O Cinema de Buteco preparou um material muito especial com os melhores filmes de 1986. Quais os seus favoritos?
HÁ 40 ANOS ERAM LANÇADOS ALGUNS CLÁSSICOS DA HISTÓRIA DO CINEMA, entre eles Conta Comigo e Curtindo a Vida Adoidado. Para comemorar, nós preparamos uma lista com os principais longas-metragem que chegaram nas telonas em 1986. Se prepare para uma viagem ao passado para conhecer obras que você não tinha nem ouvido falar ainda e também para rever aqueles filmes que você não assiste há anos.
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Aprecie sem moderação.
30. Highlander – O Último Imortal, de Russell Mulcahy
“Só pode restar um.” Quatro palavras que moldaram gerações. Se você cresceu nos anos 80 e essa frase não acende alguma coisa no peito, eu lamento, mas não nos conhecemos.
Russell Mulcahy — um diretor de videoclipes que resolveu fazer cinema e, contra todas as probabilidades, acertou em cheio — construiu um épico de fantasia que viaja da Escócia do século XVI às ruas sujas de Nova York dos anos 80 com uma desfaçatez tão grande que só podia dar certo. Christopher Lambert como um guerreiro escocês imortal com sotaque francês carregado é o tipo de absurdo que deveria destruir o filme mas, estranhamente, o torna ainda mais encantador. E Sean Connery, que já havia feito Bond, Indy e monge medieval em 1986, resolve aparecer aqui como um egípcio com sotaque escocês para provar, definitivamente, que fazia o que bem entendia e ainda assim era o homem mais cool da sala.
A trilha sonora do Queen é, por si só, razão suficiente para ver o filme. Princes of the Universe tocando enquanto imortais se decapitam com espadas no topo de um arranha-céu de Manhattan é a síntese perfeita do que a cultura pop dos anos 80 tinha de melhor e de mais completamente despudorado. Um clássico absoluto que envelheceu do jeito certo: ficou mais divertido.
29. Jean de Florette, de Claude Berri
Enquanto Hollywood explodia em efeitos especiais e guerras nas estrelas, a França entregava em 1986 um dos dramas rurais mais devastadores da história do cinema. Jean de Florette é daqueles filmes que você assiste sem perceber que está prendendo a respiração — e quando solta, já é tarde demais.
Gérard Depardieu interpreta Jean Cadoret, um humilde funcionário público que herda uma propriedade no interior provençal e alimenta o sonho de viver da terra. O problema é que seus vizinhos, Ugolin (Daniel Auteuil) e o velho César Soubeyran (Yves Montand), querem aquele terreno. E obstruem a nascente d’água para fazer Jean fracassar lentamente. É uma história de ganância, crueldade silenciosa e ambição disfarçada de simples rusticidade — e Claude Berri filma tudo com uma beleza que dói.
Depardieu entrega uma das atuações mais comoventes de sua carreira. Montand é a própria encarnação da maldade pragmática e provinciana. E Auteuil, naquele que seria o trampolim de sua consagração, equilibra covardia e afeto de um modo que deixa o espectador sem chão. A continuação, Manon das Fontes, também é obrigatória — e os dois juntos formam uma das experiências cinematográficas mais completas que a Europa produziu nos anos 80.
28. Por Volta da Meia-Noite, de Bertrand Tavernier
Há filmes sobre música. E há filmes que são música. Por Volta da Meia-Noite pertence inequivocamente à segunda categoria.
Bertrand Tavernier escala Dexter Gordon — um dos maiores saxofonistas da história do jazz — para interpretar Dale Turner, um músico americano que toca numa boate em Paris nos anos 50, destruído pelo álcool, pela solidão e pelo peso de ser um gênio em declínio. Não é bem uma ficção: Gordon simplesmente trouxe sua própria vida para as câmeras, e a autenticidade disso atravessa a tela.
