A temporada de premiações de 2026 atingiu seu ponto de ebulição. Com o encerramento da curtíssima janela de votação da Academia, os bastidores de Hollywood fervem com especulações que podem alterar recordes de décadas. Segundo uma análise detalhada publicada pelo blog The Playlist, o cenário para a categoria de Melhor Filme está mais aberto do que o habitual, apresentando possibilidades que variam de consagrações históricas de estúdios independentes a reviravoltas para os blockbusters de bilheteria.
O colunista Gregory Ellwood aponta que, embora títulos como “One Battle After Another“, “Sinners“, “Hamnet“ e “Marty Supreme” sejam considerados apostas certas, as vagas restantes formam um quebra-cabeça complexo.
A Neon e o Sonho de 1975
Um dos cenários mais intrigantes envolve a distribuidora Neon. Atualmente, a empresa possui cinco filmes com potencial real de indicação: “It Was Just An Accident”, “Sentimental Value”, “O Agente Secreto“, “No Other Choice” e “Sirat”.
A expectativa é que a Neon consiga emplacar ao menos três indicados (com “Sentimental Value” e “O Agente Secreto” liderando as apostas, seguidos pelo surpreendente crescimento de “Sirat”). Caso isso ocorra, será a primeira vez que uma distribuidora alcança tal feito desde a presidência de Gerald Ford, em 1975. O filme brasileiro de Kleber Mendonça Filho, “O Agente Secreto”, é visto como peça-chave nessa estratégia, impulsionado pelo forte apoio do bloco de votantes internacionais da Academia.
Warner Bros: Três é o Número da Sorte?
A Warner Bros vive um dilema similar. Com “One Battle” e “Sinners” praticamente garantidos, o estúdio espera que o suspense “Weapons” consiga furar a bolha do Top 10. O filme surpreendeu ao aparecer na lista do Sindicato dos Produtores (PGA), o que historicamente é um passaporte para o Oscar. Se “Weapons” confirmar a vaga, a Warner repetirá seu recorde de 51 anos atrás, colocando três produções na disputa principal.
Blockbusters e Cavalos Azarões
No campo dos grandes orçamentos, o cenário é de incerteza. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” tenta manter a tradição de indicações da franquia de James Cameron, e “Wicked: For Good” busca repetir o sucesso do primeiro capítulo, um competidor silencioso ganhou força: “F1”.
Apesar de uma campanha inicial discreta da Apple Studios, o filme estrelado por Brad Pitt arrecadou mais de US$ 631 milhões e garantiu indicações cruciais em sindicatos técnicos e no PGA. Segundo a análise, a força de Jerry Bruckheimer e o apelo visual do longa podem garantir uma vaga que muitos julgavam improvável meses atrás.
O Ranking dos Favoritos (Contender Countdown)
De acordo com o mapeamento atual das tendências de voto, o panorama para a categoria de Melhor Filme se desenha assim:
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One Battle After Another: Deve liderar em número total de indicações.
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Hamnet: O drama de Chloé Zhao é o favorito sentimental e forte candidato à vitória.
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Sinners: A grande aposta de Ryan Coogler para conquistar seu primeiro Oscar de roteiro.
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Marty Supreme: O veículo perfeito para dar a Timothée Chalamet a estatueta de Ator.
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Sentimental Value: Apoio sólido, especialmente para Stellan Skarsgård em Coadjuvante.
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Frankenstein: Guillermo del Toro mantém seu status de queridinho da Academia.
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Train Dreams: Considerado seguro, embora não seja um “lock” absoluto.
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O Agente Secreto: O representante brasileiro deve ser beneficiado pela expansão internacional dos votantes.
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Bugonia: Yorgos Lanthimos pode emplacar sua terceira indicação consecutiva.
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F1: O sucesso de bilheteria e o apoio do PGA devem segurar a última vaga.
As Incertezas da Reta Final
Fora do Top 10, mas ainda com chances, aparecem títulos como “Wicked For Good”, que pode ter sofrido com uma campanha iniciada tardiamente, e “It Was Just An Accident”, de Jafar Panahi. No caso de Panahi, a análise sugere que a falta de reconhecimento prévio em grupos de críticos pode ter prejudicado o alcance do filme entre os membros menos engajados da Academia.
Com o anúncio oficial das indicações se aproximando, a indústria aguarda para ver se 2026 será o ano em que o “status quo” de Hollywood será desafiado pela diversidade internacional e pela força das distribuidoras independentes.

