Timothée Chalamet agradece Kylie e finge humildade

Se existisse uma categoria “Melhor Performance de Humildade Pós-Oscar-Bait”, Timothée Chalamet já teria levado a estatueta antes mesmo de subir ao palco. No Critics Choice Awards 2026, o ator finalmente venceu seu primeiro prêmio da temporada — e fez questão de transformar o momento em um espetáculo de ansiedade performática, gratidão calculada e romance reality-show-coreografado.

Chalamet venceu como Melhor Ator por Marty Supreme, olhou para a plateia como quem acabou de ganhar um vale-refeição e soltou a frase que já entrou para o manual do ator jovem-premiado-mas-não-tão-jovem-assim:

“Não sei se vou estar aqui de novo.”

Calma, Timothée. Você tem 30 anos, é o rosto oficial da angústia indie com orçamento de estúdio e já fez mais filmes “definitivos” do que o Scorsese anunciou aposentadorias.


Nervoso ou método?

Ao ouvir seu nome, Chalamet ficou visivelmente abalado — ou interpretando alguém abalado, o que, vindo dele, dá no mesmo. Gaguejou, tropeçou nas palavras, suspirou, fez pausa dramática. Parecia menos um discurso de agradecimento e mais um ensaio de cena para um filme sobre um ator ganhando prêmio pela primeira vez.

Damn, I’m more nervous than I thought I’d be”, disse ele, corrigindo a própria frase, porque nada grita autenticidade como revisar o texto ao vivo diante de Hollywood inteira.

Ele agradeceu os indicados, com destaque para Michael B. Jordan, porque elogiar o colega bonito, talentoso e igualmente premiável sempre rende pontos no sindicato da boa convivência. Comentou até a cena pós-créditos de Sinners, provando que ele é do tipo que fica até o final do filme — quando sabe que vale a pena.


Josh Safdie, o arquiteto do “sonho sem moral”

O diretor Josh Safdie também ganhou seu momento no palco. Segundo Chalamet, Safdie criou uma história “relacionável” sem dizer ao público o que é certo ou errado. Uma bela forma de dizer: “Obrigado por me dar um personagem confuso, intenso e premiável, mas sem panfleto.”

Hollywood adora histórias “sem julgamento” — especialmente quando o julgamento vem depois, em forma de troféu.


E então… Kylie Jenner entrou em cena

Ah, sim. Kylie Jenner. Porque nenhum discurso de ator sério está completo sem um momento Kardashian-Adjacent™.

Chalamet agradeceu à “parceira de três anos”, falou em “fundação”, declarou amor e deixou a câmera fazer o resto. Close em Kylie, silêncio respeitoso da plateia e aquele clima delicioso de Euphoria encontra Keeping Up with the Kardashians.

O casal, claro, não passou pelo tapete vermelho. Chegou depois que a cerimônia começou, porque chegar atrasado em premiação é o novo chegar cedo: um gesto cuidadosamente ensaiado para parecer espontâneo.


Moda copiando moda (ou: todo mundo virou Timothée)

Detalhe saboroso da noite: Paul W. Downs e Meg Stalter, de Hacks, viraram assunto porque estavam vestidos exatamente como Chalamet e Kylie na estreia de Marty Supreme. Coincidência? Homenagem? Deboche fashion? Nunca saberemos. Mas fica o registro: até os looks de Chalamet já estão sendo citados antes de virarem vintage.


A falsa insegurança que Hollywood ama

O mais fascinante não é Chalamet ganhar — isso era questão de tempo, calendário e campanha. O fascinante é o ritual da falsa insegurança, esse teatro emocional que Hollywood exige: você precisa parecer grato, assustado, humilde e levemente incrédulo… mesmo sendo exatamente o tipo de pessoa que todos sabiam que venceria.

E funciona. Sempre funciona.

Chalamet sai do Critics Choice com um prêmio na mão, Kylie no enquadramento e a narrativa perfeita: o jovem gênio que ainda não se acostumou ao sucesso. Um papel que ele domina tão bem quanto qualquer personagem que já interpretou.

Se ele vai estar ali de novo?
Relaxa, Timothée. A indústria já reservou seu lugar.

Confira aqui a lista completa dos vencedores do Critics Choice Awards 2026.