O Cinema de Buteco orgulhosamente apresenta a sua lista de melhores filmes de aventura de 2016. Apreciem sem moderação!
EM QUATRO ANOS como encarregado da organização desta lista, nunca foi tão difícil conseguir encontrar uma dezena de bons títulos aventureiros lançados num período de doze meses. Enquanto o faroeste ressurgiu e o subgênero dos super-heróis foi solidificado, o gênero da aventura está aparentemente sendo sepultado pelo cinema contemporâneo, ao menos no que diz respeito à relevância. Ainda assim, nosso esforço foi suficiente para mapear, entre os lançamentos de 2016, as vezes nas quais a herança de Indiana Jones e companhia respirou.
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O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine Home’s for Peculiar Children, Tim Burton, 2016) Não é fácil encarar a adaptação de um livro que vira mania entre adolescentes e jovens adultos. O público, apegado a cada detalhe da narrativa, pode ser bastante rígido no julgamento do resultado. Também por isso é necessário reconhecer, mais uma vez, o talento de Tim Burton. A adaptação cinematográfica do livro de Ramsom Riggs tem diferenças da história original e a torna mais dinâmica e divertida. Claro, dificilmente um filme será melhor do que o livro, mas este é um caso em que o diretor utilizou muito bem a sua influência no gênero para conceber um filme capaz de conquistar o público jovem e, principalmente, convidá-lo para conhecer a obra do escritor. A história do garoto chamado Jake mostra o mesmo descobrindo um novo mundo, que inclui fendas no tempo, pessoas que habilidades específicas e a certeza de que monstros realmente existem. (Graciela Paciência)
Recomendado para quem gosta de: Tim Burton, X-Men, Crianças super poderosas, para quem se achava esquisito na infância
A Lenda de Tarzan (The Legend of Tarzan, David Yates, 2016) Na nova pele de Tarzan, o sueco Alexander Skarsgård não demonstra o mesmo sex appeal que o visto no vampiro de True Blood. Introvertido, sem graça, ele só se solta um pouco quando volta para a selva, que parece ser seu habitat natural. Mesmo bem adaptado à cidade, vivendo como John Clayton III, o nobre Lorde Greystoke, ele está sempre deslocado, sendo tratado como diferente. De fato, o andar, que acompanha os macacos, moldou seus punhos de forma a aguentar seu peso, o que chama a atenção até de crianças. Se os cenários soam um tanto falsos, os animais são reais até demais. As sequências nas selvas do Congo empolgam, trazendo de volta aquele clima de aventura típico de filmes da Sessão da Tarde – o que deve agradar a muitos veteranos. Skarsgård tem cara e físico de Tarzan e merece uma segunda chance. (Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro)
Recomendado para quem gosta de: Ação, macacos, selva, músculos, loiros, gente sem roupa, mais macacos, Mogli versão adulto

Os Caçadores de Emoções (Point Break, Ericson Core, 2015) Jamais chega aos pés do original de 1991, da diretora Kathryn Bigelow. Mas também é querer demais que alguém supere a química entre o Patrick Swayze e o Keanu Reeves, né? Só que, mesmo não sendo uma produção marcante, é difícil negar a qualidade enorme das cenas de ação presentes no filme. Fãs de esportes radicais conseguem sentir a adrenalina facilmente. (Daniela Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?)
Recomendado para quem gosta de: remakes de qualidade, esportes radicais, trabalhos infiltrados
Meu Amigo, o Dragão (Pete’s Dragon, David Lowery, 2016) Refilmagem da obra da Disney de 1977, o filme conta a história de Pete que, após sofrer um acidente de carro com os pais, passa a viver em uma floresta ao lado de seu novo amigo Elliot, um dragão que vive na mata. A história é bem infantil, mas o drama em alguns momentos é para adultos. A paleta de cores é escura e pálida, fazendo não parecer um filme para crianças mas deixando a fotografia mais bonita. As atuações são boas e o elenco conta com o clássico Robert Redford. Com certeza é uma boa opção para passar uma mensagem de proteção a fauna e flora para os pequenos. (Natalia Ranhel)
Recomendado para quem gosta de: fantasia, filmes infantis, dragões

O Bom Gigante Amigo (The BFG, Steven Spielberg, 2016) Desde seus primeiros instantes, O Bom Gigante Amigo nos alimenta com a esperança do retorno daquele inesquecível Spielberg-aventureiro, um maestro empreiteiro do equilíbrio entre o divertimento e a ameaça. A retomada da ótica infantil está lá, e Sophie será nossos olhos e ouvidos no visualmente encantador mundo dos gigantes; uma pena, considerando o foco em sua relação com o amigável BGA, que não tenhamos mais espaço para conhecer o que de fato os aproxima – visando nos apresentar àquele universo, sabemos pouco da garota além do que a própria diz, vez ou outra, em diálogos de exposição – afora o fato de ambos serem bondosos indivíduos sujeitos a um meio que os julga e isola. Mesmo as coincidências – a lembrança da perda do casaco, por exemplo – e o excesso de exposição – vez ou outra, a garota parece apenas existir para representar nossa curiosidade sobre a recém-conhecida mitologia – servem a uma visão de mundo bem-intencionada e inocente que, embora não conduza mais a construção de um cinema de tanta qualidade, ainda preserva uma pureza aventureira. (Leonardo Lopes)