O filme ganhou o Oscar de Melhor Trilha Sonora para Herbie Hancock, e com toda a razão — mas o que realmente prende não é só a música, é o silêncio entre as notas, o que Dale Turner carrega consigo quando as luzes do palco se apagam. Uma obra que os amantes de jazz já conhecem de cor e que os não-iniciados vão descobrir com assombro. Raro e precioso.
27. Karate Kid II – A Hora da Verdade, de John G. Avildsen
Continuações desnecessárias existem aos milhares. Karate Kid II quase entra nessa lista — e se salva por um triz, mas se salva.
Avildsen e o roteirista Robert Mark Kamen tiveram a sensatez de não repetir a fórmula do torneio e levaram Daniel e Mr. Miyagi até Okinawa, para um confronto que era, no fundo, sobre o passado do mestre, não do pupilo. É uma jogada honesta e razoavelmente corajosa para um filme de estúdio dos anos 80. Pat Morita, mais uma vez, carrega o filme nas costas com uma dignidade e um afeto que desarmam qualquer cinismo.
Não tem a força do original. O vilão é caricato demais e o romance de Daniel no Japão é esquecível como um souvenir de aeroporto. Mas tem Miyagi com o coração partido, tem lições sobre honra que funcionam mesmo quando são explícitas demais, e tem aquela cena da tempestade que salvou ao menos uma dúzia de garotos do bullying nos anos 80. Vale a sessão, especialmente para quem cresceu com os dois.
26. Ginger e Fred, de Federico Fellini
Quando um dos maiores cineastas de todos os tempos resolve fazer um filme sobre televisão, o resultado não poderia ser menos que uma carta de amor raivosa endereçada à mediocridade.
Ginger e Fred é Fellini no modo crônica: dois dançarinos envelhecidos que imitavam Ginger Rogers e Fred Astaire nos anos 40 são convidados para se reunir num show de variedades televisivo. Giulietta Masina e Marcello Mastroianni — dois ícones do cinema italiano, com décadas de história entre eles — entregam uma química tão natural que parece que a câmera simplesmente os encontrou por acaso.
O alvo real de Fellini é a TV italiana dos anos 80, com seus programas barulhentos, seus personagens grotescos e sua voracidade por qualquer tipo de espetáculo descartável. É sátira feroz embalada em nostalgia terna — e a cena final entre os dois protagonistas na estação de trem é de uma melancolia tão delicada que aperta o coração sem que você saiba exatamente quando isso aconteceu. Um Fellini acessível, emotivo e urgente. Imperdível para iniciantes e essencial para os já convertidos.
25. Daunbailó, de Jim Jarmush
Jim Jarmusch é o tipo de cineasta que faz você se sentir inteligente só de assistir aos filmes dele — mesmo quando você não entende metade do que está acontecendo. Daunbailó (ou Down by Law, para os não iniciados na fonética napolitana) é uma prova cabal disso: três sujeitos absolutamente improváveis dividindo uma cela de prisão em Nova Orleans, e de alguma forma isso se torna uma das comédias mais elegantes dos anos 80.
Tom Waits, John Lurie e Roberto Benigni formam um trio que não deveria funcionar em hipótese alguma — é como colocar um saxofonista de jazz, um barman bêbado e um turista italiano numa sala de espera e esperar uma sinfonia. Mas funciona, e muito. Benigni, especialmente, rouba cada cena que aparece com um carisma tão avassalador que fica fácil entender por que o mundo inteiro foi ao chão quando ele ganhou o Oscar anos depois.
Filmado em preto e branco por Robby Müller com aquela beleza suja e poética que só o Sul americano oferece, Daunbailó é cinema independente no seu estado mais puro: sem pressa, sem fórmula, sem condescendência com o espectador. Jarmusch confia que você vai embarcar, e quando você embarca, não quer mais sair.
