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Filme: O Natal dos Coopers

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Não sou fã de filmes natalinos. Por quê? Quase sempre seguem as mesmas fórmulas: família grande que se reúne para a comemoração, problemas acontecem e no fim tudo dá certo porque é Natal, época de milagres. Inicialmente, Love The Coopers (O Natal dos Coopers, EUA, 2015) parecia ser, finalmente, uma aposta diferente, com muito mais drama e profundidade do que comédia. No entanto, a produção cai na famosa receita no fim das contas.

O enredo começa narrando diferentes histórias, as quais, obviamente, estão conectadas de alguma maneira. Temos o casal central, formado por Charlotte (Diane Keaton) e Sam (John Goodman), o qual enfrenta tensões acumulados no relacionamento de 40 anos; o filho Hank (Ed Helms), recentemente desempregado e que não se dá bem com a ex-mulher; a filha Eleanor (Olivia Wilde), que não consegue encontrar o amor; a irmã Emma (Marisa Tomei), que sofre com a solidão; e, por fim, o pai de Charlotte, Bucky (Alan Arkin), que tem uma bela amizade com a triste Ruby (Amanda Seyfried).

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Sim, são personagens demais e histórias demais e leva um bom tempo até descobrirmos quem é quem e que tipo de conexão têm entre si. Somente na segunda metade do longa que isso é revelado e até chega a ser um pouco estranho porque Arkin tem 81 anos e Keaton tem 69; é estranho ver ele ser o pai dela com uma diferença de idade tão pequena. Eleanor também chega a explicar tudo em uma conversa com o militar Joe (Jake Lacy), mas é tanto nome em uma frase só que não entendemos nada.

A narrativa é bem legal, vale destacar, pois quem assume a função é Bags (Steve Martin), cachorro de Charlotte e Sam; é bem gostosa a maneira que ele conta a vida de cada papel e o que sentem. O tom dramático, bem discrepante do que eu esperava – bastante humor -, é outra coisa que me surpreendeu aqui. A película é bem intensa em algumas partes, especialmente quando descobrimos os lados mais dolorosos dos personagens.

Ruby é talvez um papel negligenciado pelo roteiro, pois desperta muita curiosidade e Seyfried consegue transmitir a solidão da jovem perfeitamente, só que jamais vemos isso acontecer de maneira forte. Sabe aqueles personagens com potencial? Pois é, ela tinha muito, mas nunca mostra o seu potencial completo. Além disso, o seu relacionamento com Bucky chega a confundir, pois ficamos na dúvida, em algumas conversas e olhares, se eles sentem amor um pelo outro ou amizade.

De modo geral, o único núcleo que teve um foco com maior qualidade foi o de Eleanor e Joe. Eles se conhecem no aeroporto, têm um bom entrosamento, ela o convence a fingir ser seu namorado na noite de Natal e temos um monte de desentendimentos e cenas românticas até o fim. Uma delas, talvez a mais doce do filme, mostra os dois ouvindo Nina Simone na esteira. Difícil não se contagiar, até cheguei em casa e comecei a ouvir músicas da cantora.

Os demais núcleos são até divertidos e comoventes, mas não encantam da mesma forma e falham pela falta de desenvolvimento ou um enredo atraente. E o pior: a maneira como o clímax é tratado decepciona. Até lá, tudo indicava que teríamos um desfecho realista ou pelo menos comovente, só que o tradicional gênero natalino muda isso. Acabamos tendo os famosos tipos de “acertos” que acontecem em produções do tipo, com todo mundo resolvendo os problemas do nada simplesmente porque é Natal. O mundo não é assim gente, desculpa. E toda a narrativa construída até então não dialoga com o desfecho, o que deixa as coisas ainda mais forçadas e sem sentido.

Ou seja, é como se Love The Coopers mostrasse ser um determinado tipo de filme, mais sério e sincero, e no terceiro ato os clichês viessem do nada e fizessem uma história dramática tornar-se um filme do gênero qualquer, com todo mundo feliz dançando na noite de Natal. Faça-me o favor!

 

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