Recomendado para quem gosta de: Fantasia, Gigantes, crianças fofas, humor pastelão, Steven Spielberg, CGI
#10

Zoom (Pedro Morelli, 2015) A grande virtude de Zoom se dá mesmo em sua ousadia e habilidade em experimentações de estética, forma e linguagem. O caráter propositalmente cartunesco contamina não apenas a trama do cineasta, como toda a narrativa – afinal, todas contam com um tom imaginativo, partindo sempre de uma criação ficcional de histórias, assumindo a função de realizar a relação visual entre os segmentos, enquanto as estéticas particulares de cada terço da produção progridem de maneira colapsante, através do uso dos 12 frames por segundo e da intensificação da paleta de cores na medida em que a catarse de consciência dos protagonistas se aproxima. Uma aventura absolutamente metalinguística, uma jornada que viaja por distintas linguagens. (Leonardo Lopes)
Recomendado para quem gosta de: animações, arte gráfica, ilustradores
#9
King Jack (Felix Thompson, 2015) O longa-metragem conta a história de Jack, um jovem cheio de problemas com garotas e valentões das redondezas, que recebe a visita do seu primo mais novo durante um final de semana. Claro que Jack se recusa a tomar conta do garotinho, pois ele possui coisas mais importantes para fazer. No entanto, ninguém está nem aí para o que ele quer ou deixa de querer.
Apesar de evocar bastante o clássico Conta Comigo, King Jack apresenta uma jornada de descobertas com uma pegada muito mais dramática num curto período de tempo na vida de um adolescente. Acompanhamos todo o bullying que o garoto sofre nas mãos dos mais velhos e como ele demonstra amadurecer quando finalmente toma coragem para confrontar seus “inimigos”.
Recomendado para quem gosta de: Drama, Conta Comigo, bullying, filmes sobre infância, amadurecimento, férias, amizade
#8
Procurando Dory (Finding Dory, Andrew Stanton, Angus MacLane, 2016) Quando anunciaram a continuação do incrível Procurando Nemo confesso que fiquei um tanto chateado. Não me parecia um projeto que merecesse sequência e senti que seria um mero caça-níquel. Subestimei o poder da Pixar em nos encantar e emocionar.
Procurando Dory apresenta uma inesperada história sobre a origem da sequelada Dory. É um típico caso de obras que já arrancam lágrimas do seu público nos minutos iniciais sem parecer forçado. Ao transformar a perda de memória da personagem num grande arco dramático, o longa-metragem realiza uma curiosa relação com drama e humor.
Essa é a arte das obras da Pixar: transformar algo que seria motivo de dor e tristeza numa emocionante história sobre amor e amizade.
Recomendado para quem gosta de: Procurando Nemo, sushi, roadie movies, animações
#7
Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, David Yates, 2016) Nada define tão adequadamente este spin-off do universo de Harry Potter quanto o título de “ótima aventura”. Embora não perca o clima deliciosamente juvenil do anseio pela exploração de seus mistérios e figuras incríveis, amadurece ao trocar o ambiente escolar pelo atrito da mitologia mágica com o mundo real e suas ameaças críveis. Trata-se, enfim, de um surpreendente novo fôlego a um mundo que parecia empoeirado para as novas gerações, mas segue comprovadamente vibrante. (Leonardo Lopes)
#6
O Regresso (The Revenant, Alejandro Gonzalez Iñárritu, 2015) Muita gente vai ter certeza que o Cinema de Buteco exagerou nas caipirinhas por incluir O Regresso na lista de aventura. Muito mais fácil colocar a elogiada produção como um drama, não é mesmo? Quem pensa assim, não está errado, mas ignorar que o longa-metragem possui uma longa jornada com o herói passando por diversas etapas até concluir o seu objetivo é.
Para quem tem estômago e aprecia uma boa história de vingança, acompanhar o personagem de Leonardo DiCaprio lutando para sobreviver diante ameaças naturais e de inimigos é um prato cheio. Não existiu filme mais tenso e capaz de oferecer tantas sensações em 2016 quanto O Regresso.
Recomendado para quem gosta de: Drama, história real, neve, fotografia de cair o queixo, Zé Colmeia
#5
Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, Travis Knight, 2016) Mais uma animação na nossa lista de melhores filmes de aventura de 2016, mas agora temos uma autêntica aventura com direito a luta do bem contra o mal, lutas e muitos valores familiares em jogo.
Kubo e as Cordas Mágicas apresenta a história de um moleque de um olho só que precisa fugir desesperadamente do desejo de vingança do próprio avô, sedento por poder e pelo olho que sobrou. Pois é. E você pensando que a sua família era complicada!