24. Sid e Nancy, de Alex Cox
Sid Vicious é um dos principais nomes da história do punk, do contra-baixo e da cultura em geral. Não por suas qualidades como instrumentista, veja bem. Mesmo com um instrumento de quatro cordas e com a obrigação de tocar apenas as notas tônicas (fazendo o acompanhamento mais básico), ele encontrava dificuldades e fez muitas apresentações com o instrumento desligado. Fora do palco, a sua vida era um caos. Vício em heroína, agressões e um relacionamento tóxico com uma garota tão perturbada quanto ele. A mistura disso tudo foi explosiva e resultou na sua morte poucos anos depois do auge meteórico do Sex Pistols e seu final. Sid e Nancy é uma obra que foca nesse personagem único que marcou a música e se tornou um símbolo de rebeldia.
23. A Morte Pede Carona, de Robert Harmon
“Jim (C. Thomas Howell) é um jovem que está dirigindo pela estrada e ao parar o carro para ajudar um estranho, entra numa jornada aterrorizante. Acontece que o estranho, John Ryder (Hutger Hauer), é um verdadeiro psicopata que coleciona as suas vítimas no meio da estrada.
Clássico da década de 1980, A Morte Pede Carona é um road movie que mostra aos espectadores como seria a mistura do gênero terror com Mad Max, de George Miller, e Encurralado, de Steven Spielberg. Mesmo sem ter a classe (para não dizer qualidade) das produções citadas, é um filme que merece a atenção dos fãs dessa década maldita.
A Morte Pede Carona também está na nossa lista de 50 melhores filmes com psicopatas.”
Tem filme que te deixa com aquela sensação de ter assistido algo grande. A Missão é exatamente esse tipo de obra — daquelas que você começa sem saber muito e termina em silêncio, precisando de uns dez minutos antes de falar qualquer coisa. Roland Joffé constrói um épico sobre fé, colonialismo e o eterno conflito entre o que é certo e o que é conveniente, ambientado nas missões jesuítas na América do Sul do século XVIII.
Robert De Niro e Jeremy Irons entregam interpretações de fazer inveja: o primeiro como um mercenário de alma pesada buscando redenção; o segundo como um sacerdote que acredita genuinamente que Deus está do lado dos mais fracos — o que, convenhamos, raramente foi suficiente na história da humanidade. Ennio Morricone, de quebra, entrega uma das trilhas sonoras mais bonitas da década. Ganhou a Palma de Ouro em Cannes em 1986, e merecia.
21. Matador, de Pedro Almodovar
Se você ainda acha que Almodóvar é “aquele diretor espanhol que faz filme de mulher”, Matador vai te dar um belo tapa na cara — e você vai agradecer. Filmado em 1986, quando o diretor manchego ainda estava construindo o seu universo delirante tijolo por tijolo, Matador é um exercício de provocação estética que mistura erotismo, morte, touradas e culpa católica com a naturalidade de quem está tomando café da manhã.
A premissa é deliciosamente perturbadora: um ex-toureiro que vira professor e uma advogada com um fetiche mortal encontram um no outro algo que nenhum ser humano equilibrado deveria encontrar — e se apaixonam por isso. Almodóvar filma o desejo como se fosse uma força da natureza, inevitável e destruidora como uma avalanche, e tem a coragem de não julgar nenhum dos seus personagens.
Não é o Almodóvar mais acessível — esse título provavelmente pertence a Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos — mas é um dos mais fascinantes. Um filme que te olha nos olhos e pergunta, sem cerimônia: até onde vai o seu limite? E antes que você responda, já mudou de cena.
20. Labirinto, de Jim Hensom
“Um dos filmes mais memoráveis da década de oitenta (pelo menos entre o gênero de fantasia).
David Bowie atua no papel do “Rei dos Duendes” e apresenta uma ótima atuação que foi complementada com excelentes canções (como “As The World Falls Down”, “Magic Dance”… ) e ótimos passos de dança.
Portanto, nesse filme, Bowie mostrou sua pluralidade artística, que sempre foi um dos maiores destaques de sua carreira.”
