quem é Marty Supreme?
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Pra quem acha que o sonho americano é uma arapuca com luzes neon.
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Pra quem curte filmes sobre gênios autodestrutivos, onde o protagonista é ao mesmo tempo fascinante e insuportável (tipo There Will Be Blood, mas com bolinha de pingue-pongue).
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Pra quem ama Timothée Chalamet surtado — e acha que ele devia ser indicado ao Oscar toda vez que grita ou sangra.
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Pra quem curte o cinema de caos controlado dos Safdie, onde tudo parece prestes a explodir a qualquer segundo.
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E, claro, pra quem achava que nunca veria um filme sobre tênis de mesa onde alguém é espancado com uma raquete de verdade.
Se você gostou de Uncut Gems, Boogie Nights, Good Time ou Licorice Pizza, Marty Supreme vai bater como uma partida final no desempate: intensa, imprevisível e com suor pingando da tela.
Parte técnica: O caos nunca foi tão bonito
Rodado em 35mm com a fotografia quente e granulada de Darius Khondji, Marty Supreme transforma o submundo do tênis de mesa dos anos 50 em algo quase mítico. Cada frame parece saído de um pôster vintage que você acharia em um porão do Brooklyn.
A trilha sonora de Daniel Lopatin (o gênio por trás de Uncut Gems) é um colapso eletrônico que amplifica cada momento de desespero como um DJ colocando trilha para o fim do mundo — com Tears for Fears e New Order como convidados especiais.
O orçamento de US$ 70 milhões (o maior da história da A24!) está todo na tela: locações reais, figurinos impecáveis, e detalhes de produção dignos de Stanley Kubrick com TDAH.
💥 Veredito: Uma comédia trágica sobre o sonho americano (e suas rachaduras)
Marty Supreme é engraçado, doloroso, exaustivo e absolutamente viciante. É o tipo de filme que te deixa hipnotizado, sem saber se deve torcer por Marty ou torcer para que ele seja atropelado por sua própria vaidade. Josh Safdie cria aqui um épico gonzo que só ele seria louco o suficiente para tentar — e talentoso o suficiente para fazer dar certo.
🧩 Nota David: 9.4/10
O pingue-pongue nunca foi tão punk rock.