Com vozes de Matthew McConaughey e Charlize Theron, a trama se desenvolve cumprindo alguns clichês no seu roteiro parcialmente previsível, mas que ainda assim consegue cativar o público infantil e adulto. Engraçado notar que Kubo consegue ser eficiente e prender a nossa atenção mesmo depois que conseguimos antecipar o que irá acontecer na narrativa. É um belo exemplar de ação, daqueles que você pode comprar e assistir mil vezes com sua família.
Recomendado para quem gosta de: Fantasia, luta do bem contra o mal, relacionamentos familiares, guerreiros, RPG
https://www.youtube.com/watch?v=xG8w9jyj45o
#4
Mogli – O Menino Lobo (The Jungle Book, Jon Favreau, 2016) É um alento, portanto, ver que este Mogli: O Menino Lobo consegue se sobressair entre os demais nessa selva de remakes. Dirigido por Jon Favreau (de Homem de Ferro 1 e 2), o filme segue de perto a trama da clássica animação da Disney de 1967: um pirralho criado por lobos conta com a ajuda de amigos mamíferos para fugir da ameaça de um tigre vil. Favreau e o roteirista Justin Marks mantêm a história simples, sem subtramas desnecessárias ou personagens novos que pouco acrescentariam (tá anotando, Peter Jackson?). É o Mogli que todos conhecemos, um moleque de tanga vermelha falando com bichos, mas com dois diferenciais fundamentais: um visual impecável e um elenco de vozes de botar respeito. (Lucas Paio)
Recomendado para quem gosta de: Tarzan, adaptações, live action, efeitos visuais
#3
Capitão Fantástico (Captain Fantastic, Matt Ross, 2016)
Um pai de família vive com seus seis filhos na floresta, adotando um estilo de vida bem diferente do que conhecemos. O diretor e roteirista Matt Ross evita maniqueísmos, não temos heróis ou vilões. Ben é ao mesmo tempo um pai amoroso e um ditador durão – numa ótima interpretação de Viggo Mortensen. Ele é bem firme em suas colocações, mas estimula o debate e aceita ser contrariado. O avô das crianças, vivido pelo ótimo Frank Langella, é uma figura abominável à primeira vista, mas logo se mostra uma pessoa carinhosa que cuida dos seus. E os filhos, apesar de viverem sob um esquema rígido de estudos e treinamentos físicos, são adoráveis e passíveis de erros. E a fotografia é a cereja do bolo, caracterizando muito bem o campo e a cidade. (Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro)
Recomendado para quem gosta de: Pequena Miss Sunshine, Na Natureza Selvagem, kits de sobrevivência na selva, Roadie movie
https://www.youtube.com/watch?v=ENGH8AKi9qY
#2
Um Cadáver Para Sobreviver (Swiss Army Man, Daniel Kwan, Daniel Scheinert, 2016) Quando alguém reclamar que Hollywood anda sem criatividade ou que esse ano foi ruim para o cinema, minha sugestão é: indique Um Cadáver Para Sobreviver para essa pessoa.
A comédia apresenta a uma fantástica aventura psicológica de um suicida que encontra conforto num cadáver, com quem passa a interagir e conversar. Paul Dano está arrepiante, como de costume, na pele de um homem danificado mentalmente e incapaz de conseguir lidar com a sua insignificância no mundo. Já Daniel Radcliffe tem uma das melhores atuações de sua carreira interpretando um cadáver desprovido de modos pós-vida.
Com todos essas qualidades, o longa acabou na segunda posição. Perdeu a nossa “caipirinha dourada” para outra obra que também poderia muito bem figurar no ranking de comédia, além de ser igualmente sem noção – dadas as devidas proporções, claro.
Recomendado para quem gosta de: comédia, Náufrago, Um Morto Muito Louco, peidar no sofá/cama/elevador; rir de coisas esquisitas; senso de humor bizarro; romances idealizados, solidão, depressão
https://www.youtube.com/watch?v=icPMWXVcuXw
#1
Hunt for Wilderpeople (Taika Waititi, 2016) Se prepare para se apaixonar perdidamente pelo delinquente infantil Ricky Baker. Não há uma outra maneira de dizer: o trombadinha gordinho vivido por Julian Dennison conquista o espectador quase que imediatamente, o que já é um empurrão e tanto para explicar como o hilário Hunt for Wilderpeople desbancou todos os seus concorrentes e conquistou o nosso disputado primeiro lugar na lista de melhores filmes de aventura de 2016.
Depois de finalmente encontrar um lar adotivo para morar, Ricky Baker pensa que encontrou o amor e a paz. Mas o destino está de sacanagem e estraga todos os seus planos de uma vida sossegada. Decidido a fugir, Ricky leva o seu amigo rabugento (Sam Neill) para viver uma intensa história de humor, emoção e aventura no meio da floresta, enquanto são perseguidos pelas autoridades.
Recheado de piadas absurdas para arrancar boas gargalhadas do seu público, o grande charme de Hunt for Wilderpeople está na maneira brilhante como Taika Waititi conduziu o seu elenco. O pequeno grande talento Julian Dennison é cativante e responsável por uma das melhores atuações da temporada. Imperdível!
Recomendado para quem gosta de: comédia, fugas na selva, Be King Rewind, crianças sem noção, Dênis, o Pimentinha




