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365 Filmes em um Ano #264 | AMOR A TODA PROVA: quando o lift de Dirty Dancing salva casamentos (e egos)

Se almas gêmeas existem, não é porque o universo conspira. É porque alguém decide reaprender a dançar. Não dançar bonito; dançar junto. Em Amor a Toda Prova (2011), os tropeços do coração viram coreografia entre risos, vergonha e segundas chances.

O filme começa no pior dos cenários: Cal Weaver (Steve Carell), blazer largo, tênis aposentado e casamento em coma, leva o divórcio da esposa (Julianne Moore) como quem recebe a conta com 10% de serviço e 90% de luto. Ele é o homem parado no tempo. Até que surge Jacob (Ryan Gosling) — paletó ajustado, fala de manual, andar de quem sabe que seduz até com silêncio. Ele adota Cal como projeto de vida: trocar o canudo por gole direto, entender que roupa é prólogo e que autoestima precisa caber no corpo.

O humor do filme não está só na transformação de Cal (ou no lift de Dirty Dancing que faz o pacto com o público funcionar), mas no contraste entre regras bobas e vulnerabilidade real. Jacob, conquistador de noites, se pega querendo manhã. Encontra Hannah (Emma Stone), que entra discreta e vira terremoto: o galã enjoa do espelho e descobre que ficar pode ser mais adulto que seduzir. E aí, claro, o destino puxa o tapete: Hannah é filha de Cal. O plot twist de novela boa vira risada nervosa — porque todo coração pisado reverbera em constelações inteiras.

O clímax é pastelão coreografado: pais, filhos, amantes e ex-amantes colidindo no mesmo jardim. É caos, mas também catarse. Até Marisa Tomei, como a professora temperamental que reaparece na hora mais inconveniente, serve para lembrar que mentira “branca” deixa dente manchado.

E no meio do riso, o sermão sem púlpito: cuidar de si não é vaidade, é gesto de amor. O filme não absolve ninguém — nem a esposa entediada, nem o marido acomodado, nem o galã que fez do vazio um método, nem a garota que ficou na zona de conforto. Em vez de punir, acompanha. E entrega algo raro: uma comédia romântica que é de fato romântica sem pedir desculpas por ser realmente comédia.

A pergunta que não quer calar:
Você teria coragem de tentar o lift na sala, com o sofá como rede de segurança?