Juliana Vannucchi
19. O Nome da Rosa, de Jean-Jacques Annaud
Boa adaptação do romance homônimo, o primeiro de Umberto Eco.
A trama traz uma série de assassinatos em um mosteiro medieval e mistura discussões religiosas, história, filosofia, simbologias diversas e muito amor aos livros.
Boa oportunidade de ver Sean Connery com um personagem muito carismático e, de quebra, Christian Slater como Adso de Melk, jovem monge que é confrontado com a crueza do mundo.
Aline Monteiro Homssi
18. Caçador de Assassinos, de Michael Mann
Antes de O Silêncio dos Inocentes transformar Hannibal Lecter numa celebridade de Halloween, Michael Mann já havia levado o personagem para as telas em Caçador de Assassinos — com Anthony Hopkins no papel, sim, mas aqui chamado de “Lecktor” por razões que envolvem direitos autorais e toda aquela salada jurídica de Hollywood.
O que Mann faz aqui é quase contracultural para os padrões do thriller policial dos anos 80: ele transforma o detetive Will Graham num homem partido, que literalmente precisa se tornar o monstro para entendê-lo. É desconfortável do jeito certo. A fotografia é fria, quase clínica, e a trilha sonora sintetizada tem aquele sabor inconfundível da época — datado e genial ao mesmo tempo, como uma jaqueta de couro num leilão de antiguidades. William Petersen está irreconhecível (no bom sentido) e Tom Noonan como o assassino Francis Dollarhyde é pura perturbação ambulante. Um thriller que foi injustamente ignorado na época e só ganhou o respeito que merecia décadas depois.
17. Veludo Azul, de David Lynch
Bem antes de Sam Mendes e o seu Beleza Americana, David Lynch já havia mexido com as estruturas que definem american way of life. Claro que de modo surreal, com uma orelha decepada revelando a obscuridade por traz de famílias de comerciais de margarina protegidas pelas cercas brancas espalhadas pelo jardim. É uma distorção também encarnada no insano Frank Booth, o maior personagem do saudoso Dennis Hopper.”
Alex Gonçalves, do Cine Resenhas
“Uma das obras que melhor traduz a essência perturbada de David Lynch, Veludo Azul é um dos melhores e mais completos filmes do cineasta, criando uma atmosfera de loucura e surrealismo extremamente tangível, embalada por uma trilha sonora ao mesmo tempo encantadora e macabra. Tudo isso contribui para que você sinta que realmente qualquer coisa pode acontecer, por mais bizarra e impossível que seja. O filme também tem o mérito de ser o que determinou o padrão para os futuros trabalhos de Lynch, como a icônica série Twin Peaks.”
Lucas Victor
16. Henry: Retrato de um Assassino, de John McNaughton
“Apesar de ter um pôster muito tosco e até mesmo um clima daqueles filmes ruins que ninguém gostava de alugar na época das locadoras, Henry: Retrato de um Assassino é uma surpreendente cinebiografia sobre o assassino Henry Lee Lucas (1936-2001).
Henry (Michael Rooker) é um homem solitário e violento que tem o hábito de matar mulheres. Ao lado do seu colega de quarto Otis, ele começa a atacar prostitutas e casas de família no final dos anos 1970. O filme conta a sua história e o envolvimento romântico com a irmã de Otis, a jovem Becky.
Recomendado para amantes de cinebiografias, curiosos sobre a vida de psicopatas da vida real e amantes dos filmes de terror. Lembre-se do meu aviso inicial e não desista. Henry é uma daquelas obras que podem deixar a desejar em relação à qualidade visual, mas entregam uma história poderosa que mexem com a gente.
