Existe uma fase curiosa na carreira de qualquer ator veterano: o momento em que você percebe que trabalhou a vida inteira… para virar meme cult aos 75 anos. Para Amy Madigan, esse momento chegou oficialmente no palco do Critics Choice Awards 2026.
Ao vencer Melhor Atriz Coadjuvante por sua performance em Weapons, Madigan subiu ao palco achando que ia fazer aquele discurso elegante, grato, profissional. O que saiu foi algo muito melhor: um relato genuíno de espanto diante da insanidade da internet.
“Achei que as pessoas iam gostar do filme.
Achei que iam curtir a Gladys.
Mas vocês AMAM a Gladys. Isso é loucura!”
👵➡️🔥 Gladys: de coadjuvante a fenômeno inexplicável
Em Weapons, Madigan interpreta Aunt Gladys, uma figura excêntrica, perturbadora e impossível de ignorar. Num filme já carregado de tensão — crianças desaparecendo, cidade em colapso, terror psicológico sem manual de instruções — Gladys surge como aquela presença que faz o espectador se contorcer na cadeira.
Ela não grita.
Ela não corre.
Ela observa.
E aparentemente isso foi o suficiente para a internet decidir:
👉 essa senhora é icônica.
💄 Fanbase inesperada: maquiagem, arte… e fetichização
O ponto alto do discurso veio quando Madigan resolveu listar o que começou a receber após o lançamento do filme:
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Tutoriais de maquiagem inspirados em Gladys
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Pinturas artísticas da personagem
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E, inevitavelmente…
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“Uma coisa meio estranha dizendo que ela é um sex icon”
A reação da atriz?
Riso nervoso.
Comentário seco.
E a frase que já entrou para o folclore:
“Não fui muito fundo nessa última.”
Decisão sábia.

✂️ O poder de uma franja bem colocada
Madigan também fez questão de agradecer algo crucial para qualquer personagem memorável: o visual.
Segundo ela, o momento em que Gladys “nasceu” de verdade foi quando acertaram a franja.
“Quando encontramos a franja, soubemos que tínhamos a personagem.”
Hollywood já produziu tratados inteiros sobre método, subtexto e arco dramático.
Amy Madigan resolveu tudo com cabelo.
👏 “Nunca achei que fosse agradecer fãs”
Talvez o trecho mais bonito — e mais revelador — do discurso tenha sido este:
“Eu nunca soube muito bem o que significava agradecer aos fãs.
Sempre vejo isso com músicos enormes.
Mas hoje estou agradecendo os meus também.”
Isso não é falsa modéstia.
É consciência de trajetória.
Madigan trabalha há décadas. Passou por todo tipo de papel, reconhecimento intermitente, indústria ingrata. E agora, no auge improvável de 2026, descobre que uma personagem de terror a transformou em ícone geracional.
🎬 Weapons: o terror que não pede licença
Dirigido por Zach Cregger, Weapons acompanha uma cidade onde 17 crianças desaparecem da mesma sala de aula. O filme se recusa a entregar conforto, respostas fáceis ou vilões caricatos.
E Gladys?
Ela não explica nada.
Ela existe.
Esse talvez seja o segredo do impacto: personagens que não pedem desculpa por ocupar espaço.
🏆 Um prêmio tardio — e perfeitamente cronometrado
Este foi o primeiro Critics Choice da carreira de Amy Madigan, coroando uma temporada que já inclui:
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Prêmio do New York Film Critics Circle
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Indicação ao Globo de Ouro
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E agora, uma vitória que sela sua transformação em lenda tardia do terror moderno
Como ela mesma disse:
“Demorei, mas cheguei.”
E chegou com franja, silêncio ameaçador e uma legião de fãs confusos — e apaixonados.
No fim das contas, o cinema ainda é capaz disso:
pegar uma atriz veterana, dar a ela um papel estranho, e ver o mundo inteiro enlouquecer junto.
Gladys agradece.
Amy Madigan também.