Tullio Dias
15. Peggy Sue, Seu Passado a Espera, de Francis Ford Coppola
Abalado com o fracasso comercial de O Fundo do Coração (um dos mais monumentais da história do cinema), Francis Ford Coppola precisou redefinir a sua obra para sanar dívidas que o perseguiram até Drácula de Bram Stoker. Peggy Sue, Seu Passado a Espera pode não ser um filme de autor, mas comprova a sensibilidade singular do cineasta em conduzir histórias agridoces. A comoção é certa no reencontro da personagem-título (interpretada pela maravilhosa Kathleen Turner) com caminhos já traçados, rendendo uma retrospectiva terna sobre família, amizade, as dores provadas por perdas e a possibilidade de trazer para o presente o encanto do passado.”
Alex Gonçalves, do Cine Resenhas
14. A Pequena Loja de Horrores, de Frank Oz
Antes de se envolverem na produção de clássicos da animação como A Pequena Sereia e A Bela e a Fera, a dupla de compositores Alan Menken e Howard Ashman criou esse musical extremamente cômico e bizarro inspirado em um filme B dos anos 60 sobre uma planta carnívora alienígena. Com músicas contagiantes, atuações inspiradas (como a participação mais que especial de Bill Murray como um fanático por dentistas), e um dos melhores exemplos de uso de animatronics no cinema (mérito do diretor Frank Oz que é até hoje o principal nome quando se pensa em bonecos, fantoches e coisas do gênero) A Pequena Loja de Horrores é um dos melhores exemplos do que o cinema de humor dos anos 80 tinha a oferecer, especialmente com o final alternativo que é pura genialidade.
Lucas Victor
13. O Castelo no Céu, de Hayao Miyazaki
“Preso” entre duas das maiores obras de arte do mestre Miyazaki (Nausicaä do Vale do Vento e Meu Vizinho Totoro), Castelo no Céu poderia ser um mero filler na filmografia do diretor.
Poderia, mas passa longe disso.
O esmero, a sensibilidade e os diálogos magnificamente construídos estão lá, fazendo desta mais uma grande realização do ex-comandante do Studio Ghibli. Na verdade, pensando bem, não existem fillers na filmografia de Hayao Miyazaki.
Tudo que o homem fez é genial; e Castelo no Céu é uma prova contundente dessa genialidade.
Marcus Celestino
12. 9 1/2 Semanas de Amor, de Adrian Lyne
“É um filme erótico, que exala tesão, desses que seus pais não te deixavam ver em hipótese alguma quando passava depois da novela ou no Corujão (isso supondo que você tenha entre 20 e 30 anos), mas é também um filme de amor, por que não? Afinal, não é o amor também uma relação cheia de limites e quebra dos mesmos?”
Juliana Lugarinho
“Relembrar a filmografia de Adrian Lyne é constatar o quanto Hollywood está regredindo ao abordar a sexualidade no cinema, algo evidenciado no sucesso do recatado Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo sem êxito comercial e artístico nos Estados Unidos (a premissa é descartável), 9 1/2 Semanas de Amor é uma produção que prossegue povoando nosso imaginário, especialmente pela química entre Mickey Rourke e Kim Basinger em seus ardentes jogos de sedução.”
Alex Gonçalves, do Cine Resenhas
“Nos idos anos de 1980, 9 e Meia Semanas de Amor causou furor e desconforto na sociedade ao retratar um casal testando os limites do sexo. Protagonizado por Kim Basinger e Mickey Rourke em interpretações bastante convincentes, ambos esbanjam muito sex appeal. A cena de strip tease de Kim ao som de “You Can Leave Your Hat On” até hoje ronda o imaginário masculino.”
Juliana Uemoto
11. Hannah e suas Irmãs, de Woody Allen
“Mais uma daquelas obras primas simples, e no fim das contas belíssimas de Woody Allen, que não falam de nada, a não ser de nós mesmos, dos homens e mulheres que vivem loucos nas cidades (no caso sua amada Nova Iorque), e que, mesmo tendo que se preocupar com trabalho, família, realizações pessoais, e coisas do tipo, querem apenas ser felizes.
Como era de se esperar, vindo de um filme escrito e dirigido por Woody Allen, as falas e as situações são ótimas a todo o momento e mesclam momentos de dramas pessoas dos personagens, com um humor característico do diretor (aquele em que você não cai de tanto gargalhar, mas que fica com um sorriso no canto da boca, sabe?).”
João Andrade
10. Um Dia a Casa Cai, de Richard Benjamin
Ainda nos primeiros passos de sua carreira, Tom Hanks começava a se destacar como uma das sensações da indústria atuando em divertidas comédias, como é o caso de Um Dia a Casa Cai.
A trama acompanha um jovem casal que compra uma casa acreditando ter feito o negócio de suas vidas, mas logo descobre que o lugar está condenado e caindo aos pedaços. Uma reforma se torna obrigatória e no processo, os pombinhos apaixonados passam por diversas confusões que colocam o próprio casamento em risco.
Comédia imperdível para quem gosta de produções sobre casais que brigam e se amam como cão e gato. Existem cenas hilárias, além de termos Tom Hanks em um de seus melhores trabalhos.
Tullio Dias
9. Platoon, de Oliver Stone
Platoon é outro filme que explora as mazelas da Guerra do Vietnã. Genial ao revelar que na guerra não há mocinhos ou bandidos, todos carregam suas culpas, independentemente do lado que defende. Pontos fortes: Tom Berenger e Willem Dafoe estão ótimos!
Juliana Uemoto
“O roteiro é baseado nas próprias experiências de Oliver Stone, que para quem não sabe, foi dos combatentes do exército norte-americano no Vietnã. O protagonista Chris Taylor (Charlie Sheen) é uma representação de Stone, um jovem que acredita ser o seu dever lutar a guerra ao lado de seus compatriotas – mesmo sem ter a menor noção do que aquilo realmente significa. O desenvolvimento do filme trabalha com a imaturidade de Taylor diante os horrores do combate e mostra como a violência faz parte da natureza humana através dos personagens de Tom Berenger e Willem Dafoe.”
Tullio Dias
8. A Mosca, de David Cronenberg
“Menos sombrio do que eu esperava, mesclando humor, ficção científica e horror trash, uma interpretação inspirada de Jeff Goldblum e um final com uma transformação bizarríssima, A Mosca ainda diverte e é uma boa pedida.”
Lucas Paio
A Mosca é nojento e chocante! São medonhas as cenas do cientista em processo de transformação de ser humano em mosca?! Isso mesmo! Uma experiência mal-sucedida expôs o cientista a uma condição sub-humana, no melhor estilo Kafkiano!
Juliana Uemoto
Apesar de gostar de suas obras mais recentes, sinto saudades do velho e visceral Cronenberg. Shivers, Videodrome e Scanners são tão seminais que influenciaram toda uma geração de cineastas incluindo o pai do Cyberpunk japonês, o ótimo Shinya Tsukamoto. A vasta (e sólida) filmografia de Cronenberg, contudo, tem seu ápice. O cume em questão é A Mosca. A obra, epítome do ‘body horror‘ Cronenberguiano, conta com personagens muito bem desenvolvidos e uma atuação primorosa de Jeff Goldblum. Confesso que até hoje meu estômago embrulha ao assistir a esta obra, uma tragédia shakespeariana recheada de gore.
Marcus Celestino
7. A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese
“Estrelado por Paul Newman, Tom Cruise e Mary Elizabeth Mastrantonio, o filme conta a história de um rapaz convencido, mas muito talentoso, que começa a aprender lições valiosas sobre a vida de um jogador de bilhar profissional. Durante os ensinamentos, o seu professor acaba percebendo que ainda sente tesão pelo jogo e começa a se sentir animado com a possibilidade de voltar às mesas. Continuação de Desafio à Corrupção, de 1961.
Caso você seja fã de Martin Scorsese, A Cor do Dinheiro é um filme imperdível. Até mesmo para quem não é tão fã do trabalho do diretor pode se surpreender com o ritmo mais ágil e uma duração um pouco menor que o costume, mas o que garante mesmo a atração do público é a química entre esses três atores principais, principalmente o carismático Paul Newman. Que homem!
Tullio Dias
6. A Garota de Rosa Shocking, de John Hughes
Convenhamos, esta não é a melhor comédia de John Hughes. Mesmo assim, é capaz de superar 90% das obras do gênero produzidas na década de 1980. A premissa é do tempo da carochinha, mas a capacidade de subverter temas simples de Hughes e o impressionante carisma de Molly Ringwald elevam este filme a um outro patamar.
Marcus Celestino
“Numa época em que o divórcio era algo cada vez mais presente nas famílias americanas, os pais eram sempre vistos como o ser irresponsável que saiu de casa e deixou a mulher com os filhos. É só lembrar o filme E.T. para visualizar essa afirmação. No caso de A Garota de Rosa Shocking, as coisas são diferentes: o pai e a filha Andie foram abandonados pela matriarca. Com dificuldades financeiras e poucos amigos, Andie e seu pai Jack possuem uma relação sincera, onde ela é mais madura que o homem que a cria. Independente disso, a vida de Jack é praticamente voltada para a adolescente. É impossível não se emocionar com a cena em que os dois discutem por ele ter investido seu escasso dinheiro em um vestido para o baile de formatura de Andie. Assim como a maioria dos filmes de John Hughes e também dos Brat Packs, a mistura da realidade simples e complexa é retratada de forma apaixonante e inesquecível, assim como os seus queridos personagens, sejam pais ou filhos”
Thais Vieira
5. Top Gun – Ases Indomáveis, de Tony Scott
Uma das principais contribuições do saudoso Tony Scott, Top Gun conta a história de um jovem piloto arrogante que tenta se tornar um dos melhores pilotos do esquadrão de elite do exército. Ao mesmo tempo que assistimos Tom Cruise competindo com Val Kilmer, descobrimos os conflitos pessoais do personagem e seu romance com a única mulher “relevante” do longa-metragem. Vale a pena pela curiosidade em ver Cruise em um de seus trabalhos mais importantes.
Tullio Dias
“Top Gun: Ases Indomáveis é o filme que alavancou a carreira de Tom Cruise e de tabela as inscrições de jovens na Aeronáutica norte-americana. Mesmo criticado por fazer “propaganda” da Força Aérea, a verdade é que marcou a juventude de muitas fãs do astro.”
Juliana Uemoto
4. Os Aventureiros do Bairro Proibido, de John Carpenter
“Os Aventureiros do Bairro Proibido é uma daquelas aventuras dos anos 1980 carregadas de tosqueira. Ver raios coloridos saindo dos olhos daqueles demônios chineses nunca será demais. O que era legal e estava na moda virou brega para quem não tem memória, mas é mais nostálgico do que nunca para quem gosta de lembrar como isso surpreendia quem viveu a época em questão”
João Golin
“Essa obra-prima da porradeira fez parte da minha história quando era um pequeno catatau. Acho que provavelmente foi o meu primeiro filme favorito. Ficava usando as miniaturas do Rambo e fingindo que estava criando meu próprio remake da produção dirigida por John Carpenter. Me divertia horrores com os “chefões”, incluindo aqueles dois que (provavelmente) inspirariam a criação do Raiden e Shang Tsung, de Mortal Kombat. Nas revisões mais recentes, até percebo um monte de defeito, mas nada que tire a graça de um dos melhores filmes da década de 1980. Ou um dos mais divertidos, no mínimo.”
Tullio Dias
3. Aliens – O Resgate, de James Cameron
“A sequência de Alien, O Oitavo Passageiro, de Ridley Scott, também pode ser visto como um filme sobre a força da maternidade, ainda que tal interpretação seja possível apenas através de uma visão mais psicológica dos detalhes implícitos no roteiro, que oferece ao público uma experiência única se tratando de produções de ação. Aliás, envolver o público através de um humor bobo (mas sutil), se aproveitar de pequenos clichês para fazer a trama fluir, e criar cenas de ação realmente empolgantes faz parte da assinatura de Cameron, que consegue aproveitar pontos do filme original e ao mesmo tempo se afasta completamente da atmosfera de suspense e ficção científica que dominaram o filme de Scott.
Com cenas de ação eletrizantes e a introdução dos vilões apenas na metade do filme, algo que é digno de aplausos e que mostra a inteligência e qualidade do roteiro criado por Cameron e sua equipe. Geralmente os filmes do gênero ignoram as lições aprendidas com o “acidente que deu certo” de Tubarão, de Steven Spielberg, e insistem em partir para o caminho mais fácil de agradar ao público com alguma aparição rápida do “vilão” no primeiro ato.”
Tullio Dias
2. Conta Comigo, de Rob Reiner
“Conta Comigo é um filme com falhas de execução, mas é tão lindo e tem um roteiro tão significativo que as falhas acabam em segundo plano.”
Aline Monteiro Homssi
Assim como Curtindo a Vida Adoidado e A Garota de Rosa Shocking, Conta Comigo é um clássico da Sessão da Tarde. Todavia, ao contrário das comédias leves de John Hughes, o drama de Rob Reiner é denso, bucólico e te deixa com um gostinho agridoce na boca. Assisti Conta Comigo recentemente e parece que o tempo não passou para o filme. A película não se mostrou “datada” e até hoje vemos sua atmosfera ser replicada em algumas obras, especialmente nas realizações de David Gordon Green. Ademais, os jovens protagonistas estão soberbos e merecem todos os elogios. River Phoenix, por exemplo, entrega uma interpretação catártica. Ele era um talento nato, um ator fantástico. Pena que o perdemos tão precocemente.
Marcus Celestino
Sabe aqueles filmes que você vê mil vezes quando criança? Pois é, um deles pra mim foi Conta Comigo. Não sei o que me encantou tanto nesse filme de 30 anos atrás: talvez os quatro engraçados protagonistas e sua química incondicional, talvez as cenas hilárias como as do sanguessuga e competição de torta. Só sei que foi o longa que me apresentou River Phoenix, meu ator favorito de todos os tempos, e jamais o tirei da memória desde minha infância.
Dani Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?
1. Curtindo a Vida Adoidado, de John Hughes
“John Hughes entende como ninguém o espírito adolescente e criou uma das produções mais divertidas de Hollywood. Quem nunca quis matar aula pra cantar “Twist & Shout” em desfile no centro da cidade, que atire a primeira Ferrari pela janela.”
Lucas Paio
“John Hughes tinha a grande habilidade de entender a alma adolescente dos anos 80 e traduzi-la em seus filmes. Em Curtindo a Vida Adoidado, vamos vamos jornada de Ferris Bueller cabulando um dia de escola para aproveitar a vida numa verdadeira ode ao Carpe Diem.”
Leonardo Lopes Carnelos
“Se você conhecer alguém que não gosta de Curtindo a Vida Adoidado, o meu conselho é FUJA desta pessoa. Ela certamente possui problemas sérios de caráter ou é a pessoa mais sem graça da face da Terra. Você pode até se esforçar para fazer caridade e convence-la que o filme merece uma nova chance. Agora, se por acaso, você cruzar o caminho de quem ainda não viu essa obra-prima de John Hughes, sugiro fazer um convite naquele velho estilo “vem assistir filme na minha casa”, segurar o fogo na sua bunda, e esperar até o final dos créditos para receber um verdadeiro abraço de gratidão. Pois a lição ensinada por Curtindo a Vida Adoidado é valiosa demais para que existam pessoas de bem que passem a vida inteira sem tomar conhecimento dela.”
Tullio Dias








